Jornalismo Colaborativo


Yuri Almeida destacou o concurso para tornar-se correspondente oficial do Decision08, um canal do MySpace que também leva os carimbinhos NBCNews e MSNBC.

A idéia é ser escolhido como “cidadão repórter” oficial do veículo para a cobertura das eleições norte-americanas. Para isso, os candidatos devem enviar vídeos ao estilo “se vira nos 2 minutos”.

Ao final das contas, o Yuri pergunta: “Estamos diante uma possível tendência de relação/interação dos media com os cidadãos-repórteres?”

Essa relação já existe no momento em que se decide criar um espaço de jornalismo colaborativo. Ao menos deveria existir em vai-vém, ou seja, mão dupla. E não apenas o público leigo produzindo conteúdo sem qualquer feedback.

O que o Decision08 está fazendo, me parece, é trazer critérios na hora de aceitar um colaborador - coisa que o OhmyNews já faz desde 2000.

Não basta “preencher-um-cadastro-e-clicar-em-ok” para tornar-se um cidadão repórter. É preciso preencher certos requisitos e até mesmo fazer uma solicitação formal ao veículo para desempenhar tal função.

Isso limita a adesão? Ao contrário! Eu me sinto até estimulada a pleitear uma vaga - mesmo como colaboradora não remunerada - num espaço seleto, onde apenas aqueles que mais se encaixam no perfil editorial podem atuar. Meu trabalho ganha destaque com isso! E eu me sinto ainda mais prestigiada por ter um “crachá virtual” de “colaboradora oficial do Decision08″.

Agora… a contrapartida que esse site terá de oferecer deverá valer a pena!

Acho difícil o internauta emplacar tamanho empenho para fazer parte de uma marca desconhecida. Se fosse direto da NBC, a pegada já seria outra.

Temo a burocracia de modelos assim. Mas uma vez transposta essa barreira, a fidelização parece certa ;)

Só podia ser na Coréia do Sul… mais precisamente, no OhmyNews, claro.

No dia 1º de junho a OhmyTV passou pelo que muitos sites brasileiros já sofreram: caiu por excesso de gente online.

Me disseram outro dia que o Pedro Bial pediu para ninguém entrar no site da Globo por um momento da final do BBB 8, pois o servidor havia caído com tantas requisições.

Assim foi nessa cobertura que o OhmyNews fez dos manifestos em Seul contra a liberação da importação de carne americana, supostamente oriunda de rebanhos contaminados pela doença da vaca louca.

O gasto com a transmissão excedeu em 27 vezes a banda habitual e, ao expor a situação aos internautas, eis que o milagre acontece: chovem 130 mil dólares na conta do OhmyNews, doados espontaneamente por 34 mil internautas.

Resultado: a OhmyTV prosseguiu seus trabalhos.

A doação de pequenos valores já acontece no OhmyNews sul-coreano através de celulares, cartões de crédito e transferências bancárias. Mas sempre são feitas para um cidadão repórter que seja muito do agrado da população.

Na conta do próprio OhmyNews, acho, foi um esforço inédito. A história está aqui.

Daí fica a pergunta: coisa de coreano obstinado ou isso aconteceria também no Brasil? Com quem?

Está online o VC É A Mídia, site-estudo sobre jornalismo colaborativo com uma série de análises, entrevistas, exemplos e tudo aquilo que as pessoas precisam saber sobre o tema.

Fruto do trabalho de conclusão do Rafael Sbarai e equipe, no Mackenzie, o VC É A Mídia promete ter vida própria e longa. Assim o desejo.

Visita mais do que recomendada ;)

Parabéns, guris!


Não pela novidade - que já não é -, mas pelo registro: Citizen News e Y! Repórter criam um modelo de aproveitamento de conteúdo colaborativo para fins jornalísticos.

Ora… se os vídeos e as fotos já estão no YouTube e no Flickr e se alguns têm valor editorial, então só falta uma marca sinônimo de chancela de que ali houve filtro jornalístico - ou edição.

