Colaboração


Na semana em que o Facebook superou o MySpace em quantidade de acessos, a Microsoft anuncia a compra da MobiComp, desenvolvedora de redes sociais para celular.

Ainda que a proposta do MySpace se pareça muito mais com a de uma rede segmentada do que um site de relacionamento, ele ainda é comparado ao Facebook, Orkut, Badoo, LinkedIn e afins. Mas ok, é grandão e ganhou 114,6 milhões de entradas no último mês. A ultrapassagem do Facebook contabilizou 123,9 milhões de acessos. E aí foi o salto.

Em número de cadastrados, no entanto, o Facebook continua atrás do MySpace. Ele cresceu 162% no último ano, enquanto o MySpace cresceu apenas 5%. Mas a abertura do Facebook no tardio 2006 pode ter lhe rendido a perda desse terreno.

Aqui no Brasil, então, a situação é cruel: o Facebook tem 132 mil usuários enquanto o Orkut reúne 27 milhões de brasileiros.

Com informações da Info e do G1.

Bacanuda essa sessão de idéias para promover players da mídia off e on organizada pelo site Editor & Publisher e pela Nielsen Business Media.

Uma das palestras - e talvez a mais interessante - tenha sido a da Sarah Rotman Epps, analista da Forrester Research, que abriu o painel com uma cartada de mestre:

“Publishers devem construir seus negócios sobre a audiência - não sobre o conteúdo”

Vocês têm noção do impacto que isso causa nas grandes empresas de comunicação?

Até bem pouco tempo me engajava na corrente de que esses players não deviam mais posicionar-se como “emissora de TV”, “editora de jornal” etc. Mas como “produtor de conteúdo”, o que habilitaria tal empresa a potencializar aquilo que faz melhor - conteúdo editorial - e veicular seu diferencial em qualquer plataforma.

Isso já não parece suficiente. E conteúdo está próximo de não ser mais um diferencial. Será porque a rede é vista como sinônimo de saturação de conteúdo? Informação virou commoditie? Tendo fortemente a responder “sim”.

Lembrem-se de que a Sarah falava do “negócio” dos publishers… It means… dindin! Enquanto a receita dessa fatia editorial do tecnomundo ainda vir da publicidade (e não vejo muito caminho para isso mudar, a despeito da completa inadequação das métricas de audiência), a realidade nos diz que conteúdo não é sinônimo de tráfego:

- “RSS and blogs allow content consumption without generating direct ad revenue for publishers.”

O público online consome, sim, informações. Mas não paga por elas. Oras, a cultura digital já nasce dentro da lógica do gratuito.

Daí ela aponta que 43% dos internautas norte-americanos personalizam conteúdo em suas próprias páginas ou agregadores de RSS. Isso não gera tráfego, nem pageviews, nem impressões de banners… portanto, “no dindin”!

Ok. Então COMO faremos internet?

Sarah arrisca um palpite:

- “Aggregate content and functionality needed to meet key audience goals”

Isso passa por fazer dos sites uma presença ÚTIL das publicações na internet. E “ser útil”, nessa hora, não é só trazer matérias com serviço. É oferecer ferramenta, customização, integração com a vida offline, convívio, proximidade com as redações… que deixam de ser apenas pólos produtores de conteúdo e passam a ser agregadores sociais.

Sarah complementa:

- “Use social technologies to get your audience to engage with you –and each other. Listening, talking, supporting, energizing, embracing

O exemplo acima, do MyPost, do Washington Post é bem bacana. Num trackback básico, eles prestigiam quem replica o link da página deles comentando o conteúdo. (Sim, deve haver algum cuidado editorial).

Mas o movimento não precisa ser só o de trazer o conteúdo do internauta para dentro do teu site. Nem deve limitar-se a isso.

Algo que não é novo mas sempre bom de lembrar é que o internauta JÁ PRODUZ muito conteúdo DE QUALIDADE em sites que elegeu como seus tótens (bah! baixou o Maffesoli agora!).

