gauchices


Então a Zero Hora (ou “o” Zero Hora, como dizem aqui em São Paulo) cedeu aos encantos do jornalismo colaborativo… Que legal! Faço votos para que seja uma experiência bem-sucedida :)

É que o novo portal de ZH tem uma área chamada “Leitor-Repórter“, um serviço onde o internauta, identificado e logado, pode submeter conteúdo editorial a ser publicado no site.

Pena que o tão desejado link “Como Participar” não está funcionando e só aponta para a home do Leitor-Repórter. Alô-ou! Corrijam isso rapidim, sob pena de frustrar possíveis colaboradores.

Mas o mais interessante é que o Leitor-Repórter, além de ser uma área do site, é um serviço que atravessa todas as outras seções. Estão espalhados por todo o site convites para o internauta mandar sua foto, sua crônica, seu relato sobre “seu bairro, sua cidade, sua região”.

Outro ponto altamente positivo é esse: Seu material será submetido à avaliação dos editores de zerohora.com e levará até 48 horas para ser aprovado.”

Firmar um prazo para avaliação do conteúdo é um sinal de respeito e consideração à ansiedade natural de um internauta que atua como colaborador. TODOS os sites de conteúdo colaborativo mediado deveriam adotar a mesma postura.

Para encerrar, sob um ponto de vista mais genérico: o site também traz o e-mail do jornalista na assinatura da matéria e cada conteúdo permite comentários ao final.

São sutilezas assim que fazem de um jornal online… verdadeiramente online!… Senão seria mera transposição do papel.

(…)

Sim, tenho lá minhas observações críticas quanto à midia sulina, em geral, mas a gente deve aplaudir quando há um esforço nítido para se corrigir erros do passado.

Vida longa ao Leitor-Repórter!

“Há muito tempo que ando
nas ruas de um Porto não muito Alegre
E que no entanto me traz encantos
e o pôr-de-sol me traduz em versos

De seguir livre muitos caminhos
arando terras, provando vinhos
De ter idéias de liberdade
e ver amor em todas idades…”

Pão torrado, chimas, Ramilongas e uma cidade cinzenta ao redor me engolindo.

Nessas horas me pergunto: me eram as ruas do Porto, de fato, não muito Alegres?

***

Com o perdão do post personalíssimo.

Nessa última ida a Porto Alegre dei uma de turista ao contrário. Não fui “conhecer” os lugares mais marcantes da cidade. Mas REconhecer aqueles que mais me tocam, que fazem a Fogacinha cantar “Porto Alegre me dói”… e fazem doer mesmo!

Lugares que eu conheço ao avesso! Mas que nunca soube valorizar, tampouco explorar, conhecer melhor. Ainda que só por sê-los, já me tinham.

O propósito inicial era tirar fotos do carrinho viajante do Rogério Fratin Lindo (ou seria Lindo Fratin?). Mas não resisti a entrar numa das tantas bancas bem tradicionais do Mercado Público para comprar uma cuia, uma bomba e dois tipos de erva. Ainda que duvidasse da minha capacidade de preparar um chimas de verdade.

Mas não é que a Angela me ensinou? E não é que eu aprendi?!?!

Anyway… como é a vida! Em Porto Alegre eu usava a caneca paulistaníssima do VivaSP cheia de orgulho. Agora, vivendo na terra dela, é a cuia tão simples quanto significativa de “Lembrança de Porto Alegre - RS” do Mercado que rouba a cena.

Eis meu primeiro chimas… Mas ah, guria, seu! (Não, não me peçam para explicar essa expressão!)

Pena matear sozinha… (Pena nada! Troquei as ervas e pus mais pura-folha do que a suave. aaaargh! Isso tá amargo que só gauderiada aguenta!)

Valeu, Angela!!

UPDATED: já tô no quinto chimas e a bomba ainda não entupiu!!!!!!

- Porto Alegre não tem a beleza de um Rio de Janeiro!
- Nem tem a pujança de uma São Paulo…
- Porto Alegre é pobre, é pequena.
- Mas tem muita alma…
- Ah, alma não enche barriga!
- Mas dá prá gente voar livre, à vontade
- Porto Alegre está longe de tudo.
- Ah, que cheiro de campo, de invernada, de mate amargo!
- Não, Porto Alegre ainda não cresceu o suficiente.
- Por isso nela ainda se pode passear sem pensar em nada.
- Ainda não é bem civilizada.
- Por isso dá gosto sair pelas ruas falando sozinho, sem medo de ser notado!”

(Isaac Starosta, em Amor ao Porto, de uma carta da minha irmã.)

***

Ou como diria Pedro Markun: a coisa tá feia!

(ou mais um post d’o cúmulo da saudade…)

Onde a terra começar
Vento Negro gente eu sou
Onde a terra terminar
Vento negro eu sou

Quem me ouve vai contar
Quero luta, guerra não
Erguer bandeira sem matar
Vento Negro é furacão

Tua vida o tempo
A trilha o sol
Um vento forte se erguerá
Arrastando o que houver no chão

Vento negro, campo afora
Vai correr
Quem vai embora tem que saber
É viração

Dos montes, vales que venci
Do coração da mata virgem
Meu canto, eu sei, há de se ouvir
Em todo o meu país

Não creio em paz sem divisão
De tanto amor que eu espalhei
Em cada céu em cada chão
Minha alma lá deixei

(Fogacinha)

(pá, pá)
Baixo astral
(pá, pá, rááá)
Vou prá Porto Alegre, tchau…

… Será preencher um puta cadastro no ClicRBS só prá ouvir a Rádio Gaúcha?
… ou sorrir feliz em ouvir outra vez a trilha da Jornada Esportiva?
… ou seria a vinheta do “tempo e placar” do esporte?
… ou ainda o Sérgio Boaz - melhor, ninguém faz - elegendo o craque da partida?
… talvez o cúmulo da saudade seja baixar Querência Amada no eMule e cantar a plenos pulmões:

Quem quiser saber quem sou, olha para o céu azul,
E grita junto comigo, viva o Rio Grande do Sul!
O lenço me identifica qual a minha procedência
Da província de São Pedro, padroeiro da querência.

Ó meu Rio Grande de encantos mil, disposto a tudo pelo Brasil,
Querência amada dos parreirais, da uva vem o vinho,
Do povo vem o carinho, bondade nunca é demais.

Berço de Flores da Cunha e de Borges de Medeiros,
Terra de Getúlio Vargas, presidente brasileiro.
Eu sou da mesma vertente, que Deus saúde me mande,
E que eu possa ver muitos anos, o céu azul do Rio Grande.

Te quero tanto, torrão gaúcho, morrer por ti me dou o luxo,
Querência amada, planícies e serras,
Os laços que me puxam, da linda mulher gaúcha,
Beleza da minha terra.

Meu coração é pequeno, porque Deus me fez assim,
O Rio Grande é bem maior, mas cabe dentro de mim.
Sou da geração mais nova poeta bem macho e guapo,
Nas minhas veias escorre o sangue herói de farrapo.

Deus é gaúcho, de espora e mango, foi maragato ou foi chimango,
Querência amada, meu céu de anil; este Rio Grande gigante
Mais uma estrela brilhante na bandeira do Brasil.

Definitivamente, não. O cúmulo da saudade é sentir toda essa felicidade mesmo ouvindo meu time perdendo por três a zero pro Bota em pleno Maracanã…

:´)

« Previous Page