Mídia


Juliano Spyer publica no Webinsider uma análise muito lúcida sobre uma questão que pautou a conversa que tive ainda hoje pela manhã, com o Rafael Sbarai: por que o jornalismo colaborativo não vinga aqui no Brasil?

O ponto de vista do Ju foca a filtragem dos jornalistas como um impecilho ao crescimento. Ele ironiza:

Precisamos filtrar a informação enviada pelos usuários para garantir a correção da notícia e não comprometer a reputação do veículo.

As pautas também destoam daquilo que se espera de um veículo deste viés.

São aceitos materiais sobre curiosidades, aberrações ou denúncias que quando muito servem para alimentar comentários como: - Todo político é corrupto… - Olha o que fazem com os nossos impostos… - Ricos nunca são presos…

Não há dúvidas, Ju. Tuas críticas me soam corretas. Mas a solução disso não está na auto-moderação.

Tu falas de braços colaborativos de portais. E eu te lembro que portais não nasceram para ser colaborativos. Assim como a mídia tradicional. São tão unidirecionais quanto o jornal impresso. Como esperar, de veículos assim, uma cultura digital que valorize a espontaneidade, que acredite no potencial da comunidade a ponto de abrir mão desse controle? O peso da marca é sempre maior.

Apesar disso, marcas fortes como G1 e O Globo Online têm levado a cabo noticiários colaborativos até bacanas, com tolices, sim, mas com um jornalismo hiperlocal que a mídia mainstream não contempla.

Antes da auto-moderação, parece que alguns passos devem ser dados por essas marcas tradicionais que querem fazer colaboração:

1) estreitar laços de relacionamento com seus colaboradores
2) definir critérios de noticiabilidade decentes
3) reforçar a atualização
4) promover contatos offline ou pessoais
5) gratificar o colaborador de maneira simbólica (o que pode implicar na criação de um ambiente competitivo saudável)
6) … (quem dá mais?)

Assim, talvez, a gente estabeleça o espírito de comunidade nesses noticiários. Envolvidos, pertencentes àquele espaço, quem sabe a auto-moderação não funciona?

Uma última observação: Slashdot não é jornalismo, não se pretende nem se vende assim. E mesmo auto-moderado, esses noticiários, para serem jornalísticos, precisam ter ao menos o acompanhamento de jornalistas profissionais.

Não deixem de ler o artigo do Juliano.

Muito bacana esse trabalho assinado por Manuel Campo Vidal (em espanhol, via Jornalismo & Internet):

Duas pessoas me chamaram à atenção para um artigo publicado ontem, na Gazeta Mercantil. Meu vizinho de baia e personal zoador da gauchada Alexandre Miraldo e minha aluna Fernanda Carneiro Athayde indicaram essa matéria intitulada “Internet colaborativa influencia propaganda“.

Eles fazem um bom apanhado dessas iniciativas mais recentes de convidar o consumidor a produzir peças de campanhas publicitárias, como os vídeos do Nescau 2.0, “O que faz você feliz?”, do Pão de Açúcar e “Eu sou fulana e esse Fiat é meu!” - todas protagonizadas pelo público leigo. Nada de atores. Nada de publicitários.

Conversava com a Fernanda, por e-mail, sobre o despertar do interesse por colaboração nessa turma da publicidade. Isso é maravilhoso! Mas mais maravilhoso ainda é perceber, com isso, que o jornalismo já pratica colaboração há, pelo menos, 8 anos. E só ano passado ouvi as primeiras idéias sobre publicidade 2.0. Em agosto postei alguma coisa a respeito.

Agora… tem algo que me surpreende mais do que a “boa sacada” dessas iniciativa: é o fato de jornalistas poderem se envolver com elas. Sim, publicitários entendem léguas melhor de marca do que nós. Mas bacana mesmo é a gente já ter um certo trânsito em colaboração e ser um profissional meio transdisciplinar nessas horas.

Sim, o momento é bem mais fértil, “colaborativamente” falando. Colaboração tá virando (uma boa) commodity. No Metro de hoje, a banda britância Radiohead anuncia um concurso de clipes. O fã que fizer a melhor proposta de clipe na opinião de outros fãs leva U$ 10 mil para produzir a idéia. Dia 30 de junho a gente vai saber mais :)

UPDATED (24/03/2008): Pedro Penido transformou essa reflexão em conversa e esclareceu, no Meio Digital: “(…) o elemento central da lógica dessa propaganda é a possibilidade da audiência suprir, de alguma maneira, o próprio anunciante com um feedback instantâneo, convertido para um formato de publicação.” Taí! Disse tudo!

Confira o podcast “Destaques das Férias 2“, ancorado pelo Pellanda, Pase, Dedexa, enfim, esse povo querido da Famecos/PUCRS.

O Pase comenta o vinda do Steven Johnson ao Brasil e encaminha o debate sobre internet invisível. (@#$%¨&*! que saudade dessas discussões!!!)

Parece brincadeira… mas algumas pessoas já me ouviram dizendo que eu gostaria de REFAZER jornalismo na Famecos hoje. Não que o meu tempo não tenha sido bacana - ao contrário! Essa galera já tomava conta dos laboratórios povoados de Mac do prédio 7. Mas o nível de atualização do jornalismo da Famecos na discussão de cultura digital é assombrante!