Nesses casos, o jeito é ir atrás deles e consolidar a presença da marca:

Sei que syndication envolve relações comerciais de venda de conteúdo. Mas seu ponto de partida é essa presença “out of site”:

Fala, Sarah:

- “Syndication means going to where your readers spend most of their time”

É um jeito de trabalhar conteúdo, sim, mas de uma forma dinâmica em ambientes F.A.B. (não, nada a ver com Força Aérea Brasileira) - “For And By” readers.

Sim, a CNN “se mistura” com o público. Sim, a Associated Press almoça no mesmo bandejão dos reles mortais e ambas publicam seus vídeos no YouTube.

No caso da AP, só falta permitir que o internauta “carimbe” o seu vídeo com a marca da agência.

***

Com informações da Carta do Editor, da Abril e do keynote da Forester.

Ontem o Alexandre Miraldo (esse meu colega que ainda vou ver tomando chimarrão) me encaminhou um artigo do BlueBus onde Luis Alberto Marinho denunciava uma possível falácia na campanha “www.voceescolhe.com.br“, que até já foi pauta deste Libellus.

O nome sugerido e eleito pelo público havia sido “Samba”. Mas a nova companhia de aviação foi batizada de “Azul”. Alguns domínios de web até já tinham sido registrados. Estranhamente, na lista dos domínios que o Rafael Spoladore, meu ex-colega de Fasul, informou também no BlueBus, não constava www.voesamba.com.br - as opções que ele trouxe, são:

flyazul.com.br
voeazul.com.br
voebrasileira.com.br
voebrisa.com.br
voejetbrasil.com.br
voenossa.com.br
voepatria.com.br
voevamos.com.br
voeviva.com.br

Buenas, isso acontece na mesma semana em que eu questionei meus alunos da Cásper se eles já tinham visto na TV algum comercial gravado pelo público, concretizando campanhas colaborativas que têm pipocado por aí. Algumas até registrei aqui no Libellus, como Casas Bahia e Mastercard.

Diante da resposta negativa dos meus alunos e de outras pessoas com quem andei conversando, o OhmyNews era o destino certo para essa reflexão.

Esse é o nome da campanha colaborativa que a Mastercard acaba de lançar.

Feito o gancho com o bordão clássico da operadora - “Tal coisa não tem preço. Todas as outras você compra com Mastercard” -, a já megacriativa sequência de peças promete ser ainda mais enriquecida com histórias que venham do público.

Destaque para o formulário de envio de histórias, inteligentemente desenhado já no layout como o conteúdo é apresentado.

De resto, a dinâmica segue igual às outras campanhas 2.0 que têm pipocado por aí: envio de fotos e vídeos, votação online e melhores peças veiculadas como comercial.

***

Sabe o que me encasqueta? É que nunca vejo esses comerciais de origem “2.0″ serem veiculados na TV…

Ok, eu não sou A espectadora. Assisto tri pouco à TV. Mas que essas campanhas deixam o desfecho a desejar, ah, deixam.

Um estudo apresentado hoje pela eMarketer avalia as potencialidades de lucro do conteúdo gerado pelo usuário (UGC), o “User-Generated Content: In Pursuit of Ad Dollars“.

O artigo que me foi enviado pelo Walter Toscano chama-se “Can User-Generated Content Generate Revenue?” e apresenta alguns números interessantes.

1) A projeção que a eMarketer faz é de que hoje existem cerca de 77 milhões de produtores de conteúdo somente nos Estados Unidos. A perspectiva é de que, em 2012 esse índice chegue a 108 milhões.

E o relato destaca, aos céticos e advogados do diabo: “The content is being read, seen and heard, too.”

2) … Pois o número de consumidores de UGC, também naquele país, chega a 94 milhões hoje, com projeção de atingir a marca dos 130 milhões dentro dos próximos 4 anos.

Os ambientes onde acontece essa fruição podem ser desde empresas clássicas como a CNN, até com tons tradicionais, como a MSNBC, chegando a startups, como YouNewsTV.

