Enquanto a mídia impressa e eletrônica se debate atrás de estratégias de sobrevivência num cenário cada vez mais povoado por soluções digitais, algumas marcas tidas como “jurássicas” encontram a saída de emergência numa coisa que parece óbvia: a integração.
Parece óbvia, mas não é. Afirmo isso porque a discussão “a internet cresce, e agora?” geralmente emperra na dicotomia da canibalização, onde um meio só pode vai dar certo se substituir o outro. Agora… Sejamos honestos: isso já aconteceu na história da mídia?
Com o perdão de chover no molhado, cinema não matou teatro, televisão não matou rádio nem cinema. Por que o meio digital aniquilaria com todas essas raças?
Muito antes desse ser um manifesto em defesa da sobrevivência dos meios tradicionais, quero apenas compartilhar um raciocínio que me parece a melhor maneira de todos saírem ganhando. E o segredo disso pode estar no aproveitamento daquilo que cada mídia tem de melhor.
Marcas
É indiscutível que haja marcas de enorme respeito na mídia tradicional. Não é porque o NYT se consolidou no impresso que não terá êxito no online. Prejuízo haverá se, ao procurar uma informação com credibilidade na web o público NÃO ENCONTRE o NYT. A idéia é: esteja onde o público estiver. Isso também vale, aliás, para redes sociais. Ao invés de querer trazer todo o tráfego de Orkuts e afins para o site do seu veículo, faça sua marca presente nessas comunidades. Foi o que a CNN fez ao criar um canal de vídeos no YouTube. O tráfego de visitação não é contabilizado para a CNN. Mas o fato da marca fazer-se presente no espaço referencial de vídeos representa um lucro maior do que os índices de audiência vendidos a anunciantes.
Texto
Quem se acostumou a ganhar a vida fazendo reportagem para revistas e jornais têm, na maioria dos casos, um domínio indiscutível do texto. Infiltrar essa habilidade em equipes jovens, já nascidas em ambiente web pode ser um belo diferencial.
Multimídia
É a vez da gurizada ensinar os mais velhos como capturar um vídeo, editar um podcast e casar isso tudo com seu texto.
Integração de redações
Pedir que o povo do impresso também produza conteúdo para o meio online soa como afronta. Onde já se viu multiplicar seu trabalho e manter seu salário? A balança se equilibra quando o povo do online também passa a produzir conteúdo pro impresso (ou eletrônico, suportes offline, enfim). Isso tira qualquer argumento de diretor de redação que se negue a produzir conteúdo para o site. Barganhe com a oferta de mais mão-de-obra para seu querido papel. Ninguém aumenta a carga de trabalho e todos os suportes são alimentados por conteúdos produzidos por uma redação integrada.
Utopia? Longe disso! É o que Daily Telegraph, BBC, 20 Minutos, e The Guardian estão fazendo SEM demissões, SEM corte de vagas e com muita criatividade. A integração acontece desde a adoção de mobiliários sem divisórias até cursos de capacitação… para quem é do off e para quem é do online.
Não se digitalizar com medo da canibalização, depois disso, vai parecer suicídio.
***
Texto produzido dentro da Ciranda do Texto, ou Carnival of Journalism.