jornalismo


O serviço brasileiro da BBC completa 70 anos agora, em 2008. Para celebrar, a emissora promove dois dias de debates sobre temas em evidência no jornalismo nacional e mundial.

O evento acontece nos dias 13 e 14 de março, em horário comercial, no Centro Brasileiro-Britânico (aqui atrás da Abril, btw).

A inscrição é gratuita. Por aqui…

A Escola de Comunicação do Comunique-se publica hoje uma análise bacana, evidenciando sete lendas deste nosso caro ofício. Aí vão elas (com pitacos, claro ;) ):

1. O jornalista é ameaçado pelo jornalismo colaborativo
MITO. Claro. Sem a menor dúvida. O termo é a proposta: colaboração, não competição.

2. No jornalismo online há mais independência que em outros meios
Depende do jornalismo online, que vai desde a Folha Online até um blog pessoal jornalístico. It means: não é o suporte que define a autonomia de um veículo, mas sua política editorial e, não raro, sua marca. Noticiários online oriundos do mundo off tendem a seguir os mesmos parâmetros de independência do papel ou da tv, do rádio…

3. Não há espaço para grandes reportagens
Trabalhos extensos são tão coerentes com a internet quanto sua organização multimídia e hipertextual. Lembram do Salaverría? Células informativas e não um texto puro de 7 scrols.

4. Quanto mais rápido sair a matéria, melhor
Bom, parece que o jornalismo online só vem reforçar o clichê de que a pressa é inimiga da perfeição. Vide o caso UOL versus conteúdo colaborativo

5. Erros são perdoáveis devido à pressa
Não é prá ter pressa. Também não é prá atualizar o site uma vez por mês, né?

6. A barra de rolagem inibe a leitura
Ah, mas vamos combinar que o primeiro scroll tem MUITO mais visibilidade, né? ;)

7. É preciso muitas imagens para atrair o leitor
Mesmo a resolução de 1024 não garante boa qualidade na visualização de imagens na tela do computador. Quem quer ver imagens boas, grandonas, daquelas onde a gente “mergulha” vai comprar revista. National Geographic, especialmente.
Anyway, na web, equilíbrio é bem-vindo e página somente texto já era faz tempo…

Vale a pena ler a análise.

Uma das poucas coisas que realmente valeram a pena durante o CP, foi reencontrar o JR.

Assistam porque é bom:

O Pedro Dória disse ontem no blog dele que era impossível enviar links para o blog do Luis Nassif a partir do domínio abril.com.br

“O firewall interno da Editora Abril está bloqueando as mensagens com o link. Certo tipo de conteúdo eles não ajudam a divulgar.”

Faltou ele apurar que a Abril sofreu uma queda no servidor de e-mails e ninguém conseguia enviar e-mail algum durante um período do dia!

Primário, primário… e vergonhoso!

Nada contra dinheiro. Não sou comunista, ao contrário. Só levanto a bandeira da coerência. E um post recomendado pelo querido André Pase (da PUCRS), me abriu os olhos para um lance birrento: a tal da monetização em sua veia mais danosa.

Luiz Fernando Bindi e Ubiratan Leal, do Balípodo e do Futebol É uma Caixinha de Surpresas mandam dizer:

“(…) Os blogs podem ter poucos acessos e page views, mas seus leitores levam muito a sério o conteúdo. Toda essa relação de confiança entre dono do espaço e leitor abriu os olhos do mercado publicitário. E assim surgiu… o merchandising de blog, o post ‘publicitário’.

(…) A idéia é publicar um texto, como se fosse mais um do blog, recomendando (subliminarmente ou não) o consumo de um determinado produto ou serviço.

(…) Há casos em que o autor, apesar de emprestar seu estilo ao texto publicitário, tem o cuidado de informar seu leitor que se trata de um espaço patrocinado. Outros não tiveram esse cuidado e seu leitor acaba sendo alvo de um anúncio sem saber. E ainda acha que é opinião do dono do blog (…).”

