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Juro que não é perseguição, mas um dos DESTAQUES do Minha Notícia agora pela manhã é uma menção a um colunista do jornal Tribuna da Bahia:

Prá quê? Já não foi publicado na mídia tradicional? Já não ganhou o lugar mais disputado por qualquer acontecimento? Não há sentido REPRODUZIR a nota - ou parte dela - num espaço de pretenso jornalismo colaborativo (aquele lance de dar voz a quem não tem voz, notícia feita pelo público e para o público, sabe?).

É só uma questão de coerência e critério editorial.

- Olha ali! Olha ali aquele livro!
- Ah, que besteira! Isso é impossível!

Ufa! Essa semana pós-Feira foi tão alucinada em função da BRA que pouca energia sobrou para repercutir a Feira aqui.

É que um dos achados nos balaios da barraquinha do Beco dos Livros (3 por 10,00) foi “Aceita um cafezinho? Memórias desinibidas de duas aeromoças“, de Trudy Baker e Rachel Jones.

Quando peguei esse livro, lembrei do ditado que ouvi naquela madrugada, de uma guria gaúcha que sofreu comigo os atrasos no embarque da BRA em GRU. Ela já trabalhou em empresa aérea, é filha de aviador e me garantiu que o meio é assim:

“Água morro abaixo. Fogo morro a cima…”

A essa altura, os velhinhos sentados num dos bancos da Praça da Alfândega estavam em silêncio esperando que eu terminasse o bordão. Juro, não me dei conta do tom da minha voz, até que minha mãe sussurrasse na minha frente o restante do ditado e caísse na gargalhada!

Trudy e Rachel eram quase putas! E o pouco que tenho visto não se parece com o que leio no livro. Lógico… eu não sou o target! Por que perceberia algo?

A verdade é que tenho conhecido gente da aviação que é bacana demais e, apesar das famas, salva a categoria.

Fala, Renato Cruz:

“Não lembro onde eu li que o problema da internet é que ela tem mais gente querendo falar do que querendo ouvir.”

***

Por outro lado, eu vivo ouvindo gente falando sobre a Lei do 1% (de 100 internautas, 89 deles apenas lêem o conteúdo da web, 10% interagem com ele, manifestando sua opinião e apenas 1% produz, de fato, novos conteúdos.

***

Difícil, hein? Não consigo me posicionar em nenhum dos dois argumentos. Talvez eu lesse a colocação do Renato mais como “tem muita gente desinteressada naquilo que outras pessoas têm produzido”, mas mesmo assim não acho que isso seja uma verdade absoluta (se é que existem verdades absolutas!).

Anyway, é uma belíssima discussão. E continuo achando necessário, talvez urgente um estudo na área da sociologia para desbravar essa questão.

Porto Alegre sofreu uma síncope de cegueira digital semana passada, que eternizou (ao menos na minha cabeça e de mais alguns camaradas) a máxima: “Paulo Sant’Anna é um jornalista multimídia”.

Nessas horas, em que múmias surgem de seus sarcófagos e atormentam a vida da gente dizendo que jornalismo de verdade é aquele que suja as mãos de tinta, é bom saber de fatos como esse, oportuníssimamente apontado pelo querido André Pase:

É que na noite de sábado (08/09), os blogs do Juca Kfouri e o Terra Magazine (blog do Bob Fernandes, vai!) divulgaram a bomba do relatório da PF que confirma o envolvimento do Corinthians/MSI com a máfia russa. A Folha (impressa) só foi noticiar isso na edição de domingo (09/09).

A história se repete. Em 2004, enquanto uma edição dominical da Zero Hora trazia a Gisele Bundchen na capa, o mundo acabava no Oceano Índico em meio às tsunamis.

Legal foi ver que não apenas a Internet furou o impresso - isso já virou commodity - mas a BLOGOSFERA furou! E furou num clima de alta gentileza e parceria: Terra citando UOL e vice-versa, por meio de seus blogueiros. Pase, outra vez: “ja diz eliana e os dedinhos, eles se saúdam/eles se saúdam”

Vai prá manga! ;-)

Deu na Associated Press, via blog do Dan Gillmor:

Chinese blog providers ‘encouraged’ to register users with their real names. Blog service providers in China are “encouraged” to register users with their real names and contact information, according to a new government document that tones down an earlier proposal banning anonymous online blogging. At least 10 major Chinese blog service providers have agreed to sign the “self-discipline pledge” issued by the Internet Society of China, the state-run Xinhua News Agency reported Tuesday.

Adorei as aspinhas nos “encouraged”. Seria irônico, se não fosse tão triste…

O blog da Cris Dissat promete prá esses dias de Pan!

