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	<title>Libellus &#187; citações</title>
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	<description>by Ana Brambilla</description>
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		<title>Wolton e a disfunção narcotizante</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Aug 2008 18:26:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Brambilla</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hoje de manhã discutíamos Lévy + Wolton + nós mesmos durante a aula na Cásper. E lá pelas tantas, o Wolton dizia no texto publicado na edição 15 da Revista Famecos: &#8220;&#8230; não é suficiente que os homens troquem muitas &#8230; <a href="http://anabrambilla.com/blog/2008/08/19/wolton-e-a-disfuncao-narcotizante/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje de manhã discutíamos Lévy + Wolton + nós mesmos durante a aula na Cásper. E lá pelas tantas, o Wolton dizia no texto publicado na <a href="http://www.pucrs.br/famecos/pos/revfamecos/15.htm" target="blank">edição 15 da Revista Famecos</a>:</p>
<p>&#8220;&#8230; não é suficiente que os homens troquem muitas informações para que se compreendam melhor. São os planos culturais e sociais de interpretação das informações que contam, não o volume ou a diversidade dessas informações. (&#8230;) O tempo ganho no acesso à informação pode ser novamente perdido na dificuldade de interpretar essa informação.&#8221;</p>
<p>Por mais que eu discorde do Wolton noutros momentos, essa visão que ele tem sobre quantidade (de informação) versus qualidade (de interpretação) me parece iluminada!</p>
<p>Daí veio o Diogo Bercito e citou um texto superbacana publicado no Observatório de Imprensa, que fala sobre a <a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/iq181120034.htm" target="blank">&#8220;difunção narcotizante&#8221;</a> a que os meios de massa expõem o público.</p>
<p>Parece que, por mais amplo e diverso que seja o universo digital, esse efeito &#8220;chapante&#8221; da informação que vem dos meios de massa se estende para o mundo dos bits&#8230;</p>
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		<title>Reagir ou interagir? That&#8217;s the question!</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Aug 2004 13:18:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Brambilla</dc:creator>
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		<category><![CDATA[reflexões]]></category>

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		<description><![CDATA[Interação é um bicho estranho. Ainda que todo mundo interaja todos os dias, poucos entendem a diferença entre agir, reagir e interagir – atitudes próximas mas repletas de peculiaridades. A cada dia pipocam estudos e autores que inserem a interação &#8230; <a href="http://anabrambilla.com/blog/2004/08/04/reagir-ou-interagir-thats-the-question/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Interação é um bicho estranho. Ainda que todo mundo interaja todos os dias, poucos entendem a diferença entre agir, reagir e interagir – atitudes próximas mas repletas de peculiaridades. </p>
<p>A cada dia pipocam estudos e autores que inserem a interação numa perspectiva complexa, relacionando-a à cibernética, à psicologia, às ciências sociais e por aí afora. A web se afirma a cada dia como um território fértil para observações multidisciplinares sobre interação. Mas o que temos visto, além da riqueza de olhares sobre os inúmeros modos de interagir em ambiente digital, é uma salada de terminologias que leva a uma compreensão distorcida do ato de interagir.<br />
Ações, retroações, relações, reações, circularidade, diálogo, retroalimentação, troca, atualização interseccional, participação, negociação de sentido, apropriações interpretativas são idéias que se completam, embora não partilhem o mesmo significado que interação. </p>
<p>Talvez a dupla interação mútua / interação reativa seja a que mais esclareca e cause confusão no entendimento sobre o que é interatividade. A terminologia, habilidosamente estruturada por Alex Primo, esclarece a diferença fundamental que distancia a interação da reação. Observando as relações entre homem-computador e homem-homem através do computador como sistemas, as reações acontecem em sistemas fechados, por meio de fluxos lineares e unilaterais, cujos elos não percebem nem reagem ao contexto por não efetivar troca com o ambiente em que se inserem. (2001) Este processo não permite uma construção compartilhada de conhecimento em ambientes virtuais, onde cada interagente possa criar e transformar seus encaminhamentos através de diálogos em zonas de contato. (1999) A propósito, é esse tipo de interação que mais encontramos na web e nos processos midiáticos convencionais.</p>
<p>Por outro lado, a interação mútua prevê a atuação criativa dos usuários, que são livres para transformar o conteúdo de base do processo. São fluxos pluridirecionais de mensagens que possibilitam a troca simbólica através de ações de pesquisa, descoberta, invenção, construção de conhecimento, enfim, uma gama de nós e processos capazes de permitir o compartilhamento de informação. (1999) A interação mútua ocorre em sistemas abertos onde o desequilíbrio dos fluxos de mensagem dinamiza a ação criativa de interagentes dotados de inteligência. Seus componentes são interdependentes. Onde um deles é afetado, todo o sistema se modifica. Daí a idéia de circularidade, “cada comportamento individual afeta e é afetado pelo comportamento de cada um dos outros indivíduos”. (2001)</p>
