jornalismo


Metáfora bacana essa que o Sérgio Buniac, da Motorola, fez durante o Seminário INFO de Internet Móvel…

Com o aumento no uso de carros, as cidades passaram a ser projetadas pensando nesse meio de deslocamento.

Enquanto “tecnologia que muda o modo da gente viver”, o celular cresce disparatosamente. Será o jornalismo concebido, desses tempos em diante, A PARTIR do celular?

Não falo de estilo de redação, de padrão de notícias, de pautas, serviços e entretenimento. Mas do “por que jornalismo existe”, das nossas necessidades informativas.

Arrisco a dizer que o jornalismo que vivo hoje já é outro e não aquele que me fez decidir por essa profissão. A propósito: muito melhor ;)

Thalles Waicher pergunta: o furo jornalístico existe na Internet?

Daquele baú de coisas que a gente leu mas não lembra onde, encontrei uma reflexão sobre os diferenciais da internet perante os demais meios. E uma das coisas ditas foi essa: quando o assunto é “furo jornalístico”, o rádio ainda pode correr mais rápido. Ainda tem redação de site, inclusive, que faz rádio-escuta para alimentar seu noticiário - dizia esse texto.

São lógicas diferentes. Aqui o tempo conta menos que o sistema de produção da informação.

O rádio não é só um meio de difusão de informação. Ele se insere na lógica de funcionamento de uma emissora, uma empresa jornalística com filtros, marca a zelar e um trabalho de apuração não raramente cerceado por constrangimentos.

A internet também não pode ser tida, a essa hora, como um suporte. Antes disso, quem está por trás de uma informação publicada na rede?

Se for uma empresa de comunicação tal como aquela que empresta sua marca à emissora de rádio, o engessamento pode ser o mesmo ou maior. Se for um blogueiro ou twitteiro qualquer, a informação pode ganhar asas mesmo antes de atingir a velocidade limite para decolagem… e aí mora o perigo.

Muito se questiona o processo lento de apuração jornalística. Mas esses questionamentos nem sempre consideram a hipótese da informação dada com rapidez e incosistência.

Não, agilidade não é sinônimo de trabalho ruim. Só não acho que dê para extrair regras daí.

Se deixarmos de lado a esfera - e a preocupação - jornalística, eu diria que os principais furos vêm dos amigos, da tua rede de contatos, do networking. Daí não esquenta com o lance da apuração, da checagem, da veracidade, do boato… Se um amigo der uma barrigada, tudo bem, ele é amigo e tu perdoas. Mas se um veículo fizer isso, não, não perdoe. Ele não pode sair por aí dizendo que caiu avião em Congonhas…

Presenciamos novos hábitos de obter informação. E me parece que aí sim a internet pode superar os demais meios.

Agora não tem mais desculpa!

Aquelas publicações que ainda insistem em fazer sites mandando internauta baixar PDF já não podem mais economizar na equipe “do online”.

“Optar” por um site em PDF já não pode mais ser sinônimo de chupar arquivos fechados que vão para a gráfica e subir no FTP. Preparem-se para pôr gente a produzir vídeos porque a Adobe anunciou que, a partir da versão 9 do Acrobat será possível embutir streamings.

Deu no WSJ.

A Cyberfam completa 10 anos com uma programação 24 horas. Começou ontem, às 18h e encerra às seis da tarde de hoje.

Pouco depois da meia-noite, mandei meus dois centavos numa entrevista por telefone ao querido André Pase.

Muitas participações bacanas, como John Pavlick e Marina Wentzel, ex-colega e amiga que hoje tenho o maior orgulho ao ouvir, de manhã cedinho, no boletim da BBC à CBN: “De Hong Kong, Marina Wentzel”.

Mas o momento mais emocionante é o streaming de vídeo de uma aula de quase 50 minutos, com o Eduardo Pellanda (caro ex-orientador), numa sala de aula da Famecos. A gente sente todo o clima da turma, o discurso, a luz da manhã, o visu do prédio 8 e do jardim da Famecos que a gente vê pelos janelões que vão até o chão, as cortinas, a energia da gurizada, o entusiasmo de sempre no discurso do Pellanda ao falar das possibilidade do mobile no jornalismo.

Aí o coração acelera, a saudadevontade bate e a gente não se güenta!

Parabéns, Cyber! Tenho o maior orgulho de que esse foi meu primeiro trabalho :)

A Newspaper Association of America recém publicou um relatório intitulado Citizen Journalism and Newspaper Sites: The Revolution will be Uploaded (pdf).

Trata-se de um documento retratando a relação entre jornais impressos e jornalismo cidadão nos Estados Unidos. Neste país, aliás, o relatório identifica a existência de 450 sites de jornalismo colaborativo.

citizen journalism map usa

O relatório fala de jornalismo hiperlocal e produzido pelo público. A relação com o impresso aparece provocada por duas características:

1) cidades pequenas, interioranas, mesmo nos Estados Unidos têm um índice de conexão ainda baixo, o que faz o papel ainda ter grande valor por lá.

