Mídia


André Vinícius mandou dizer que, no ano passado, o Brasil registrou índice de venda de computadores maior do que de televisões.

Em 2007, 10,7 milhões de micros foram vendidos, enquanto as tevês não passaram os 10 milhões secos.

Inédito isso.

Entrevista bacana do Chris Anderson ao Renato Cruz, no Estadão de hoje.

Positivamente marketeira, talvez, porque deixa a gente tri a fim de ler o próximo livro do cara, a ser lançado no começo de 2009. E aí.. o livro vai ser gratuito, lógico! Disponível na rede para download e talvez até algumas versões físicas serão free… Ah, sim, Free é o nome do próximo filhote do autor de “A Cauda Longa”.

Me pareceu um tiro de misericórdia naqueles sites que ainda insistem em vender conteúdo.

O IAB informa que, no ano passado, a publicidade online registrou um crescimento de 25%. Em espécie, o montante aplicado por anunciantes em sites foi de US$ 21,1 BI!

Números excelentes para guardar na manga em caso de discussões com tecnófobos… ;-)

Deu no MMOnline.

Há pouco o Thalles Waichert comentou aqui e seguiu a reflexão sobre monetização de blogs e, sem querer, provocou ainda mais minha crítica a essa discussão.

Ponto 1: monetização, ok. Mas de que jeito?
Ponto 2: patrocínio anunciado, ok. Mas qual a eficácia?
Ponto 3 (agora): E blog lá é prá fazer dinheiro?

Sim, tem (uma penca de) gente que acha que sim. Que blog é uma maquininha de fazer dindin e, não raro, tenta lucrar à base de abobrinhas. Não generalizo. Apenas sinalizo.

Então lembrei de uma conversa que tive com o André Pase, querido ex-colega e ex-profe da Famecos/PUCRS, semana passada no MSN.

Papo vai, papo vem, concordamos que blog tá muito mais prá portfólio do que para ganha-pão. Não que não se ganhe o pão com um portólio. Mas quando isso acontece, é INDIRETAMENTE.

Dedicar-se a um blog envolve uma série de razões. Particularíssimas, por sinal. No meu rol de razões, a monetização passa longe. E o desejo de publicação prevalece.

Assim como eu rastreio e percebo pessoas por meio de seus blogs, imagino que façam o mesmo comigo. E já fizeram. Daí pintaram convites para palestras, entrevistas e outras atividades profissionais.

É quase um cartão de visita, um portfólio mesmo, de trabalho e personalidade. Essa é a razão que mais se aproxima do quesito “tirar proveito de blogs”. Na minha lista (aliás, falava disso ontem para uma pesquisa da Raquel Recuero), encabeçam o desejo de amplificar meus olhares e saber quais os desdobramentos causados na rede.

Monetiza quem quer. Sure! Mas blog, na minha visão, está longe de ofercer seu melhor na geração de dinheiro.

Parece brincadeira. E, de fato, tem tudo para ser uma iniciativa divertidíssima. Mas os propósitos são tão sérios quanto pede a discussão sobre jornalismo online na atualidade.

A idéia chegou via André Daek Deak, pela comunidade Jornalistas da Web. Rapidamente, o pessoal se entusiasmou e topou entrar nessa ciranda.

Mas afinal… o que é “Carnival of Journalism“? Nas palavras do André…

Vários blogs irão publicar textos sobre jornalismo online e, a cada mês, um deles fará uma espécie de guia de leitura: um resumo de cada texto e um link para o endereço onde ele se encontra. É o modelo dos Blogs Carnivals, que por aqui estou chamando de Ciranda de textos.

O Pedro Penido também faz um belo raciocínio sobre esse… happening digital (posso chamar assim?).

Logo mais, ao longo do dia, vai rolar Carnival of Journalism aqui pelo Libellus também…

Um avião da China Airlines teve de retornar ao aeroporto de origem, em Taiwan, sob suspeita de que uma porta estaria aberta (sejamos claros: ela não estava bem fechada, talvez não travada, o que certamente é um risco para a pressurização da cabine e para a segurança do vôo).

O caso é contado na Folha, hoje, 21/12/2007 MAS… ele aconteceu há 12 dias, em 09/12/2007.

***

Daí a gente lê o Dan Gillmor dizendo coisas como “… manter segredos será uma tarefa mais ingrata, tanto para as empresas como os governos” e fica de bocaberta quando episódios assim são mantidos em sigilo por tantos dias.

Não é de se estranhar que o caso tenha acontecido na China, onde o firewall parece ter tomado conta da mente dos cidadãos, tornando-os tementes ao poder difusor da web (em consequência ao medo do governo, diga-se!)

Ok, houve um silêncio, mas ele não foi mantido por muito tempo.

Só fiquei curiosíssima para saber COMO essa informação chegou à mídia… ;)

O processo de verificação de informações em blogs inspirou Julio Alonso, fundador da Weblogs SL (empresa de blogs em espanhol), em um artigo fácil de entender uma questão que tem feito jornalistas se debaterem no que toca à credibilidade da blogosfera.