Quanto a gente acha que já viu tudo nesse mundo colaborativo, sempre aparecem articulações novas.

Bocadopovo é um site de jornalismo cidadão recém-lançado na Bahia. Mais um, talvez. Mas como a tônica é o hiperlocalismo, então tá valendo a iniciativa e espero dali as notícias das ruas, calçadas e casas baianas.

A pegada editorial parece bacana, a começar por uma manchete online agora: Alagamento em Salvador quase leva meu carro.

Só não é nada fantástico o tal do gerador de lead. Trata-se de um formulário onde o cidadão repórter é convidado a digitar em caixinhas as respostas às seguintes questões:

QUEM?
O QUÊ?
ONDE?
COMO?
QUANDO?
POR QUÊ?

Quando tu clica em AVANÇAR, eis que surge um… LEAD!

Pois é… Para que ficar assistindo àquelas aulinhas de técnica de redação jornalística, né? Pirâmide invertida, o que é relevante, verbos declaratórios, uso de artigos, adjetivos, sujeito e predicado que não deve ser separado por vírgula, uma ou duas idéias por frase… Quaaanta besteira!

Eu entendo que escrever um lead, tarefa óbvia para qualquer jornalista, não seja tão simples assim para todo mundo. Entendo também que o canal de submissão de conteúdo vai além e não limita o trabalho do cidadão repórter a essa afronta ao bom senso jornalístico.

Mas a dinâmica da ferramenta lembrou DEMAIS os escrotos Gerador de Lero-lero e Miguxeitor.

Fico pensando até que ponto soluções assim estimulam ou subestimam o intelecto humano…

Agrad’cida pela dica, Pedro Markun!

Fazendo eco ao post do Eduardo Pellanda no Ubimidia… estou babando pelo Shozu!

Trata-se de uma plataforma integrada de conteúdo colaborativo, inclusive jornalismo.

Operada por celular, a estrutura permite que materiais produzidos em devices móveis sejam submetidos a sites de conteúdo genérico como Flickr, Blogger, Facebook e YouTube até páginas jornalísticas como CNN e BBC.

Duas coisas importantes aí:

1) colaboração móvel e instantânea
2) integração

A facilidade na navegação móvel ainda parece um desafio para muitos portais. Integrar várias saídas de UGC numa mesma ferramenta me pareceu tacada de mestre!

O Shozu em si não é novo enquanto software, mas desconhecia serviços “neutros” como canal de jornalismo colaborativo, ainda mais para “grandões” como CNN e BBC.

Um estudo apresentado hoje pela eMarketer avalia as potencialidades de lucro do conteúdo gerado pelo usuário (UGC), o “User-Generated Content: In Pursuit of Ad Dollars“.

O artigo que me foi enviado pelo Walter Toscano chama-se “Can User-Generated Content Generate Revenue?” e apresenta alguns números interessantes.

1) A projeção que a eMarketer faz é de que hoje existem cerca de 77 milhões de produtores de conteúdo somente nos Estados Unidos. A perspectiva é de que, em 2012 esse índice chegue a 108 milhões.

E o relato destaca, aos céticos e advogados do diabo: “The content is being read, seen and heard, too.”

2) … Pois o número de consumidores de UGC, também naquele país, chega a 94 milhões hoje, com projeção de atingir a marca dos 130 milhões dentro dos próximos 4 anos.

Os ambientes onde acontece essa fruição podem ser desde empresas clássicas como a CNN, até com tons tradicionais, como a MSNBC, chegando a startups, como YouNewsTV.

Paul Verna, analista sênior da eMarketer, justifica assim um provável aumento da verba publicitária em iniciativas de UGC.

O incentivo dos anunciantes a esse tipo de conteúdo pode não ser imediato, mas será significativo. O relatório antecipa que o lucro obtido por projetos de UGC, hoje fixado em US$ 162 milhões, pode subir para US$ 824 milhões até 2012.

Estou na torcida!!

A prefeitura de Curitiba resolveu entrar na “onda” do jornalismo colaborativo e lançou o “Eu Repórter Cidadão“.

