Tecnologices


Bocadopovo é um site de jornalismo cidadão recém-lançado na Bahia. Mais um, talvez. Mas como a tônica é o hiperlocalismo, então tá valendo a iniciativa e espero dali as notícias das ruas, calçadas e casas baianas.

A pegada editorial parece bacana, a começar por uma manchete online agora: Alagamento em Salvador quase leva meu carro.

Só não é nada fantástico o tal do gerador de lead. Trata-se de um formulário onde o cidadão repórter é convidado a digitar em caixinhas as respostas às seguintes questões:

QUEM?
O QUÊ?
ONDE?
COMO?
QUANDO?
POR QUÊ?

Quando tu clica em AVANÇAR, eis que surge um… LEAD!

Pois é… Para que ficar assistindo àquelas aulinhas de técnica de redação jornalística, né? Pirâmide invertida, o que é relevante, verbos declaratórios, uso de artigos, adjetivos, sujeito e predicado que não deve ser separado por vírgula, uma ou duas idéias por frase… Quaaanta besteira!

Eu entendo que escrever um lead, tarefa óbvia para qualquer jornalista, não seja tão simples assim para todo mundo. Entendo também que o canal de submissão de conteúdo vai além e não limita o trabalho do cidadão repórter a essa afronta ao bom senso jornalístico.

Mas a dinâmica da ferramenta lembrou DEMAIS os escrotos Gerador de Lero-lero e Miguxeitor.

Fico pensando até que ponto soluções assim estimulam ou subestimam o intelecto humano…

Agrad’cida pela dica, Pedro Markun!

Deu no Metro (PDF) de hoje que o Orkut já está disponível por celular.

Lembro que um dos maiores usos de plataformas mobile na Coréia do Sul antes do MobileTV era o Cyworld, o Orkut enfeitadinho de lá.

Será que agora a conexão por celular decola no Brasil?

A publicidade sempre é a vilã na história do jornalismo. Se vende muito, prostitui. Se vende pouco, fecha jornal.

A coisa não chegou a tanto, mas falta pouco para o Le Monde Diplomatique, cuja edição de terça-feira (que circula às segundas sabe-se lá quem já foi para a Europa) não chegou às bancas em função da greve dos funcionários.

O alvo do protesto é o plano de recuperação econômica da empresa, onde estão previstas 130 demissões (entre elas, até 90 jornalistas podem perder o emprego ou 25% da redação do Le Monde).

Vejam esse trecho da notícia veiculada pela BBC Brasil:

Os jornais franceses enfrentam dificuldades devido à queda de receitas publicitárias, que foram desviadas para sites na internet.
Para contornar o problema, os grandes diários ampliaram seus sites para atrair novamente os anunciantes que estão preferindo investir na internet do que na imprensa escrita.

Ainda segundo a nota, o próximo jornal da lista a sofrer cortes é o Le Figaro.

Maldita!! Só porque a tal da verba publicitária some a gente fica sem emprego?

A-há! Mas ela NÃO SUMIU! Ela MIGROU para a web como há tanto tempo se insiste e se fala e se avisa e se alerta aos grandes grupos de comunicação tradicional…

Olha, inovem! Olha, integrem suas mídias! Olha, a internet tá crescendo… Eles não ouviram. Pena que tantas cabeças tenham que rolar no que parece um nítido caso de falta de visão web e cultura digital.

Obrigada pela dica, Fernanda Carneiro!

Muito bacana esse trabalho assinado por Manuel Campo Vidal (em espanhol, via Jornalismo & Internet):

Sempre achei os índices de conectividade do brasileiro apontados pelo Ibope NetRatings um pouco falhos. Eles sempre consideravam o número de usuários domésticos, aqueles que acessam à Internet de casa.

Enquanto isso, não é preciso fazer pesquisas extensas para perceber que um grupo muito maior navega em computadores de escolas, faculdades, bibliotecas, no trabalho, telecentros ou… em lan houses!

Daí que o Renato Cruz diz no blog dele que o Cetic (Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação) divulgou um estudo onde 49% dos internautas brasileiros aparecem navegando nesses cybercafés.

Nessa mesma pesquisa, 24% acessam do trabalho e, outros 24%, de casa. (O Renato lembra bem que os entrevistados podiam marcar mais de uma opção de acesso.)

Não é à toa que na praia ou mesmo em cidades pequenas, como Toledo, onde morei, lan houses são semeadas a cada esquina, cobrando módicos R$ 2 pela hora de acesso. E vivem lotadas.

Ainda bem.

Confira o podcast “Destaques das Férias 2“, ancorado pelo Pellanda, Pase, Dedexa, enfim, esse povo querido da Famecos/PUCRS.

O Pase comenta o vinda do Steven Johnson ao Brasil e encaminha o debate sobre internet invisível. (@#$%¨&*! que saudade dessas discussões!!!)

Parece brincadeira… mas algumas pessoas já me ouviram dizendo que eu gostaria de REFAZER jornalismo na Famecos hoje. Não que o meu tempo não tenha sido bacana - ao contrário! Essa galera já tomava conta dos laboratórios povoados de Mac do prédio 7. Mas o nível de atualização do jornalismo da Famecos na discussão de cultura digital é assombrante!

Buenas, ouvir esses podcasts é mais do que matar a saudade do gauchês, é voltar a ouvir tudo de bom e novo que esses caras têm a dizer.

Mandem ver, gente! Aguardo o próximo!

Com o perdão do delay (ultimamente, tudo o que não diz respeito à Abril, Cásper ou UniSant’Anna anda com delay), o Breiller comentou aqui semana passada:

“Orkut e MSN são ótimas ferramentas, sim, mas não esgotam o que há de interessante na rede. Muita gente, principalmente entre os mais jovens, tem tempo apenas para o “ócio comunicativo” quando está online.