Em síntese, o artigo dele diz assim:

“Cuando se publica algo en un blog, no se pretende que sea la última palabra en torno a dicha cuestión. Se pretende que sea el inicio de una conversación sobre ella.”

Bárbaro! Sem dúvida! E bazar, mais uma vez. Enquanto o Windows é o produto acabado, o Linux é o recomeço constante. A cultura digital é assim: em mutação permanente!

“(…) estoy convencido de que el proceso de creación del software libre es más potente que el del software privativo. Y por las mismas razones (millones de ojos ven más que pocos ojos en teoría más cualificados). Pero lógicamente vivir en un entorno de informaciones en proceso de verificación es distinto a vivir en un entorno de productos informativos acabados.”

Conceber notícias sendo modificadas a todo instante é delicadíssimo e não consigo pensar em “notícia beta”. Uma vez publicada, ela interfere no andamento da sociedade com a concretude factual inerente ao jornalismo. Correções são segundas notícias.

Daí, blogs não são jornalismo. (Ok, depende do processo que há por trás daquela informação. Mas blog é, antes de tudo, uma ferramenta e não uma atividade social generalista.)

Isso não faz dos blogs melhores nem piores do que veículos de imprensa. Mas diferentes!

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By the way, blogs QUEREM ser jornalismo?

Observemos, pois, a postura de um blogueiro não-jornalista. Por que a informação que ele veicula deve ser submetida aos mesmos critérios de confiabilidade de um jornal? Ora, ele NÃO É um veículo de imprensa. E NÃO É produzido por um jornalista que jurou compromisso social com a verdade.

A blogosfera tem valores próprios, variados de acordo com o perfil do blog, do blogueiro e… dos FRUIDORES daquele espaço.

***

Falemos, pois, destes fruidores (sim, porque eu me recuso a chamar um internauta de “leitor”).

Ao acessar um blog, ele deve ter em mente que não está fruindo um jornal, mas um espaço midiático personificado (na maioria das vezes), com valores e dinâmica de funcionamento próprios, atribuidos tão-somente pelo(s) seu(s) autor(es).

Assim, não há como esse internauta EXIGIR de um blog as mesmas propriedades anunciadas por um jornal.

Julio diz assim: “Y hay que leer de otra manera, mucho más crítica.”

Ambos se vendem de modos diferentes. Estar ciente dessas diferenças torna o blog tão válido quanto o jornal.

A questão é esperar aquilo que cada espaço de mídia pode e quer oferecer.

Monopólio ou não (e olha que eu sou a favor da livre concorrência!), o Orkut conquistou o Brasil e não tem site, jornal, revista, marca de mídia alguma, nem mesmo outra rede social que vai reverter esse quadro tão facilmente.

Alguns dados bacanas de uma pesquisa divulgada na Folha mostram que o internauta brasileiro passa mais tempo no Orkut do que usando o próprio e-mail!!!

E aí? Vai encarar?

Paulo Gomes mandou dizer que 74% dos brasileiros ouvidos em uma pesquisa realizada pela BBC gostariam de ser ouvidos na escolha das notícias, participando daquilo que é noticiado.

Isso corroboraria a concepção de um Brasil fértil ao jornalismo colaborativo. Mas veja esses outros dados, divulgados pela mesma pesquisa:

* 80% dos brasileiros se mostram preocupados com a concentração de empresas de mídia nas mãos de poucos grupos, que acabam expondo a visão política de seus proprietários.

(mas notem o contrasenso)

* 37% acreditam que essas grandes empresas privadas de comunicação fazem um “bom” trabalho; 38% dizem que é “mediano” e apenas 25% afirmam ser uma cobertura “pobre”.

***

Estranho, muito estranho. Afinal, a imprensa privada agrada ou não aos brasileiros? De verdade, essa é uma questão que PRECISA ser desvendada.

Na Coréia do Sul, por exemplo, o OhmyNews nasceu em meio a um sentimento de profunda indignação do público com a imprensa local. Isso foi um combustível fenomenal para o crescimento do jornalismo cidadão naquele país.

Essa posição meio “em cima do muro” do brasileiro é boa, por um lado - pois mostra que nossa imprensa não está lá tão ruim -, mas não reúne força suficiente para empurrar um movimento colaborativo por aqui.

Claro que a adesão do povo sul-coreano ao OhmyNews não aconteceu somente em função do desagrado com a imprensa de lá. Cabe-nos, então, descobrir que outras “mágicas” por Mr. Oh e sua equipe aplicaram, e tentar replicá-las num Brasil aparentemente imaturo no que toca à sua avaliação crítica - ou, pelo menos, contraditória - em relação à mídia mainstream.

***

Foram ouvidas 11.344 pessoas de 14 países das Américas, da Europa, da Ásia e da África, entre os dias 1º/10 e 21/11 desse ano.

Os resultados completos estão no Terra.

Surpresa… ou não deveria ser?

7% do povo do Ask500People acessa notícias por RSS…

Decepção :(

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