Baita lúcida a análise dos guris.

Entenderam no que concordo com eles? Não sou contra a monetização de espaços online. Mas vejamos DE QUAL MODO ela acontece.

O que me irrita diante disso é pensar que quem adere ao “post publicitário” podem ser os mesmos blogueiros que blogam “por uma mídia independente!!”.

(Isso não é nada! Brabo mesmo é quando dizem que seus blogs são “colaborativos”!! ecs!!)

Não faz o menor sentido, né?

Então chegou um telegrama lá em casa, dizendo para eu comparecer ao departamento de Recursos Humanos da RBS (Zero Hora) dia tal, a tal hora. Av. Ipiranga, 1075. Eu tremi nas bases. Tinha só 13 anos. E recém havia decidido ser jornalista.

Então passei uma tarde maravilhosa com uma equipe de jornalistas e outros adolescentes leitores do Caderno de Esportes de ZH, fazendo aquilo que eu já gostava naquela época: dar pitacos no jornalismo.

A tarde terminou afundada num BigMac trazido por uma das jornalistas àquela sala no térreo do prédio da Ipiranga esquina Érico Verissimo.

***

Alguns… 13 anos se passam (eita!!) e hoje eu vejo que o espanhol La Vanguardia convida internautas de várias faixas etárias e profissões para comporem o “Consejo Editorial de los Usuarios de LV.es”” - uma iniciativa prá lá de bacanuda que visa extrair desse povo idéias para melhorar o site do jornal… “… ejerciendo de “ojos críticos” con el objetivo de corregir errores, mejorar día a día y de ser más próximos a los lectores y usuarios”.

***

Será que eles vão ganhar BigMac no final? :P

(Valeu Eliziário Goulart Rocha!)

***

Muitos, talvez TODOS os veículos de imprensa devessem fazer o mesmo.

***

Via Intermezzo.

Bom caldo rendeu a primeira Ciranda de Textos sobre jornalismo online - ou Carnival of Journalism.

11 jornalistas-blogueiros da comunidade Jornalistas da Web dedicaram inspirados minutos de sua terça-feira para refletir a mesma temática sob diferentes ângulos.

Mais bacana que a Ciranda em si foi a percepção que o André teve, que projetos colaborativos como este têm lugar e fôlego de participantes realmente dedicados.

Teve gente falando de blogs X jornalismo, como organizar conteúdo multimídia, formação do jornalista online, panelês da blogosfera e outros temas tão espinhosos quanto pertinentes.

No blog do André Deak está a sinopse de toda a Ciranda de ontem. Mas já estamos a pensar quando será a próxima Cirandinha… Disposto a entrar na roda?

Enquanto a mídia impressa e eletrônica se debate atrás de estratégias de sobrevivência num cenário cada vez mais povoado por soluções digitais, algumas marcas tidas como “jurássicas” encontram a saída de emergência numa coisa que parece óbvia: a integração.

Parece óbvia, mas não é. Afirmo isso porque a discussão “a internet cresce, e agora?” geralmente emperra na dicotomia da canibalização, onde um meio só pode vai dar certo se substituir o outro. Agora… Sejamos honestos: isso já aconteceu na história da mídia?

Com o perdão de chover no molhado, cinema não matou teatro, televisão não matou rádio nem cinema. Por que o meio digital aniquilaria com todas essas raças?

Muito antes desse ser um manifesto em defesa da sobrevivência dos meios tradicionais, quero apenas compartilhar um raciocínio que me parece a melhor maneira de todos saírem ganhando. E o segredo disso pode estar no aproveitamento daquilo que cada mídia tem de melhor.

