Aviação


Me surpreendeu o título da matéria mais lida dessa semana no OhmyNews: Lockerbie: FBI Investigator Debates OMNI Reporter, de autoria do cidadão repórter Ludwig De Braeckeleer. No mínimo, inusitado.

O artigo cumpre com o que promete e traz um debate gerado a partir de um artigo que Braeckeleer publicou no OhmyNews International, sobre o ataque terrorista de Lockerbie, em 1988. Na ocasião, o Boeing 747-121 que fazia o vôo 103 da PanAm, explodiu no ar logo após decolar em Londres, com destino a Nova York. A explosão aconteceu no espaço aéreo da cidade de Lockerbie, na Escócia, resultando na morte de 270 pessoas.

Um dos interlocutores de Braeckeleer, o cidadão repórter do OMNI, era justamente um ex-agente do FBI que liderou a investigação do caso. E apontou uma série de erros no artigo.

Num exercício de deontologia jornalística inédito inclusive para a mídia tradicional, Braeckeleer expôs todos os trechos apontados como errôneos por Richard Marquise e comentou um por um.

Resultado: um dossiê crítico sobre o caso, num exemplo concreto de que o jornalismo colaborativo substitui a notícia palestra (onde um fala e outros tantos só escutam) pela notícia debate.

Olha a notícia que a Jack me indicou agora à tarde, da home do Terra: TAM paga R$ 40 mil por furto de bagagem.

O passageiro furtado deu por falta de CDs com arquivos de trabalho. Eu tive minha mala extraviada pela Gol, com meu laptop dentro. Deu prá Gol, né?

:-S

Um avião da China Airlines teve de retornar ao aeroporto de origem, em Taiwan, sob suspeita de que uma porta estaria aberta (sejamos claros: ela não estava bem fechada, talvez não travada, o que certamente é um risco para a pressurização da cabine e para a segurança do vôo).

O caso é contado na Folha, hoje, 21/12/2007 MAS… ele aconteceu há 12 dias, em 09/12/2007.

***

Daí a gente lê o Dan Gillmor dizendo coisas como “… manter segredos será uma tarefa mais ingrata, tanto para as empresas como os governos” e fica de bocaberta quando episódios assim são mantidos em sigilo por tantos dias.

Não é de se estranhar que o caso tenha acontecido na China, onde o firewall parece ter tomado conta da mente dos cidadãos, tornando-os tementes ao poder difusor da web (em consequência ao medo do governo, diga-se!)

Ok, houve um silêncio, mas ele não foi mantido por muito tempo.

Só fiquei curiosíssima para saber COMO essa informação chegou à mídia… ;)

Ainda ontem a Angela me relatava, num café ali no Reserva, na Paulista, o quão foi importante sair, mesmo com uma cara tãão braba, na capa do Correio.

“Sabe? Muita gente tava passando pela mesma coisa que eu. E eu PRECISAVA expor aquilo! Muita gente se identificou comigo.”
A identificação e a projeção são armas fortes do jornalismo, é sabido.

E um sofrimento compartilhado parece amenizar qualquer dor.

“Putz… Não sou só eu que estou passando por esse perrengue!”
Legal seria agora contar naquele mesmo espaço que a Angela conseguiu embarcar, ainda que cortando a sala de embarque correndo pelo mosaico do Mauro Fuke. E agora vira Ah, São Paulo do avesso ;)

Buenas, é movido por esse sentimento de compartilhamento, consolo e de cumprimento de alguma responsabilidade social que ouvi um comissário e um co-piloto da BRA para fazer essa matéria para o OhmyNews.

Que seus colegas se sintam solidarizados. Que os passageiros percebam que funcionários sofreram tanto quanto eles. Que o Sindicato dos Aeronautas aja. Sobretudo, que os responsáveis por essa m. toda se sensibilizem (embora sensibilidade pareça algo além de suas capacidades).

***

Tri satisfeita por voltar à home do OhmyNews. Thank you so much, Todd!

***

Com o meu superobrigada aos guris que me deram as entrevistas, conversaram e confiaram na minha discrição.

Hoje à tarde recebi a informação de uma possível compra da BRA pela Ocean Air. Esperei confirmações de uma reunião que aconteceria hoje à tarde, na sede da Ocean Air.

Há pouco, o piloto Yugo Ferraro informou na comunidade da BRA no Orkut:

“Tivemos hoje uma reunião na sede, a Ocean Air não irá comprar a BRA. Estaremos nesse mês de novembro realizando vôos com os 737 da BRA porém com passageiros fretados com bilhetes da Ocean Air.

No resumo da ópera os 737 passarão para a frota da Ocean e aos poucos os tripulantes da BRA quem quiser passarão tb por uma seleção para a Ocean, para voar o 737.

Isso tudo ocorrerá eu espero antes de 2008.

Ressalto a informação de que a Ocean Air NÃO comprou a BRA. Ficará com a tripulação e aeronaves. Inclusive o BRW (767).”