2) principalmente nessas localidades, a faixa etária da população é elevada, o que não faz do meio digital um ambiente agregador.

Abrindo aspas para o editor do Rye Reflections, Jack Driscoll:

“For example, citizen journalism sites can help traditional media outlets identify underreported stories that have resonance with key audience segments, he argues. In return, they could consider partnerships in which they’d run links to such sites’ most popular stories.”

Perfeito! É para isso mesmo que serve o jornalismo cidadão: para suprir as lacunas que a reportagem de um veículo deixa na sociedade e que, nem por isso, correspondem a fatos irrelevantes.

O trabalho não deixa de lado a internet, ao contrário. A todo o momento, jornais impressos dialogam com a web. O título não é gratuito: de acordo com Lennox Yearwood Jr., CEO da Hip Hop Caucus, “The revolution may not be televised, but it will be uploaded”.

A publicidade sempre é a vilã na história do jornalismo. Se vende muito, prostitui. Se vende pouco, fecha jornal.

A coisa não chegou a tanto, mas falta pouco para o Le Monde Diplomatique, cuja edição de terça-feira (que circula às segundas sabe-se lá quem já foi para a Europa) não chegou às bancas em função da greve dos funcionários.

O alvo do protesto é o plano de recuperação econômica da empresa, onde estão previstas 130 demissões (entre elas, até 90 jornalistas podem perder o emprego ou 25% da redação do Le Monde).

Vejam esse trecho da notícia veiculada pela BBC Brasil:

Os jornais franceses enfrentam dificuldades devido à queda de receitas publicitárias, que foram desviadas para sites na internet.
Para contornar o problema, os grandes diários ampliaram seus sites para atrair novamente os anunciantes que estão preferindo investir na internet do que na imprensa escrita.

Ainda segundo a nota, o próximo jornal da lista a sofrer cortes é o Le Figaro.

Maldita!! Só porque a tal da verba publicitária some a gente fica sem emprego?

A-há! Mas ela NÃO SUMIU! Ela MIGROU para a web como há tanto tempo se insiste e se fala e se avisa e se alerta aos grandes grupos de comunicação tradicional…

Olha, inovem! Olha, integrem suas mídias! Olha, a internet tá crescendo… Eles não ouviram. Pena que tantas cabeças tenham que rolar no que parece um nítido caso de falta de visão web e cultura digital.

Obrigada pela dica, Fernanda Carneiro!

O jornalismo tradicional está em crise. E agora, a estratégia é dizer que o jornalismo colaborativo TAMBÉM está em crise!

O relatório deste ano do “State of the News Media”, divulgado essa semana e comentado pelo Carlos Castilho, aponta para a desaceleração do “jornalismo cidadão” e conteúdos produzidos por internautas. A justificativa é a incorporação de rotinas e vícios de redação por parte dos cidadãos repórteres. Isso faria com que os editores destes noticiários barrassem muito mais as colaborações.

Agora, vejamos:

1) qual a base dessa futurologia?

2) editores barrando colaborações do cidadão repórter me parece muito mais um fortalecimento do CRITÉRIO de publicação, algo tão saudável que só pode conferir mais relevância e credibilidade e, portanto, melhorar o noticiário colaborativo.

Outra coisa que o documento prevê é a mídia tradicional se repensando (algo que já deveria ocorrer há tempo!). Com a palavra, Castilho:

“(…) o informe destaca o aprofundamento de mudanças qualitativas no conceito de notícia e na funcionalidade dos veículos de comunicação em massa. A notícia está deixando de ser um produto para tornar-se um serviço”

Ora, faça-me o favor! Que coisa mais batida esse lance de jornalismo ser um serviço. Ouço esse chavão desde antes da faculdade. E mais: por que diabos a notícia DEIXARIA de ser um produto para ser um serviço, se ela JÁ É AS DUAS COISAS?

***

Buenas, tudo o que eu sei sobre esse relatório é através da coluna do Carlos Castilho, indicada pela Cris Delphino. Mas se a análise dele foi fiel ao teor do documento, vamos combinar… que troço bem besta!

Duas pessoas me chamaram à atenção para um artigo publicado ontem, na Gazeta Mercantil. Meu vizinho de baia e personal zoador da gauchada Alexandre Miraldo e minha aluna Fernanda Carneiro Athayde indicaram essa matéria intitulada “Internet colaborativa influencia propaganda“.

Eles fazem um bom apanhado dessas iniciativas mais recentes de convidar o consumidor a produzir peças de campanhas publicitárias, como os vídeos do Nescau 2.0, “O que faz você feliz?”, do Pão de Açúcar e “Eu sou fulana e esse Fiat é meu!” - todas protagonizadas pelo público leigo. Nada de atores. Nada de publicitários.

Conversava com a Fernanda, por e-mail, sobre o despertar do interesse por colaboração nessa turma da publicidade. Isso é maravilhoso! Mas mais maravilhoso ainda é perceber, com isso, que o jornalismo já pratica colaboração há, pelo menos, 8 anos. E só ano passado ouvi as primeiras idéias sobre publicidade 2.0. Em agosto postei alguma coisa a respeito.