Paul Verna, analista sênior da eMarketer, justifica assim um provável aumento da verba publicitária em iniciativas de UGC.

O incentivo dos anunciantes a esse tipo de conteúdo pode não ser imediato, mas será significativo. O relatório antecipa que o lucro obtido por projetos de UGC, hoje fixado em US$ 162 milhões, pode subir para US$ 824 milhões até 2012.

Estou na torcida!!

Tem-se falado até bastante sobre publicidade 2.0. Agora, parece que nenhuma idéia supera a campanha (ou ação de mkt) “Você Escolhe“.

A idéia é deixar o público escolher o NOME da nova empresa de aviação que começa a operar no Brasil nas próximas semanas. O internauta é convidado a sugerir até 5 nomes para a companhia e também participa da escolha (votação) online.

A colaboração não pára por aí e o internauta também será convidado a decidir para quais destinos a “X” vai voar, tipo de serviço de bordo e até os uniformes da tripulação. Pratão cheio para publicitários e designers, não?

A premiação é tentadora e oferece passagens aéreas ao vencedor por toda a sua vida (resta ver se serão apenas pela companhia “X” e se ela vai se manter no mercado enquanto o vencedor estiver vivo).

Essa me parece a estratégia de publicidade 2.0 mais permissiva que já vi até agora. Muito, muito bacana!

(Do alto da minha falta de conhecimentos em publicidade e mkt, deixei minha sugestão: “Gente”) :)

Eu até tento, mas a Globo não colabora e faz um Fantástico mais idiota a cada domingo.

O momento exato em que desisto é - pasmem - o Você no Fantástico. Nada contra o Tadeu Schmidt, que se esforça para convencer de que o conteúdo é maravilhoso, divertido… fantástico! Mas tudo o que consegue é queimar seu filme - ao pior estilo Pedro Bial, desde que começou a apresentar o Big Brother Brasil.

A razão é simples: os vídeos exibidos pelo Você no Fantástico são muito idiotas.

A fórmula segue a idéia de temas-chave, como o VCnoG1 também faz, mas numa dosagem aceitável. A impressão que dá é de que a produção do Fantástico sentou ao redor de uma mesa e decretou: precisamos entrar nessa onda de colaboração. Manda o povo gravar qualquer bobagem e a gente põe no ar. Aí essa gente se vê na tv e morre de felicidade.

Relevância? Que é isso? Utilidade? Prá quê? Senso crítico? Coisa boba…

O festival de bizarrices transita de imitações patéticas de Elvis Presley até uma coleção de… caretas. Pois é… A lista é longa e passa por “Micos de Verão”, “Declarações de Amor” e se superou essa semana com as “Estrelinhas do Fantástico”, exibindo bebês imitando cantores, em cenas que só os pais daquelas crianças acham bonitinho.

Ao invés de investir “nessa tal de colaboração” com o nobre propósito de abrir espaço para dar voz ao público, a mensagem que o Fantástico passa é exatamente oposta: vejam as idiotices que o público é capaz de fazer.

E com isso encerram o espaço do público no programa, deixando claro que vídeos bacanas não são coisas que “pessoas comuns” são capazes de fazer.

Lamentável.

Juliano Spyer publica no Webinsider uma análise muito lúcida sobre uma questão que pautou a conversa que tive ainda hoje pela manhã, com o Rafael Sbarai: por que o jornalismo colaborativo não vinga aqui no Brasil?

O ponto de vista do Ju foca a filtragem dos jornalistas como um impecilho ao crescimento. Ele ironiza:

Precisamos filtrar a informação enviada pelos usuários para garantir a correção da notícia e não comprometer a reputação do veículo.

As pautas também destoam daquilo que se espera de um veículo deste viés.

São aceitos materiais sobre curiosidades, aberrações ou denúncias que quando muito servem para alimentar comentários como: - Todo político é corrupto… - Olha o que fazem com os nossos impostos… - Ricos nunca são presos…

Não há dúvidas, Ju. Tuas críticas me soam corretas. Mas a solução disso não está na auto-moderação.