A proposta é para os curitibanos gravarem e enviarem vídeos de até 1 minutos, onde noticiem algo que aconteça em seus bairros. Os melhores ou mais bem votados viram um informa publicitário da administração local e são veiculados na TV aberta.

Sim, vocês leram isso: informe publicitário. E chamam isso de REPÓRTER CIDADÃO! Tô chocada!

Creches, pavimentação, transporte, segurança, centro de emergência médica, moradia populares… Ou vocês acham que surgiria alguma denúncia contra a prefeitura nessa programação?

Antes o povo envia os videozitos para lá só se identificando e dizendo que querem ser “Repórter por um d…” OPS! Não, não é pro Fantástico. É para a propaganda eleitoreira antecipada e fora de hora da prefeitura de Curitiba. Então “Quero ser repórter cidadão. Vote em mim!”

Olha o perigo da banalização do jornalismo colaborativo, olha o MAU USO ou o USO DISTORCIDO que se tem feito do potencial do público…

Será que o fato de esferas políticas ancorarem iniciativas assim não denota uma falta de zêlo dos jornalistas por um território que lhes é de responsabilidade?

Thanks pela dica, Juan Saavedra, via Jornalistas da Web.

A Newspaper Association of America recém publicou um relatório intitulado Citizen Journalism and Newspaper Sites: The Revolution will be Uploaded (pdf).

Trata-se de um documento retratando a relação entre jornais impressos e jornalismo cidadão nos Estados Unidos. Neste país, aliás, o relatório identifica a existência de 450 sites de jornalismo colaborativo.

citizen journalism map usa

O relatório fala de jornalismo hiperlocal e produzido pelo público. A relação com o impresso aparece provocada por duas características:

1) cidades pequenas, interioranas, mesmo nos Estados Unidos têm um índice de conexão ainda baixo, o que faz o papel ainda ter grande valor por lá.

2) principalmente nessas localidades, a faixa etária da população é elevada, o que não faz do meio digital um ambiente agregador.

Abrindo aspas para o editor do Rye Reflections, Jack Driscoll:

“For example, citizen journalism sites can help traditional media outlets identify underreported stories that have resonance with key audience segments, he argues. In return, they could consider partnerships in which they’d run links to such sites’ most popular stories.”

Perfeito! É para isso mesmo que serve o jornalismo cidadão: para suprir as lacunas que a reportagem de um veículo deixa na sociedade e que, nem por isso, correspondem a fatos irrelevantes.

O trabalho não deixa de lado a internet, ao contrário. A todo o momento, jornais impressos dialogam com a web. O título não é gratuito: de acordo com Lennox Yearwood Jr., CEO da Hip Hop Caucus, “The revolution may not be televised, but it will be uploaded”.

Conheci hoje o CBS iMobile - ou eyemobile, no trocadilho que eles propõem.

O que me causou excelente impressão da iniciativa não foi apenas o fato de ser um noticiário colaborativo composto por conteúdo produzido e publicado via celular porque já falamos disso há mais de um ano. O que me pareceu mais bacana foi a cara “primeira pessoa” do site; a começar pela zona quente da página, ocupada pela inscrição: “Breaking News Where I Am“.

Observem o

Essa frase revela muito, talvez tudo sobre o site. Me diz que o site traz conteúdo:
* instantâneo
* móvel e
* colaborativo

Os nomes dos menus me pareceram muito adequados - todos em primeira pessoa também: My Politics, Weather Where I Am, I Cover Sports and Outdoors, News From My Room … (apesar de que isso me fez pensar o que acontece no meu quarto que possa virar notícia… anyway…)

Confiram um mini tutorialzito que mostra como enviar fotos, vídeos e alguma notinha via SMS ou MMS.

Recém-lançado, esse projeto ainda não tem muito conteúdo. Mas não tá vaziozão. Protestos contra a China, eleições norte-americanas, situação nas estradas e alguns depoimentos prevalecem no site. Mas entrou para a lista da ronda. Sem demora, aposto que haverá muita coisa de qualidade por ali.

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