Reconhecida por fazer o jornalismo cidadão mais autêntico - ela reporta aquilo que vê da janela da casa dela, ao lado do Maracanã, todo o fim de jogo - ela desfruta uma posição privilegiadíssima, melhor que cabine de imprensa, porque vai focar os fatos extra-oficiais do Pan no Rio.

Há pouco, passando novamente por lá, encontrei um post da Cris comentando as regras que o COI ou o COB estabeleceu para quem for assistir às competições. Entre elas:

- é expressamente proibido transmitir imagens, sons, dados, resultados ou comentários relativos aos Jogos, por qualquer meio, incluindo telefones celulares, modem ou outro dispositivo móvel.

- o portador autoriza e dá permissão para captação e utilização de sua imagem e voz, de acordo com o disposto no Guia do Espectador.

(gar-ga-lha-das!!)

Duvido que ninguém vá registrar o que rola no Pan. Por quê? Simples! Não há como controlar nem mesmo como segurar o afã da produção de conteúdo prá web que pulsa nesse povo.

Quanto ao segundo ponto… cá prá nós, né? É muuuita cara-de-pau! Além de te proibirem de registrar o evento, te obrigam a vender tua imagem e voz. Ou melhor, DAR! Porque só quem ganha alguma coisa nessa hora é a mídia mainstream.

Revolta, viu?

Eu me considero uma vítima do Opus Dei. Embora nunca tenha feito parte, compactuado ou chegado minimamente perto dessa seita maldita.

Talvez eu seja um exemplo do quão reverberantes são os efeitos devastadores dessa desgraça disfarçada de glória divina.

E desde que assim me entendo, chamei a mim a missão de fazer o possível para impedir que outras pessoas sejam raptadas pelos carniceiros que tocam a tal “Obra”.

O problema é que há uma dificuldade traiçoeira em descobrir se a gente está ou não perto de um desses carniceiros.

(E se peixe morre pela boca, talvez eu seja a próxima pescada, já que o jornalismo está infestado dessas víboras. Dane-se. Mais forte que o boicote ao meu trabalho é o pavor que sinto cada vez que vejo esse veneno se espalhando pela Terra.)

Há pouco tempo decidi não me envolver mais em manifestos de repúdio à Opus Dei, mesmo que sejam tímidos. Não queria mais ler livros a respeito, tampouco escrever resenhas. Há pouco tempo esse post seria inimaginável. Estava me machucando muito e, numa atitude infantil, optei por fechar os olhos e deixar se danar quem for tolo o suficiente para cair, literalmente, no conto do vigário.

Mas não deu. A coisa está muito mais evidente e clama por uma atitude enfática de estagnação por parte da humanidade. Ainda não sei que atitude é essa. Mas se eu for responsável pela desistência pela obra por uma pessoa que seja, minha consciência vai descansar com a doce sensação de missão cumprida.

Ao contrário do que estou acompanhando nos telejornais dessa manhã - especialmente no Bom Dia Rio Grande e no Bom Dia Brasil -, o Aeroporto Internacional Salgado Filho OPERA COM ATRASOS DE CINCO HORAS, em função das chuvas de ontem, que desequilibraram toda a malha aqui no Sul.

Prova disso é o meu vôo, 1003, da BRA, de Porto para São Paulo, que deveria sair daqui às 8h35 e está previsto para as 13h.

Mais nervoso do que sofrer esses atrasos na pele é ter que assistir jornalista dizendo coisa errada na TV com cara de que está revelando A verdade…

Juro! Chegou a me dar um calor quando vi! E não, eu não estou na menopausa :P

O El País tem o YoPeriodista, uma página totalmente dedicada para reportagens produzidas por cidadãos repórteres.

Mais um modelo de jornalismo colaborativo que, à primeira vista, me pareceu bastante inteligente. Ele promove relatos testemunhais (embora não tenha visto muitos textos em primeira pessoa). Uma vez publicados, esses textos/fotos são expostos à opinião pública de duas maneiras:

* rankeamento tipo as estrelinhas do YouTube
* botãozito “Corregir”, que abre um mini-formulário para report de correções ou abusos

Cara, ISSO SIM É INTERAÇÃO!

E como isso já não bastasse, há remuneração de 500 euros aos melhores “yo periodistas” da semana e de 1.500 euros ao melhor “yo periodista” do mês. A escolha, claro, é do público.

Mas o motivo do calor não foi só o fato de ter encontrado mais uma bela iniciativa num jornalão tradicionalíssimo (sim, a mídia está se dobrando aos encantos da colaboração, hummm!). O que me move nessas horas é saber que grandes veículos da mídia brasileira só tomam atitudes realmente marcantes em suas trajetórias quando outros veículos da mídia internacional já as tomaram e provaram que dá certo!

E agora? Qual a desculpa para não adotar o jornalismo colaborativo?

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