Tu falas de braços colaborativos de portais. E eu te lembro que portais não nasceram para ser colaborativos. Assim como a mídia tradicional. São tão unidirecionais quanto o jornal impresso. Como esperar, de veículos assim, uma cultura digital que valorize a espontaneidade, que acredite no potencial da comunidade a ponto de abrir mão desse controle? O peso da marca é sempre maior.

Apesar disso, marcas fortes como G1 e O Globo Online têm levado a cabo noticiários colaborativos até bacanas, com tolices, sim, mas com um jornalismo hiperlocal que a mídia mainstream não contempla.

Antes da auto-moderação, parece que alguns passos devem ser dados por essas marcas tradicionais que querem fazer colaboração:

1) estreitar laços de relacionamento com seus colaboradores
2) definir critérios de noticiabilidade decentes
3) reforçar a atualização
4) promover contatos offline ou pessoais
5) gratificar o colaborador de maneira simbólica (o que pode implicar na criação de um ambiente competitivo saudável)
6) … (quem dá mais?)

Assim, talvez, a gente estabeleça o espírito de comunidade nesses noticiários. Envolvidos, pertencentes àquele espaço, quem sabe a auto-moderação não funciona?

Uma última observação: Slashdot não é jornalismo, não se pretende nem se vende assim. E mesmo auto-moderado, esses noticiários, para serem jornalísticos, precisam ter ao menos o acompanhamento de jornalistas profissionais.

Não deixem de ler o artigo do Juliano.

Duas pessoas me chamaram à atenção para um artigo publicado ontem, na Gazeta Mercantil. Meu vizinho de baia e personal zoador da gauchada Alexandre Miraldo e minha aluna Fernanda Carneiro Athayde indicaram essa matéria intitulada “Internet colaborativa influencia propaganda“.

Eles fazem um bom apanhado dessas iniciativas mais recentes de convidar o consumidor a produzir peças de campanhas publicitárias, como os vídeos do Nescau 2.0, “O que faz você feliz?”, do Pão de Açúcar e “Eu sou fulana e esse Fiat é meu!” - todas protagonizadas pelo público leigo. Nada de atores. Nada de publicitários.

Conversava com a Fernanda, por e-mail, sobre o despertar do interesse por colaboração nessa turma da publicidade. Isso é maravilhoso! Mas mais maravilhoso ainda é perceber, com isso, que o jornalismo já pratica colaboração há, pelo menos, 8 anos. E só ano passado ouvi as primeiras idéias sobre publicidade 2.0. Em agosto postei alguma coisa a respeito.

Agora… tem algo que me surpreende mais do que a “boa sacada” dessas iniciativa: é o fato de jornalistas poderem se envolver com elas. Sim, publicitários entendem léguas melhor de marca do que nós. Mas bacana mesmo é a gente já ter um certo trânsito em colaboração e ser um profissional meio transdisciplinar nessas horas.

Sim, o momento é bem mais fértil, “colaborativamente” falando. Colaboração tá virando (uma boa) commodity. No Metro de hoje, a banda britância Radiohead anuncia um concurso de clipes. O fã que fizer a melhor proposta de clipe na opinião de outros fãs leva U$ 10 mil para produzir a idéia. Dia 30 de junho a gente vai saber mais :)

UPDATED (24/03/2008): Pedro Penido transformou essa reflexão em conversa e esclareceu, no Meio Digital: “(…) o elemento central da lógica dessa propaganda é a possibilidade da audiência suprir, de alguma maneira, o próprio anunciante com um feedback instantâneo, convertido para um formato de publicação.” Taí! Disse tudo!

Triste isso. Mas a China já passou dos limites nessa perseguição cega à cultura digital.

A bola da vez foi Wei Wenhua, blogueiro que filmava um confronto entre policiais e manifestantes em local público.

O gesto dele - cada vez mais comum e incentivado mundialmente em nome da democratização da informação através do jornalismo colaborativo - lhe custou a vida.

Via lista do Intermezzo e O Globo Online.

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