<p>É importante que salientemos a noção de fluxo, pois nela reside a diferença original entre interação e reação. Enquanto a maioria dos sites oferece caminhos previamente programados para o usuário navegar, o que acontece é um fluxo unidirecional em que a informação é transmitida verticalmente de quem programou o site para quem navega, sem que haja qualquer possibilidade daquele conteúdo ser alterado em sua essência pelo usuário. É isso que acontece com os processos midiáticos tradicionais, a que José Luiz Braga donominou “interação social mediatizada”.</p>
<p>Ao explorar a relação entre o receptor e o produto da mídia, Braga sugere que isto envolva “questões de interpretação e também de manejos viabilizados pela estruturação do produto, seleções, percursos feitos no produto. Também aqui não se trata apenas de ações do usuário, mas de verdadeiras interações. O produto interpela, oferece, solicita, direciona, argumenta, seduz – o usuário interpreta, responde, se apropria, contesta, seleciona, recusa, ‘edita’ o material.”</p>
<p>Reparemos que na citação acima, é o produto que assume a posição de agente do processo comunicativo. O usuário reage a partir de um conteúdo que lhe foi oferecido, dentro de um universo limitado de possibilidades de manifestação. Ainda assim, de que serve ao usuário manifestar-se a uma instância previamente determinada, que não se altera com seus gestos? De que adianta responder se sua resposta não será devolvida? De que adianta contestar se é incapaz de alterar o que lhe desagrada no produto midiático? Ou ainda: para quê selecionar, editar se não pode criar?</p>
<p>Há um fluxo dialógico nessa relação do público com a mídia, mas esse diálogo é abortado logo na primeira resposta. Inicialmente, o produto é oferecido ou a mensagem é emitida. Diante disso, o usuário tem a liberdade de responder como bem lhe aprouver. Essa resposta, porém, não será incorporada na essência dos produtos ou mensagens seguintes por razões editorial e operacional.<br />
Braga justifica sua classificação da relação do público com os produtos da mídia afirmando que a interação ocorre através de mediações culturais num espaço social em que o usuário, metalingüisticamente, fala sobre estes produtos através de críticas ou opiniões. “A escuta destas manifestações retroage sobre a produção midiática participando da construção (como processo histórico) de gêneros e tipos de produtos”.</p>
<p>Não há como questionar a validade de um modelo assim quando a televisão e o rádio, após décadas de exploração, aperfeiçoaram suas grades de programação talvez baseados na opinião do receptor. Mas a mesma escala de tempo até então empregada nos meios tradicionais já não pode ser considerada no ambiente digital. Braga repudia a pretensão do imediatismo como condição fundamental para que haja interatividade. A postura do internauta, porém, é diferente do ouvinte ou do telespectador. A emergência da informação, a necessidade de expressão e a viabilidade tecnológica da interação potencializam a instantaneidade como fator-chave em processos interativos.</p>
<p>Numa situação ideal – desconsiderando restrições econômicas e ideológicas das empresas de comunicação –, grades de programação podem ser alteradas a partir da ótica do público. Levarão certo tempo para efetivar tal mudança. Mas nem assim deixarão de ser “grade”. Isso é interação?</p>
<p>***</p>
<p>BRAGA, José Luiz. Interação e recepção. In: Interação e sentidos no ciberespaço e na sociedade. FAUSTO Neto, Antônio; HOHLFELDT, Antônio; PRADO, José Luiz Aidar; PORTO, Sérgio Dayrell. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2001</p>
<p>PRIMO, Alex F. T. Sistemas de Interação. In: Comunicação na Cibercultura. Dinorá Fraga da Silva e Suely Fragoso (org). Editora Unisinos: São Leopoldo, 2001</p>
<p>______________. Interfaces potencial e virtual. Revista FAMECOS, Porto Alegre, n.10, 1999.</p>
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		<title>Ser ou não ser? Será?</title>
		<link>http://anabrambilla.com/blog/2004/04/23/ser-ou-nao-ser-sera/</link>
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		<pubDate>Fri, 23 Apr 2004 16:21:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Brambilla</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Parece reducionista perceber o virtual como uma negação, o esvaziamento de valores e referências sociais. Enquanto visto pela incerteza, o virtual aparece como um campo fértil para a atualização de processos sob interferência inerentemente humana.&#8221; Sociologia da Comunicação, com Prof. &#8230; <a href="http://anabrambilla.com/blog/2004/04/23/ser-ou-nao-ser-sera/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Parece reducionista perceber o virtual como uma negação, o esvaziamento de valores e referências sociais. Enquanto visto pela incerteza, o virtual aparece como um campo fértil para a atualização de processos sob interferência inerentemente humana.&#8221;</p>