Isso bate com a declaração do ministro da defesa, Nelson Jobim, ao UOL. Embora, convenhamos, o relato do Yugo tenha sido MUITO MAIS objetivo e, no meu olhar, tão ou mais confiável que fontes oficiais.

Desde ontem ao meio-dia o Limão abriu espaço para os 70 mil passageiros deixados em terra pela BRA esbravejarem suas histórias por lá. São 22 milhões de reais no limbo! Um esquema jornalístico-catártico que me agrada muito.

Até agora, porém, não vi histórias por lá. E está na home do site. Ei, povo! Mexa-se! Eu sempre defendo tanto que brasileiro tem história prá contar. Ou estou vendo o lugar errado?

Bom, eu tenho história. Estou não apenas com passagem, mas crédito judicial da BRA na mão e não vou poder voar. Mas não pertenço ao kisha club do Limão, nem depois de solicitar convite. As historinhas vou contando aqui, na comunidade da BRA no Orkut, no OhmyNews. Lugar não falta!

A “advogada” desse título é a srta. minha irmã, Angela Brambilla.

De quebra, tá na capa no Correio do Povo de hoje.

Eu disse a ela: vai pro aeroporto ver se consegue reembolso ou realocação. Ou, no mínimo, seja cidadã repórter nessa hora.

Ok, ela foi mais fonte do que cidadã repórter. Mas a cada novidade que ela me passava, eu publicava na comunidade da BRA no Orkut. E viva a teia informacional!

(É inacreditável o quanto e como a BRA entrou na minha vida.)

Hoje pela manhã, por volta das 11h, o site da BRA anunciava a suspensão temporária das operações nacionais e internacionais da empresa, a partir de amanhã:

(Clique na imagem acima para ler a mensagem)

Acessei o site uma hora depois (13h07, agora), e a cara já era outra:

Escrevi o post anterior, Sujinho, pensando na BRA, lógico. E lamentando pelos rumos que a companhia está tomando. Mas não fazia idéia de que, minutos mais tarde, fosse ler essa nota.

Agora o desespero é de quem já comprou passagens para o fim do ano, nem terminou de pagar, não sabe se consegue reembolso tampouco se vai decolar.

***

UPDATED: o que me ocorre agora é que essa inconstância da nota no site (aparece-e-some) pode ser ataque de hacker. Será?

***

UPDATED 2: um membro da comunidade BRA Transportes Aéreos no Orkut (Tristan) que se apresenta como comissário de segurança de vôo da empresa afirma que a informação procede.

(Volto quando tiver novidades)

UPDATED 3:
Uma mensagem recém-postada na comunidade BRA no Orkut:

“Infelizmente, nós, tripulantes, recebemos a ligação da BRA informando que todos nós somos demissionados e a empresa fechou realmente, uma pena.
Boa sorte a todos e Deus proteja.”

UPDATED 4:
Do Terra (16h13):

No G1 (16h33):

UPDATED… ah, já perdi a conta:

Enquanto isso, na ANAC, 16 minutos DEPOIS do Terra publicar a notícia:

UPDATE X:

A vez do iG (16h26):

UPDATED:

Muito tempo depois, chega o UOL (17h11)

Triste. Mais triste ainda é pressentir que, não longe, pode ser um avião da BRA ali.

(Antes fosse o boteco numa esquina da Consolação)

Querida Ana Lucia Araújo manda dizer que o Limão (novo site do Estadão) resolveu dar uma chance para a abertura da produção de conteúdo na cobertura do acidente com o jatinho Learjet, em São Paulo, nesse final de semana.

Depois do que aconteceu com o UOL, que pediu conteúdo gerado pelo usuário e ganhou um belo pé no traseiro, é natural que processos seguintes, dessa mesma natureza, tenham mais cuidado.

Limão optou por disponibilizar um wiki e um endereço de e-mail. Eles publicam cada relato acompanhado pelo nome e sobrenome dos autores:

Eu só fiquei de bocaberta quando li o último depoimento:

Thiago Tamosauskas:

“O que eu sei é o que deu rapidamente na tv e na internet . Um jatinho havia acabado de decolar(…)”

***

Bom, prá que trazer o depoimento de alguém que só tem a dizer o que viu “rapidamente na tv e na internet”? Isso eu já vi! Já soube! Não é preciso um espaço colaborativo para chover no molhado.

O sentido do conteúdo (e do jornalismo) colaborativo é mostrar visões de um fato (ou outros fatos por si) que não apareceram na mídia tradicional.

É como escrever uma reportagem citando “Segundo o Jornal XYZ…”. Esvazia.

Mas uma coisa é inegável: essa tentativa do Limão vem sendo conduzida com o cuidado necessário que o conteúdo colaborativo promovido por um veículo noticioso deve receber.

Só falta chegar “A” informação que ninguém viu, ninguém deu. Só o internauta do Limão.

Next Page »