Marcas
É indiscutível que haja marcas de enorme respeito na mídia tradicional. Não é porque o NYT se consolidou no impresso que não terá êxito no online. Prejuízo haverá se, ao procurar uma informação com credibilidade na web o público NÃO ENCONTRE o NYT. A idéia é: esteja onde o público estiver. Isso também vale, aliás, para redes sociais. Ao invés de querer trazer todo o tráfego de Orkuts e afins para o site do seu veículo, faça sua marca presente nessas comunidades. Foi o que a CNN fez ao criar um canal de vídeos no YouTube. O tráfego de visitação não é contabilizado para a CNN. Mas o fato da marca fazer-se presente no espaço referencial de vídeos representa um lucro maior do que os índices de audiência vendidos a anunciantes.

Texto
Quem se acostumou a ganhar a vida fazendo reportagem para revistas e jornais têm, na maioria dos casos, um domínio indiscutível do texto. Infiltrar essa habilidade em equipes jovens, já nascidas em ambiente web pode ser um belo diferencial.

Multimídia
É a vez da gurizada ensinar os mais velhos como capturar um vídeo, editar um podcast e casar isso tudo com seu texto.

Integração de redações
Pedir que o povo do impresso também produza conteúdo para o meio online soa como afronta. Onde já se viu multiplicar seu trabalho e manter seu salário? A balança se equilibra quando o povo do online também passa a produzir conteúdo pro impresso (ou eletrônico, suportes offline, enfim). Isso tira qualquer argumento de diretor de redação que se negue a produzir conteúdo para o site. Barganhe com a oferta de mais mão-de-obra para seu querido papel. Ninguém aumenta a carga de trabalho e todos os suportes são alimentados por conteúdos produzidos por uma redação integrada.

Utopia? Longe disso! É o que Daily Telegraph, BBC, 20 Minutos, e The Guardian estão fazendo SEM demissões, SEM corte de vagas e com muita criatividade. A integração acontece desde a adoção de mobiliários sem divisórias até cursos de capacitação… para quem é do off e para quem é do online.

Não se digitalizar com medo da canibalização, depois disso, vai parecer suicídio.

***

Texto produzido dentro da Ciranda do Texto, ou Carnival of Journalism.

Parece brincadeira. E, de fato, tem tudo para ser uma iniciativa divertidíssima. Mas os propósitos são tão sérios quanto pede a discussão sobre jornalismo online na atualidade.

A idéia chegou via André Daek Deak, pela comunidade Jornalistas da Web. Rapidamente, o pessoal se entusiasmou e topou entrar nessa ciranda.

Mas afinal… o que é “Carnival of Journalism“? Nas palavras do André…

Vários blogs irão publicar textos sobre jornalismo online e, a cada mês, um deles fará uma espécie de guia de leitura: um resumo de cada texto e um link para o endereço onde ele se encontra. É o modelo dos Blogs Carnivals, que por aqui estou chamando de Ciranda de textos.

O Pedro Penido também faz um belo raciocínio sobre esse… happening digital (posso chamar assim?).

Logo mais, ao longo do dia, vai rolar Carnival of Journalism aqui pelo Libellus também…

Mário Lima Cavalcanti segue agitando o jornalismo online pelo Brasil…

A última dele é o seminário “O Mercado e o Ensino de Jornalismo Online“, que vai acontecer dia 28 de fevereiro, no Rio de Janeiro (puxa, Mario, por que não organizamos um em SP? Fiquei tri a fim de participar….. Esse tema me interessa DEMAIS!).

O evento vem sendo organizado pelo site Jornalistas da Web e pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA).

A programação envolve uma série de palestras sobre o dia-a-dia da redação de um portal, como está o mercado online e de que modo as faculdades de jornalismo estão preparando seus futuros profissionais para esse baita desafio.

A entrada é franca! Carioquinhas camaradas, todo mundo lá!

Serviço

Data: 28 de fevereiro de 2008
Horário: 19h às 22h
Local: Auditório do Campus II da FACHA
Endereço: Rua da Matriz, 49 - Botafogo - Rio de Janeiro - RJ
Site oficial: www.jornalistasdaweb.com.br/eventos/uni
ENTRADA FRANCA

« Previous PageNext Page »