<p>Sociologia da Comunicação, com Prof. Juremir Machado da Silva, na FAMECOS/PUCRS todas as sextas, das 14h30 às 17h30. Uma boa pedida para quem, como eu, ama ser provocado.</p>
<p>Seguem algumas mirabolices inevitáveis pós leitura de Jean Baudrillard&#8230;</p>
<p>***</p>
<p>Ser ou não ser. Por que a pergunta? A condição dicotômica parece imperar em qualquer assunto que se discuta. Verdade ou mentira. Vivo ou morto. Integrado ou fatalista. Real ou virtual. Relatividade é uma palavra esquecida porque relativizar complica. Parte-se da costura de diversos pontos de vista antagônicos para chegar a um provável denominador comum. Ainda assim, por que a necessidade de chegar a um MMC da existência? Relativizar, nem sempre, é subir no alto do muro e de lá apreciar, confortavelmente, os lados opostos degladiando-se. Relativizar pode significar um problema ainda maior que a mera condição de um exclusivismo tautológico.</p>
<p>Não é preciso um olhar especialista para detectar a invasão da técnica em nosso cotidiano. A comunicação é mediada pela técnica. Os diagnósticos médicos idem. O preparo das nossas refeições. O sistema de transporte. O lazer, o conhecimento, a educação, a indústria, como o exemplo mais clássico. Embora invasiva, essa malha tecnológica foi tecida por nós, humanos e não há espécie mais apta a criticá-la, reinventá-la. A fuga, porém, de um modo de vida permeado pela tecnologia já parece impossível.</p>
<p>O homem, inventor da máquina e da técnica agora destrói as próprias criaturas sob a acusação de uma atitude segregacionista. Como se as engenhocas projetadas em primeira instância para atender a uma demanda social revestissem-se com a perversa máscara do determinismo tecnicista, do desemprego, da máfia neo-liberal que coordena as massas atomizadas.<br />
Sabemos, no entanto, que todo o progresso tecnológico, assim como o conhecimento, é usado para bons ou maus propósitos. A tecnologia que ampara pesquisas para a descoberta da cura do câncer é a tecnologia que produz armas de destruição em massa. E esse paradoxo igualmente criado pela natureza humana independe de qualquer inovação mecânica, cognitiva ou tecnológica. Pré-existe a ela.</p>
<p>Acusar a técnica de agente do desemprego, do afastamento entre as pessoas, da atomização do indivíduo, da onipotência da sociedade do consumo parece um mea culpa autofágico. Não há lógica em debater um processo corrente, irreversível e nada apocalíptico, ao contrário. O avanço tecnológico promove a especialização. Diante das novas tecnologias sujeito vê-se na iminência do aperfeiçoamento para não sucumbir. Uma espécie de novo paradigma darwinista é recriada a cada dia para verificar quem está apto ou não a sobreviver num cenário urbano sustentado pela técnica. Na incessante busca pela sobrevivência o caminho leva à inquietação permanente, à não-satisfação pelo trivial, à necessidade de maior preparo. Se a máquina substitui a mão humana na linha de montagem, nem mesmo a inteligência artificial estará apta a reproduzir a cognição do homem. É da ordem do intelecto o diferencial da humanidade diante da técnica.</p>
<p>Ser ou não adepto às novas ou antigas tecnologias não faz mais dilema. Uma vez inserido na esfera da técnica, resta-nos repensar o nosso papel social enquanto indivíduos, trabalhadores, seres de afeto dotados de inteligência e capacidade crítica, enquanto interagentes num contexto recursivo.</p>
<p>Um dos argumentos mais explorados pelos apocalípticos da técnica é a perda do referencial humano no processo de comunicação. A emergência do virtual assemelha-se muito antes do irreal, enquanto sua definição habita a esfera do vir a ser. A incerteza gerada pelo estágio prévio à atualização dos fenômenos cria uma gama infinita de possibilidades, gerenciada pela capacidade criativa do ser humano. Parece reducionista perceber o virtual como uma negação, o esvaziamento de valores e referências sociais. Enquanto visto pela incerteza do futuro imediato, o virtual aparece como um campo fértil para a atualização de processos sob interferência inerentemente humana.</p>
<p>Sem o homem, de que adiantaria a técnica? Se o virtual parece ser fruto de uma hipervalorização da técnica, de que é constituído senão pelo viço da inteligência humana? Balizado pelo comportamento, virtual e seu oposto-comum, o real, aproximam-se intimamente. As defasagens da comunicação presencial não desaparecem como por um passo de mágica na esfera virtual. É preciso contar com um elemento novo: a mediação, desempenhada pela tecnologia. Aliás, mediação tecnológica que vem do telefone, do telégrafo, do rádio, televisão e ainda assim parece tão repentina na Internet.</p>
<p>O virtual é tão humano quanto o presencial ou real. E nessa semelhança fundamental residem todas as virtudes e possíveis falhas destes ambientes de comunicação. Facilmente encontramos a acusação de que, mediado por computador, o indivíduo sente-se mais à vontade, inclusive, para faltar com a verdade na criação de personagens. Será mesmo que a verdade se ausenta? Ou no próprio ato criativo, na invenção de avatares não reside o fundamento do indivíduo? Já não é possível fugirmos de nós mesmos. Ainda que encoberto pela técnica, nosso ego persiste sem dar sinal de cansaço.</p>