Agora… tem algo que me surpreende mais do que a “boa sacada” dessas iniciativa: é o fato de jornalistas poderem se envolver com elas. Sim, publicitários entendem léguas melhor de marca do que nós. Mas bacana mesmo é a gente já ter um certo trânsito em colaboração e ser um profissional meio transdisciplinar nessas horas.

Sim, o momento é bem mais fértil, “colaborativamente” falando. Colaboração tá virando (uma boa) commodity. No Metro de hoje, a banda britância Radiohead anuncia um concurso de clipes. O fã que fizer a melhor proposta de clipe na opinião de outros fãs leva U$ 10 mil para produzir a idéia. Dia 30 de junho a gente vai saber mais :)

UPDATED (24/03/2008): Pedro Penido transformou essa reflexão em conversa e esclareceu, no Meio Digital: “(…) o elemento central da lógica dessa propaganda é a possibilidade da audiência suprir, de alguma maneira, o próprio anunciante com um feedback instantâneo, convertido para um formato de publicação.” Taí! Disse tudo!

Com o perdão do delay (ultimamente, tudo o que não diz respeito à Abril, Cásper ou UniSant’Anna anda com delay), o Breiller comentou aqui semana passada:

“Orkut e MSN são ótimas ferramentas, sim, mas não esgotam o que há de interessante na rede. Muita gente, principalmente entre os mais jovens, tem tempo apenas para o “ócio comunicativo” quando está online.

Por isso, ao analisar os números da internet no país, é interessante avaliar também a motivação das pessoas para usar a internet e quais os reais benefícios e praticidades que a rede proporciona a elas.”

Ele toca de modo indireto numa questão cada vez mais emergente: a relação entre jornalismo e entretenimento na rede.

A preocupação não é nova mas me parece que a ficha demora para cair nas redações. Num ambiente muito mais usado para entretenimento do que para informação, o que será de nós, jornalistas, na produção de noticiários?

***

Hoje pela manhã recebi um e-mail da Renata Aguiar, editora do site da Revista Recreio, pedindo que eu fizesse uma leitura crítica da home.

Respondi à Renata que o site me parece ótimo, já que explora o visual e não satura o internautinha de conteúdo. Disse mais: que ESSE é o público que talvez não desenvolva vorazmente o hábito de ler revistas e que, portanto, pode sustentar o direcionamento da Abril e de outras empresas tradicionais de comunicação ao ambiente digital.

Então me dei conta do que disse à Renata… Noutras palavras, “é melhor a gente não empurrar muito conteúdo, mas apostar num site divertido.” - E me apavorei com a análise que fiz!!

Será que nosso futuro na web, enquanto jornalistas, não terá mais foco na produção de conteúdo editorial mas na criação e gerenciamento de espaços divertidos? Nós estamos preparados para isso?

O olhar torto de uma aluna para mim, semana passada, quando disse que a tendência das vagas para jornalistas pode ser de moderadores de comunidades virtuais responde que não, ainda não estamos prontos para essa jornada.

***

Encontrei uma matéria na Folha que, embora velhinha (07/04/2007), ilustra bem esse cenário, hum… docemente apavorante:

As novas comunidades virtuais enterram o conceito de um catálogo de gente para apostar na interatividade e nos recursos multimídia, tornando cada vez mais difícil uma identificação precisa dos membros dessa categoria.
(…)
A complexidade desses sites começou a se refletir na audiência: saem os pré-adolescentes e entram os jovens adultos. Segundo a empresa de pesquisas Hitwise, em fevereiro, 41% dos visitantes do MySpace tinham 35 anos ou mais. Há três anos, 62% dos membros do Facebook tinham entre 18 e 24 anos; hoje, a fatia equivale a menos da metade.
(…)
Esse grupo das 20 (comunidades) mais (populares) responde por 6,5% de todo o tráfego da internet, o que o torna tão competitivo quanto os grupos de sites que oferecem serviços de buscas, compras on-line, e-mail e conteúdos específicos.
(…)
Os números indicam que dispor de uma maneira de estar em contato com outras pessoas é tão necessário quanto qualquer outra atividade que possa ser desempenhada on-line.

***

Procuro dados atualizados sobre essa relação íntima do internauta com ambientes de entretenimento, muito mais do que noticiosos. (E vejam que não são apenas os leitores de Recreio!!)

É daquelas preocupações boas, crises para estimular a criatividade sobre nossa identidade profissional… ;)

O serviço brasileiro da BBC completa 70 anos agora, em 2008. Para celebrar, a emissora promove dois dias de debates sobre temas em evidência no jornalismo nacional e mundial.

O evento acontece nos dias 13 e 14 de março, em horário comercial, no Centro Brasileiro-Britânico (aqui atrás da Abril, btw).

A inscrição é gratuita. Por aqui…

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