Por isso, ao analisar os números da internet no país, é interessante avaliar também a motivação das pessoas para usar a internet e quais os reais benefícios e praticidades que a rede proporciona a elas.”

Ele toca de modo indireto numa questão cada vez mais emergente: a relação entre jornalismo e entretenimento na rede.

A preocupação não é nova mas me parece que a ficha demora para cair nas redações. Num ambiente muito mais usado para entretenimento do que para informação, o que será de nós, jornalistas, na produção de noticiários?

***

Hoje pela manhã recebi um e-mail da Renata Aguiar, editora do site da Revista Recreio, pedindo que eu fizesse uma leitura crítica da home.

Respondi à Renata que o site me parece ótimo, já que explora o visual e não satura o internautinha de conteúdo. Disse mais: que ESSE é o público que talvez não desenvolva vorazmente o hábito de ler revistas e que, portanto, pode sustentar o direcionamento da Abril e de outras empresas tradicionais de comunicação ao ambiente digital.

Então me dei conta do que disse à Renata… Noutras palavras, “é melhor a gente não empurrar muito conteúdo, mas apostar num site divertido.” - E me apavorei com a análise que fiz!!

Será que nosso futuro na web, enquanto jornalistas, não terá mais foco na produção de conteúdo editorial mas na criação e gerenciamento de espaços divertidos? Nós estamos preparados para isso?

O olhar torto de uma aluna para mim, semana passada, quando disse que a tendência das vagas para jornalistas pode ser de moderadores de comunidades virtuais responde que não, ainda não estamos prontos para essa jornada.

***

Encontrei uma matéria na Folha que, embora velhinha (07/04/2007), ilustra bem esse cenário, hum… docemente apavorante:

As novas comunidades virtuais enterram o conceito de um catálogo de gente para apostar na interatividade e nos recursos multimídia, tornando cada vez mais difícil uma identificação precisa dos membros dessa categoria.
(…)
A complexidade desses sites começou a se refletir na audiência: saem os pré-adolescentes e entram os jovens adultos. Segundo a empresa de pesquisas Hitwise, em fevereiro, 41% dos visitantes do MySpace tinham 35 anos ou mais. Há três anos, 62% dos membros do Facebook tinham entre 18 e 24 anos; hoje, a fatia equivale a menos da metade.
(…)
Esse grupo das 20 (comunidades) mais (populares) responde por 6,5% de todo o tráfego da internet, o que o torna tão competitivo quanto os grupos de sites que oferecem serviços de buscas, compras on-line, e-mail e conteúdos específicos.
(…)
Os números indicam que dispor de uma maneira de estar em contato com outras pessoas é tão necessário quanto qualquer outra atividade que possa ser desempenhada on-line.

***

Procuro dados atualizados sobre essa relação íntima do internauta com ambientes de entretenimento, muito mais do que noticiosos. (E vejam que não são apenas os leitores de Recreio!!)

É daquelas preocupações boas, crises para estimular a criatividade sobre nossa identidade profissional… ;)

Então chegamos a 8 milhões de brasileiros com conexão em banda larga… Parece bom, né?

Mas aí o Roberto Gutierrez, do IDC Brasil, comenta na Folha que, com esse novo dado, “o índice de penetração da banda larga no Brasil atingiu os 4%“.

Daí a gente lembra que 95% da Coréia do Sul estão cobertos por banda larga… e aí? É prá rir ou chorar?

O “achado” só podia ser do Eduardo Pellanda, que anda lá por além-mar, mandando ver no MIT (te mete!).

Com a tua licença, Eduardo, precisei chamar essa imagem aqui no Libellus pelo tanto que ela é emblemática! Tuas observações foram oportuníssimas: não apenas a popularização da tecnologia, mas a adoção do hábito por quem não parecia ser o target.

Historinhas para keynotes ;)

Vejam lá no Ubimídia.

A Escola de Comunicação do Comunique-se publica hoje uma análise bacana, evidenciando sete lendas deste nosso caro ofício. Aí vão elas (com pitacos, claro ;) ):

1. O jornalista é ameaçado pelo jornalismo colaborativo
MITO. Claro. Sem a menor dúvida. O termo é a proposta: colaboração, não competição.

2. No jornalismo online há mais independência que em outros meios
Depende do jornalismo online, que vai desde a Folha Online até um blog pessoal jornalístico. It means: não é o suporte que define a autonomia de um veículo, mas sua política editorial e, não raro, sua marca. Noticiários online oriundos do mundo off tendem a seguir os mesmos parâmetros de independência do papel ou da tv, do rádio…

3. Não há espaço para grandes reportagens
Trabalhos extensos são tão coerentes com a internet quanto sua organização multimídia e hipertextual. Lembram do Salaverría? Células informativas e não um texto puro de 7 scrols.

4. Quanto mais rápido sair a matéria, melhor
Bom, parece que o jornalismo online só vem reforçar o clichê de que a pressa é inimiga da perfeição. Vide o caso UOL versus conteúdo colaborativo

5. Erros são perdoáveis devido à pressa
Não é prá ter pressa. Também não é prá atualizar o site uma vez por mês, né?

6. A barra de rolagem inibe a leitura
Ah, mas vamos combinar que o primeiro scroll tem MUITO mais visibilidade, né? ;)

7. É preciso muitas imagens para atrair o leitor
Mesmo a resolução de 1024 não garante boa qualidade na visualização de imagens na tela do computador. Quem quer ver imagens boas, grandonas, daquelas onde a gente “mergulha” vai comprar revista. National Geographic, especialmente.
Anyway, na web, equilíbrio é bem-vindo e página somente texto já era faz tempo…

Vale a pena ler a análise.

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