<p>Tão próximos, virtual e real (sic) recriam-nos a todo instante, adaptando-nos a cada situação. Ambos reproduzem a nossa identidade sob o caráter irrefutável da informação. Somos informação. E o corpo, aparentemente o único diferencial como apelo comunicativo entre os dois ambientes, tem seus sentidos ampliados também pela tecnologia. Se o sexo virtual não passa de uma simulação grotesca da realidade, a voz, o olhar, a audição e o pensamento quebram fronteiras e recriam-se de modo concreto no virtual.</p>
<p>Não se trata, pois, de uma dicotomia simplista ao decidir se o virtual é bom ou ruim, melhor ou pior que seu primo bastardo “real”. Quase idênticos, ambos captam a nossa visão de mundo, a nossa essência enquanto seres humanos por serem, inegavelmente, como frutos da técnica, gerenciáveis pela criatividade e pela natureza humana.</p>
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		<title>Não é possível não comunicar!</title>
		<link>http://anabrambilla.com/blog/2004/04/10/nao-e-possivel-nao-comunicar/</link>
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		<pubDate>Sat, 10 Apr 2004 16:27:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Brambilla</dc:creator>
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		<category><![CDATA[mirabolices]]></category>
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		<description><![CDATA[Watzlawick, Bateson, Beavin e esse povo todo da Escola de Palo Alto têm o que se pode afirmar como um PARADIGMA. Da comunicação numa perspectiva complexa nasce a idéia circular de interação, onde emissor e receptor conjugam o mesmo espaço &#8230; <a href="http://anabrambilla.com/blog/2004/04/10/nao-e-possivel-nao-comunicar/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Watzlawick, Bateson, Beavin e esse povo todo da Escola de Palo Alto têm o que se pode afirmar como um PARADIGMA.<br />
Da comunicação numa perspectiva complexa nasce a idéia circular de interação, onde emissor e receptor conjugam o mesmo espaço num processo pluridirecional.<br />
Aqui, três referências sobre Palo Alto. Divirta-se!</p>
<p>&#8220;Essa concepção cibernética de Verón corresponde mais à concepção mecânica, linear de Shannon que à concepção de Wiener ou da Escola de Palo Alto; para esta última, cibernética fala de uma visão circular de comunicação na qual o receptor tem a mesma importância que o emissor, nela a comunicação é pensada como um processo global de interação permanente, no qual toda atividade humana tem um valor de comunicação. Para a cibernética Palo Alto-Wiener, a comunicação deve ser compreendida em vários níveis de complexidade; sendo que o comportamento humano expressaria questões essenciais do meio ambiente social. Seguindo essa linha de pensamento, o contexto é muito mais importante que os conteúdos na análise comunicológica. Como comprova nos textos citados a definição de comunicação de Verón estava longe dessa visão.&#8221; <a href="http://www.uff.br/mestcii/efendy1.htm">Mais aqui</a>!</p>
<p>&#8220;A revolução tecnológica abre caminho ao &#8220;comunicador profissional&#8221; que vê ampliar o seu mercado tradicional (jornais, revistas, rádio, televisão, cinema) às novas necessidades da publicidade, relações públicas, assessoria de comunicação, consultoria de imagem, estudos de opinião, self-media&#8230; &#8211; um fenómeno que procura legitimar a hegemonia massmediática sobre quaisquer outros tipos de comunicação, incluindo aqueles que são enfatizados pelos investigadores da célebre Escola de Palo Alto (Birdwhistell, Hall, Watzlawick, Bateson, Ruesch&#8230;) que concebem a comunicação como um sistema de canais múltiplos (olhares, gestos, silêncios&#8230;) no qual o sujeito está permanentemente implicado, queira-o ou não.&#8221; <a href="http://216.239.57.104/search?q=cache:YST6uDkeUhAJ:www.lusocom.ics.uminho.pt/Resumos/s1/s1m1_1.htm+%22escola+de+palo+alto%22&#038;hl=pt&#038;lr=lang_pt&#038;ie=UTF-8">Mais aqui</a>!</p>
<p>&#8220;No contexto do Paradigma Comunicacional proposto pelo grupo dos cibernéticos, desenvolva a questão do surgimento das novas tecnologias de informação, tendo em considerando a afirmação: &#8220;Não é possível não comunicar&#8221;, ideia associada aos axiomas da Pragmática da Comunicação proposta pela Escola de Palo Alto.&#8221;<a href="http://216.239.57.104/search?q=cache:QfztB4s1KpcJ:www.sociuslogia.com/enuncia/sociais04.htm+%22escola+de+palo+alto%22&#038;hl=pt&#038;lr=lang_pt&#038;ie=UTF-8"> Mais aqui!</a></p>
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		<title>Blogjornalismo</title>
		<link>http://anabrambilla.com/blog/2004/04/09/blogjornalismo/</link>
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		<pubDate>Fri, 09 Apr 2004 16:34:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Brambilla</dc:creator>
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		<category><![CDATA[mirabolices]]></category>
		<category><![CDATA[reflexões]]></category>