Buenas, ouvir esses podcasts é mais do que matar a saudade do gauchês, é voltar a ouvir tudo de bom e novo que esses caras têm a dizer.

Mandem ver, gente! Aguardo o próximo!

Com o perdão do delay (ultimamente, tudo o que não diz respeito à Abril, Cásper ou UniSant’Anna anda com delay), o Breiller comentou aqui semana passada:

“Orkut e MSN são ótimas ferramentas, sim, mas não esgotam o que há de interessante na rede. Muita gente, principalmente entre os mais jovens, tem tempo apenas para o “ócio comunicativo” quando está online.

Por isso, ao analisar os números da internet no país, é interessante avaliar também a motivação das pessoas para usar a internet e quais os reais benefícios e praticidades que a rede proporciona a elas.”

Ele toca de modo indireto numa questão cada vez mais emergente: a relação entre jornalismo e entretenimento na rede.

A preocupação não é nova mas me parece que a ficha demora para cair nas redações. Num ambiente muito mais usado para entretenimento do que para informação, o que será de nós, jornalistas, na produção de noticiários?

***

Hoje pela manhã recebi um e-mail da Renata Aguiar, editora do site da Revista Recreio, pedindo que eu fizesse uma leitura crítica da home.

Respondi à Renata que o site me parece ótimo, já que explora o visual e não satura o internautinha de conteúdo. Disse mais: que ESSE é o público que talvez não desenvolva vorazmente o hábito de ler revistas e que, portanto, pode sustentar o direcionamento da Abril e de outras empresas tradicionais de comunicação ao ambiente digital.

Então me dei conta do que disse à Renata… Noutras palavras, “é melhor a gente não empurrar muito conteúdo, mas apostar num site divertido.” - E me apavorei com a análise que fiz!!

Será que nosso futuro na web, enquanto jornalistas, não terá mais foco na produção de conteúdo editorial mas na criação e gerenciamento de espaços divertidos? Nós estamos preparados para isso?

O olhar torto de uma aluna para mim, semana passada, quando disse que a tendência das vagas para jornalistas pode ser de moderadores de comunidades virtuais responde que não, ainda não estamos prontos para essa jornada.

***

Encontrei uma matéria na Folha que, embora velhinha (07/04/2007), ilustra bem esse cenário, hum… docemente apavorante:

As novas comunidades virtuais enterram o conceito de um catálogo de gente para apostar na interatividade e nos recursos multimídia, tornando cada vez mais difícil uma identificação precisa dos membros dessa categoria.
(…)
A complexidade desses sites começou a se refletir na audiência: saem os pré-adolescentes e entram os jovens adultos. Segundo a empresa de pesquisas Hitwise, em fevereiro, 41% dos visitantes do MySpace tinham 35 anos ou mais. Há três anos, 62% dos membros do Facebook tinham entre 18 e 24 anos; hoje, a fatia equivale a menos da metade.
(…)
Esse grupo das 20 (comunidades) mais (populares) responde por 6,5% de todo o tráfego da internet, o que o torna tão competitivo quanto os grupos de sites que oferecem serviços de buscas, compras on-line, e-mail e conteúdos específicos.
(…)
Os números indicam que dispor de uma maneira de estar em contato com outras pessoas é tão necessário quanto qualquer outra atividade que possa ser desempenhada on-line.

***

Procuro dados atualizados sobre essa relação íntima do internauta com ambientes de entretenimento, muito mais do que noticiosos. (E vejam que não são apenas os leitores de Recreio!!)

É daquelas preocupações boas, crises para estimular a criatividade sobre nossa identidade profissional… ;)

Então chegamos a 8 milhões de brasileiros com conexão em banda larga… Parece bom, né?

Mas aí o Roberto Gutierrez, do IDC Brasil, comenta na Folha que, com esse novo dado, “o índice de penetração da banda larga no Brasil atingiu os 4%“.

Daí a gente lembra que 95% da Coréia do Sul estão cobertos por banda larga… e aí? É prá rir ou chorar?

O serviço brasileiro da BBC completa 70 anos agora, em 2008. Para celebrar, a emissora promove dois dias de debates sobre temas em evidência no jornalismo nacional e mundial.

O evento acontece nos dias 13 e 14 de março, em horário comercial, no Centro Brasileiro-Britânico (aqui atrás da Abril, btw).

A inscrição é gratuita. Por aqui…

André Vinícius mandou dizer que, no ano passado, o Brasil registrou índice de venda de computadores maior do que de televisões.

Em 2007, 10,7 milhões de micros foram vendidos, enquanto as tevês não passaram os 10 milhões secos.

Inédito isso.

Entrevista bacana do Chris Anderson ao Renato Cruz, no Estadão de hoje.

Positivamente marketeira, talvez, porque deixa a gente tri a fim de ler o próximo livro do cara, a ser lançado no começo de 2009. E aí.. o livro vai ser gratuito, lógico! Disponível na rede para download e talvez até algumas versões físicas serão free… Ah, sim, Free é o nome do próximo filhote do autor de “A Cauda Longa”.

Me pareceu um tiro de misericórdia naqueles sites que ainda insistem em vender conteúdo.

O IAB informa que, no ano passado, a publicidade online registrou um crescimento de 25%. Em espécie, o montante aplicado por anunciantes em sites foi de US$ 21,1 BI!

Números excelentes para guardar na manga em caso de discussões com tecnófobos… ;-)

Deu no MMOnline.

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