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		<description><![CDATA[Hernani Dimantas: &#8220;Da mesma maneira que a ruptura do paradigma da música e do software aconteceram, vemos a ruptura no modelo de distribuição da informação. Os weblogs quebram este monopólio.&#8221; Suzana Gutierrez: &#8220;As publicações na web cada vez mais facilitadas &#8230; <a href="http://anabrambilla.com/blog/2004/04/09/blogjornalismo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hernani Dimantas: &#8220;Da mesma maneira que a ruptura do paradigma da música e do software aconteceram, vemos a ruptura no modelo de distribuição da informação. Os weblogs quebram este monopólio.&#8221;</p>
<p>Suzana Gutierrez: &#8220;As publicações na web cada vez mais facilitadas e acessíveis põem em prática concreta a idéia de comunicação de &#8216;todos para todos&#8217;.&#8221;</p>
<p>A construção veio do <a href="http://planeta.terra.com.br/educacao/Gutierrez/blogs/bloglab/">bloglab</a> da Suzana Gutierrez que, apesar de datar de 17/07/2003, ainda merece muita consideração&#8230;</p>
<p>No começo, uma matéria publicada no <a href="http://www.comunique-se.com.br/index.asp?p=Conteudo/NewsShow.asp&#038;p2=idnot%3D10467%26Editoria%3D135%26Op2%3D1%26Op3%3D0%26pid%3D415548225%26fnt%3Dfntnl">Comunique-se</a>.</p>
<p>&#8220;Direito de ter um weblog<br />
Mario Lima Cavalcanti</p>
<p>Em março deste ano, a CNN pediu ao seu correspondente Kevin Sites que suspendesse o weblog (aqui) que vinha atualizando do Iraque. A ação da emissora se deu porque Kevin é funcionário da empresa e tinha um contrato de exclusividade, não podendo escrever para nenhum outro veículo, nem para o seu próprio.</p>
<p>Dois meses depois, em maio, o jornal Hartford Courant matou o weblog de seu jornalista de turismo Denis Horgan. Ele havia decidido fazer seu próprio site de informações sobre o setor de turismo. Seu editor impediu o feito alegando que havia conflito de interesses. Horgan, por sua vez, afirmou que o weblog é gratuito, não lhe trazia dinheiro e a atualização deste era feito fora do expediente e sem usar os recursos da companhia.</p>
<p>Casos como os dois acima vêm se tornando comuns. Mas a questão é: quem está correto? Acredito eu que, para se ter essa resposta, é necessário estudar cada caso em particular. O episódio do Kevin foi um prato cheio para os que defendem a liberdade de imprensa, mas não podemos esquecer que existiam cláusulas. E, mesmo com todo aquele papo de liberdades de expressão e de imprensa, cláusulas são cláusulas e, se você as assinou, deve segui-las.</p>
<p>Alguns jornalistas, como Gilberto Gonçalves &#8211; coordenador e produtor editorial da Comunicativa ACJ -, defendem a idéia de qua a informação não tem dono: &#8220;Não tenho a menor dúvida de que a informação não pertence a ninguém. A comunicação é característica inerente ao ser humano. Assim é que os homens de bem têm buscado garantir a liberdade de expressão. Exceto em regimes tirânicos, a norma se consolida dia-a-dia. Tem sido assim ao longo do tempo e, sem dúvida alguma, o desenvolvimento de novas tecnologias tem contribuído em muito para que esse direito possa ser exercido por um número cada vez maior de seres humanos&#8221;, diz.</p>
<p>Porém, quando uma cláusula que fala sobre exclusividade é assinada por um jornalista, significa que ele está ciente das regras daquele veículo, certo? Mesmo assim, às vezes entramos em pontos que deixam o assunto mais complicado e delicado. Seria um weblog pessoal de um jornalista contratado uma ameaça para o veículo em que trabalha? Talvez. Denis Horgan, quando teve seu weblog interrompido pelo Hartford Courant, alegou que não utilizava recursos da empresa, o que eu acho um pouco difícil, pois muitas vezes ele consegue obter informações para o seu weblog devido aos contatos e influências que ele tem a partir de seu trabalho. E, de certa forma, ele criou um weblog sobre um assunto que já tratava no jornal onde trabalha.</p>
<p>&#8220;A exclusividade, normalmente, impede a transmissão de informação obtida em nome de determinado veículo para outro concorrente. Ainda que a meu ver o blog de um jornalista não seja concorrente do veículo onde ele atua como profissional, acho que é uma questão de consciência deste veicular ou não em seu blog a informação que obtém a serviço do veículo onde trabalha&#8221;, completa Gilberto.</p>
<p>Olhando caso por caso, a minha conclusão é que, se uma empresa paga bem e quer ter o direito de exclusividade, tudo bem, contanto que deixe isso muito claro no contrato assinado entre o veículo e o jornalista. Da parte do profissional contratado, esse deve estar ciente do que está assinando, pois quando ele dá o seu autógrafo no contrato, significa que está em total acordo com a companhia. É claro que nem sempre a coisa é assim rígida como parece. Você pode muito bem questionar seus superiores sobre a possibilidade de ter um site pessoal ou um weblog. Se a empresa não considerar tal canal como um concorrente ou algo que possa ferir o nome do veículo, não vejo motivo para impedir. Felizmente pelo menos aqui no Brasil isso é comum.&#8221;</p>
<p>Em seguida, um comentário do Hernani Dimantas, publicado no <a href="http://www.marketinghacker.com.br/index.php?itemid=2423">MarketingHacker</a>:</p>
<p>&#8220;Direito de ter um weblog<br />
Hernani Dimantas</p>
<p>Um contrasenso a matéria de Mario Lima Cavalcanti: Direito de ter um weblog. É interessante observar a força dos weblogs. A análise do autor é muito ingênua. Faz referência, apenas, a um problema contratual.</p>
<p>O episódio do Kevin foi um prato cheio para os que defendem a liberdade de imprensa, mas não podemos esquecer que existiam cláusulas. E, mesmo com todo aquele papo de liberdades de expressão e de imprensa, cláusulas são cláusulas e, se você as assinou, deve segui-las.</p>
<p>(&#8230;) a minha conclusão é que, se uma empresa paga bem e quer ter o direito de exclusividade, tudo bem, contanto que deixe isso muito claro no contrato assinado entre o veículo e o jornalista.</p>
<p>Onde está o equívoco do jornalista? Simples. Da mesma maneira que a ruptura do paradigma da música e do software aconteceram, vemos a ruptura no modelo de distribuição da informação. Os weblogs quebram este monopólio. E as leis vigentes não tem muito valor nessa nova ordem. O que vale a proibição do mp3? Para quem usa o Gnutella ou o Kazaa não vale nada. E as licenças dos softwares? Viva o software livre!</p>
<p>Os meios de comunicação tentam coibir esta forma de expressão. Uma tendência de ridicularização desses diários pessoais. Mas, na verdade, o colunista angaria mais reputação no seu weblog do que nas tripas de papel. E ao contrário, muita gente acaba acessando a velha imprensa por causa do weblog do colunista. Muita briga vai rolar, muita notícia vai ser gerada para nos contar que essa revolução não será televisionada.&#8221;</p>
<p>E então o pitaco da Su:<br />
&#8220;dando um pitaco: Esta é uma questão que tende a ser cada vez mais discutida e receber novos aportes na área da comunicação, mas, também, na política e educação. As publicações na web cada vez mais facilitadas e acessíveis põem em prática concreta a idéia de comunicação de &#8216;todos para todos&#8217;. Para mim um ponto de bifurcação, à la Prigogine, na comunicação e nas publicações. Caos, incerteza dos rumos e, sobretudo, a irreversibilidade.&#8221;</p>
<p>Oportuníssima a associação. HD e Su de parabéns!</p>
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		<title>Tribalismos e massas: a organização social pós-moderna</title>
		<link>http://anabrambilla.com/blog/2004/04/05/tribalismos-e-massas-a-organizacao-social-pos-moderna/</link>
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		<pubDate>Mon, 05 Apr 2004 16:45:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Brambilla</dc:creator>
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		<category><![CDATA[mirabolices]]></category>
		<category><![CDATA[reflexões]]></category>

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		<description><![CDATA[De toda a transfiguração do político, que transita da racionalidade moderna a uma nova ordem de poder conduzida pela empatia e paixão, Maffesoli reabre a discussão de público na pós-modernidade. Ao negar a existência de um indivíduo no sentido &#8220;indivisível&#8221; &#8230; <a href="http://anabrambilla.com/blog/2004/04/05/tribalismos-e-massas-a-organizacao-social-pos-moderna/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De toda a transfiguração do político, que transita da racionalidade moderna a uma nova ordem de poder conduzida pela empatia e paixão, Maffesoli reabre a discussão de público na pós-modernidade.<br />
Ao negar a existência de um indivíduo no sentido &#8220;indivisível&#8221; do sujeito, insere suas inúmeras e mutantes facetas identitárias em tribos passíveis de massificação &#8211; uma aparente contradição.<br />
A seguir, uma breve análise sobre o livro A transfiguração do político, de Michel Maffesoli.</p>
<p>***</p>
<p>A transição da sociedade moderna à pós-moderna articula-se pela agregação de valores arcaicos a um estilo de vida influenciado pelas novas tecnologias. A premissa levantada por Michel Maffesoli em Para navegar no século XXI aparece como um dos focos de sua análise do cotidiano atual em A transfiguração do político. Neste livro, o sociólogo detecta no ressurgimento do particularismo, da religiosidade, da etnicidade e da importância do estar-junto uma reconfiguração do político. A essência política do homem é abordada pelo autor como ação regida pela libido dominandi, um viés da condição humana não distante do sentimento, da paixão.</p>
<p>Ao traçar um paralelo entre o poder político e a influência da religião – historicamente, o catolicismo –, Maffesoli encontra postulados de base idêntico a ambas: “o homem, desprovido de natureza social é manipulável e deve sê-lo para seu próprio bem; além do mais, somente a razão, em seu poder soberano, pode aperfeiçoar-lhe a educação.” (p.69) O controle da ordem pela razão, traço fundamental do pensamento moderno, quando levado a extremos, induz à implosão social, fruto da incontestável contradição que o homem assume segundo sua natureza. Como efeito perverso à tentativa de “domesticar” as paixões sociais e tudo aquilo que foge à lógica, a sociedade tende à fragmentação de culturas, identidades, instituições. O mosaico sócio-cultural criado pela saturação do político é embebido pela ambiência que o acolhe, espaço global onde os indivíduos são compreendidos em interação. Daí a importância da ambiência gerar um corpo coletivo. Coletividade esta, que Maffesoli ora traduz pela paixão que constitui tribos, ora relaciona ao estar-junto das massas. Ao negar o termo “indivíduo” ao sujeito pós-moderno, condiciona a existência ao olhar alheio, onde identidades se recriam a todo instante aos olhos dos outros. Sujeito que só existe em contexto, inserido na coletividade. Eis uma observação procedente, mas que esbarra na iminente multiplicidade cultural geradora de tribos. Facetas inúmeras e nem sempre conexas da expressão social, do estar-junto, sim, mas não exatamente pressupostos para a massificação, à abolição de valores íntimos para entrega absoluta ao ideal comunitário.</p>
<p>Maffesoli coloca que a estética pós-moderna opera no conjunto, impulsionada pela empatia do ser humano que já não existe enquanto indivíduo. Mas como pode o ser das massas habitar a esfera do particular, do fragmentado, do descontínuo pós-moderno?</p>
<p>Maffesoli observa a política, nessa situação, como responsável pela segregação dos homens na modernidade. Enquanto a racionalidade política dividia indivíduos por classes, categorias sócio-profissionais, a pós-modernidade insere-os numa política gestora de paixões. Eis a transfiguração do político: “quando a ambiência emocional toma o lugar da argumentação ou quando o sentimento substitui a convicção”. (p.147)</p>
<p>Abroaspas ainda para dois parágrafos das páginas 140 e 141 onde é possível perceber uma lacuna de coerência na relação dicotômica entre identidade fragmentada e sociedade de massa:</p>
<p>&#8220;O indivúduo não é, ou não mais, dono de si, o que não significa não ser ator. Ele certamente o é, mas como quem recita um texto escrito por outro. Pode acrescentar a entonação, pôr mais ou menos calor, eventualmente introduzir uma réplica, mas continua prisioneiro de uma forma que não pode em hipótese alguma alterar a seu bel-prazer. Neste tempo em que é de bom-tom falar em dindividualismo, sendo difícil questionar esse pensamento institucionalizado, não é inútil lembrar a evidência empírica da imitação apaixonada, desse instinto animal que nos impulsiona, em geral, a &#8216;fazer como os outros&#8217;. Simmel via nisso um fenômeno sociológico dos mais instrutivos: &#8216;o indivíduo sente-se arrastado pela ambiência agitada da massa, como por uma força exterior, indiferente ao seu ser e à sua vontade individuais, entretanto essa massa é constituída exclusivamente por tais indivúduos&#8217;. (!!!)</p>
<p>&#8220;O painel está bem feito. Ele pode até mesmo ter consciência de que é arrastado, mas nada faz. [Essa novela é muito idiota, mas assisto-a diariamente.] Pareço colocar entre parênteses a minha própria personalidade: por um momento, mais ou menos longo, torno-me estrangeiro a mim mesmo. (&#8230;) A massificação da cultura, do lazer, do turismo, do consumo é, claro, a causa e o efeito de tal tribalismo. Não é menos claro, a fim de precisar o que já foi dito sobre esse tema, que o tribalismo só pode (re)nascer quando a ambiência impõe-se à razão. Por favorecer o imaginário, o lúdico, o onírico coletivo, ela reforça os microagrupamentos.&#8221;</p>
<p>***</p>
<p>em</p>
<p>MAFFESOLI, Michel. A transfiguração do político. A tribalização do mundo. Tradução Juremir Machado da Silva. Porto Alegre: Editora Sulina, 1997.</p>
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		<title>Anotações: Tempo e espaço no glocal</title>
		<link>http://anabrambilla.com/blog/2004/01/01/anotacoes-tempo-e-espaco-no-glocal/</link>
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		<pubDate>Thu, 01 Jan 2004 13:15:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Brambilla</dc:creator>
				<category><![CDATA[citações]]></category>
		<category><![CDATA[mirabolices]]></category>
		<category><![CDATA[reflexões]]></category>

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		<description><![CDATA[Apesar de ser guiado por um viés crítico, Eugênio Trivinho elucida alguns conceitos que pontuam a noção de tempo e espaço na cultura digital. Em “GLOCAL – para a renovação da crítica da civilização mediática”, o autor parte do entendimento &#8230; <a href="http://anabrambilla.com/blog/2004/01/01/anotacoes-tempo-e-espaco-no-glocal/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Apesar de ser guiado por um viés crítico, Eugênio Trivinho elucida alguns conceitos que pontuam a noção de tempo e espaço na cultura digital. Em “GLOCAL – para a renovação da crítica da civilização mediática”, o autor parte do entendimento original do termo “glocal”, lançado por Paul Virilio, inserindo-o na perspectiva da teoria da comunicação.<br />
Pincei alguns trechos e cá estão eles, sem qualquer compromisso de análise num primeiro momento. Talvez colaborem com algumas reflexões (ou mirabolices?) que teci por esses dias, referentes ao espaço-web.</p>
<p>***</p>
<p>O que é o glocal<br />
“O conceito de glocal (&#8230;) nasce na vigência da cibercultura, configuração material, simbólica e imaginária da era pós-industrial avançada, correspondente ao predomínio internacional da matriz digital de tecnologia, seja no âmbito do trabalho, seja no do tempo livre e do lazer.” (66-67)</p>
<p>O imaginário no ciberespaço<br />
“Essa configuração prática do contexto de acesso ao ciberespace é o sintoma exponencial de um acoplamento ainda mais significativo, mais visceral, por assim dizer, o acoplamento simbólico e imaginário, verdadeira indexação pós-industrializada das singularidades pessoais aos fluxos das máquinas capazes de rede” (67-68)</p>
<p>Material X Imaterial<br />
“O fenômeno glocal pressupõe (&#8230;) dois macrocentos de gravitação simbólica: um, material e extensivo, diz respeito ao âmbito geográfico e ao environment herdados (natureza e zona urbana); outro, imaterial e intensivo, concerne ao universo espectral povoável das redes comunicacionais (de massa e virtuais). Em outro registro um, o universo dos lugares, dimensão concreta da experiência corporal, processada in loco; outro, o campo dos não-lugares (em especial, os de caráter audiovisual), oceano veloz e reciclável de vivências espectrais. Trata-se de uma fratura sutil, imperceptível em sua expressão diuturna, que se coloca socioculturalmente como efeito estrutural de monta operado pela comercialização ampliada dos media.” (p.69)</p>
<p>Imagem pela socioespacialização<br />
“Na ordem infoeletrônica atual, a imagem não mais figura como uma superfície para ser somente vista ou contemplada. Ela se põe como uma socioespacialização tecnológica que cartografa o público-alvo de maneira distinta da do passado: e se converteu num campo de atuação humana. Doravante, o ente humano é previsto não somente para postar-se diante dela, mas também para inserir-se nela, ou melhor, para interferir concretamente nos fluxos sígnicos que a presidem, ajudando na construção das tendências possíveis desses fluxos.” (70-71)</p>
<p>Uma obviedade que precisa ser citada&#8230;<br />
“No fundo, é toda a vida humana que se reprograma sob o predomínio das tecnologias do tempo real.” (p.71)</p>
<p>Espaço-tempo fora da tradição<br />
“O fenômeno glocal responde por uma radical reprogramação dos vetores do espaço e do tempo tal como representados na tradição racional, tecnocientífica e pragmática da cultura ocidental” (p.71)</p>
<p>Espaço de atuação<br />
“O glocal promove a reescritura integral desse espaço por meio da produção de uma arena tecnológica em dupla via: o espaço imediato da condição glocal, contexto da vivência concreta, e a socioespacialização tecnoimagética do aparelho de base (numa palavra, a tela), seja como eixo de condutibilidade de fluxos mediático-espectrais, elaborados segundo o modelo serial, &#8216;industrial&#8217;, seja principalmente como novo campo de atuação humana.” (p.72)</p>
<p>Estar junto na web<br />
“O isolamento corporal perante a tela verificado no glocal interativo é compensado pela sensação imaginária de gregarismo sobejamente produzido pelo contexto de conexão – gregarismo, no fundo, com artifícios tecnológicos: a máquina, a rede e a alteridade espectral.” (72-73)</p>
<p>Um outro tempo<br />
“Reconfiguração do tempo<br />
Na esteira do que ocorre com o espaço, o glocal também reescreve integralmente o tempo, aqui tomado em sua acepção ordinária, como um tempo astronômico matematicamente cartografado, disposto em períodos lineares, de sucessão contínua, passível de representação instrumental espacializada (relógio, calendário) e de representação teórico-analítica (passado, presente e futuro). Com o glocal, o tempo consta igualmente contraído ao seu mínimo denominador: o interstício milionesimal dos segundos – senão menos que isso, se assim se pode dizer -, na forma de um tempo tecnicamente produzido, o tempo da instantaneidade da luz, o tempo real. Por essa modalidade de tempo, compreende-se a espécie de fluxo temporal que, instituído com o advento dos media eletrônicos e por eles modulado, simula ser o próprio tempo ordinário, o tempo-que-passa da vida cotidiana. O tempo real é uma caricatura bem feita desse tempo-que-se-esvai.<br />
(&#8230;) Distingue-se do ponto de vista do que é tornado público pela instantaneidade comunicacional, duas classes relativamente bem definidas de tempo real: (1) o tempo real dialógico, multipolar-bidirecional, flexível (seja live, seja on-line, com abertura para a participação dos receptores, ou melhor, para a interação tecnologicamente mediada entre alteridades humanas) e (2) o tempo real multipolar-unidirecional, rígido (transmissão televisiva livre ou na modalidade VT, disponibilização invariável de dados na www).” (73-74)</p>
<p>Espaço-web<br />
“&#8230; o espaço geográfico se reduz, em termos absolutos, ao lugar imediato de acesso, que se reduz à socioespacialização tecnoimagética, que se reduz ao tempo real, que não se põe numa ordem de sucessão passado-presente-futuro, mas como fluxo contínuo, sem começo nem fim, ‘pleno’, se assim se pode dizer (quase como algo ‘dado’), imensurável, e que, por isso, caracteriza-se como um tempo a-temporal, acrônico, um tempo auto-revogaório, auto-supressivo, um ‘tempo sem tempo’, tanto mais assim reconfirmado quanto maior for o investimento imaginário do receptor nos fluxos imagético-informacionais.” (p.75)</p>
<p>***</p>
<p>Texto publicado em &#8220;<a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=618871&#038;sid=00175773851124567991179946&#038;k5=2F81BBF3&#038;uid=" target="blank">Comunicação na Cibercultura</a>&#8220;. Editora Unisinos.</p>
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