Hoje cedo recebi o release do Ibote/NetRatings com os números da pesquisa de julho sobre o acesso à internet no Brasil.

Lá consta, como já era de se esperar, um aumento no tempo de conexão e no número de internautas em função das férias. Somos 23,7 milhões conectados residencialmente, 3,5% a mais que no mês anterior e 28% mais que o mesmo período de 2007.

A duração da conexão subiu 1h42min em relação a junho desse ano. O que se supõe que a galerinha em idade escolar, por conta das férias, fizeram com que esse número de horas online chegasse a 24h54min no mês de julho.

O próprio Alexandre Magalhães, gerente de análise do Ibope/NetRatings, aponta para isso:

“Tradicionalmente, o mês de julho, por ser férias escolares e por ser a internet a principal atividade para parte dos jovens estudantes, mostra crescimento no tempo de consumo desta mídia.”

Agora vem a parte esquisita.

As categorias que registraram “melhor desempenho por número de usuários residenciais em julho”, em relação ao mês anterior, foram essas:

1) Informações Corporativas (16,5% e 9,1 milhões de internautas)
2) Finanças, Seguros e Investimentos (5,9% e 9,7 milhões)
3) Automotivo (5,6% e 3,8 milhões)
4) Computadores e Eletrônicos (5,4% e 18,8 milhões)
5) Entretenimento (4,5% e 19,4 milhões)

Se foram os estudantes os principais responsáveis pelo up da web em julho, como “Informações Corporativas” foi a categoria de sites de maior crescimento?

Não tem uma disparidade aí? Não deveria ser “Entretenimento”, ainda que, em quantidade, esteja em primeiro lugar?

Alguém me ajuda a entender isso, please?

Já quase fui linchada algumas vezes por defender a idéia de que assessoria de imprensa não é trabalho de jornalista, mas de relações públicas ou de um profissional de marketing.

Eis que hoje me deparo com uma vaga circulando numa lista de discussão, cujo briefing era:

“… a empresa XYZ está em busca de um jornalista para trabalhar como assessor de imprensa de contas variadas. Precisa ter pelo menos 1 ano de experiência nessa área de publicidade e propaganda. Se já for formado melhor ainda….”

Pergunto: formado em quê, cara pálida?

E ainda tem quem defenda o fim do diploma… Aí é o caos instaurado! :P

eu midia livro

Com o perdão do baita delay, já está na roda o livro “Eu, Mídia” de organização do Mario Cavalcanti e autoria dele com a Pollyana Ferrari, o Raphael Perret, o Paulo Henrique Ferreira, a Raquel Recuero, o José Antônio Rocha e esta que vos escreve :)

Teve lançamento no Rio e torço os dedinhos para ter também em São Paulo :-)

Bacana que alguns blogs legais estão repercutindo, tipo o Periodismo Ciudadano, uma das minhas principais fontes no Google Reader :P

Parabéns a todos os co-autores e ao Mario, em especial.

Agora foi o Andrew Keen que atacou iniciativas de jornalismo colaborativo, classificando-as como “trabalho grátis” às empresas de comunicação.

Digo “agora” porque ano passado, durante o MediaOn, foi exatamente isso que ouvi do Pedro Dória em relação ao OhmyNews… ai, ai…

A crítica foi sobre o Huffington Post, um noticiário amplamente alimentado por blogs daquela comunidade.

Mas quem, em sã consciência, aceitaria trabalhar grátis para outro alguém ganhar dinheiro? O que o Sr. Keen não entendeu ainda é a economia do mérito, que vai além da economia do gratuito do Chris Anderson.

Ou melhor, ele até sabe que isso existe, mas distorce completamente a idéia:

“La ‘economía de la atención’ no es una actividad narcisista sino que sólo busca fomentar las ventas de productos”, diz ele.

E continua:

“Los famosos escriben gratuitamente en ese portal de internet para promocionarse, para dar a conocer mejor su identidad personal, para conseguir contratos de libros o de conferencias o anunciar su próxima película o su empresa tecnológica”.

Bom, antes de mais nada… por que um “famoso” precisaria promover-se?

Apesar disso, gostei da idéia de “economia da atenção”. Vejo isso super com bons olhos. Nem toda a atenção precisa ter como único objetivo ganhar dinheiro. Aliás, isso é consequência. Mas Keen está correto, sim, ao entender que as pessoas buscam visibilidade para as suas idéias. Ele não fez isso ao publicar o Culto ao Amador?

A partir do Periodismo Ciudadano.

Hoje de manhã discutíamos Lévy + Wolton + nós mesmos durante a aula na Cásper. E lá pelas tantas, o Wolton dizia no texto publicado na edição 15 da Revista Famecos:

“… não é suficiente que os homens troquem muitas informações para que se compreendam melhor. São os planos culturais e sociais de interpretação das informações que contam, não o volume ou a diversidade dessas informações. (…) O tempo ganho no acesso à informação pode ser novamente perdido na dificuldade de interpretar essa informação.”

Por mais que eu discorde do Wolton noutros momentos, essa visão que ele tem sobre quantidade (de informação) versus qualidade (de interpretação) me parece iluminada!

Daí veio o Diogo Bercito e citou um texto superbacana publicado no Observatório de Imprensa, que fala sobre a “difunção narcotizante” a que os meios de massa expõem o público.

Parece que, por mais amplo e diverso que seja o universo digital, esse efeito “chapante” da informação que vem dos meios de massa se estende para o mundo dos bits…

Depois do NYT, o jornal El Chicago Tribune adotou o sistema de localização de notícias por meio de mapas geográficos: é o EveryBlock.

Além das notícias publicads pelo conhecido e tradicional diário, o EveryBlock também mapeia posts de blogs locais e está disponível para outras localidades como NY, Filadélfia, San Francisco…

Via Periodismo Ciudadano.

A rua Riachuelo, no Centro de Porto Alegre, vai sediar uma mini-Feira do Livro todas as semanas!

Todos os sábados, no trecho entre as ruas General Câmara e Borges de Medeiros, livreiros vão se reunir para celebrar um dos “cimentos sociais” que mais fortemente sustentam a identidade gaúcha: o livro.

A primeira mini-feira acontece nesse sábado, dia 9, às 10h, quando o xerife da Feira do Livro da Praça da Alfândega deve passar por lá para bater a sineta :-)

Vai ter exposição de arte, oficina infantil, clube de choro e todo o aparato que as feiras de rua dessas cidadezinhas românticas promovem.

Bonitinho, né? Agora, além de chimas na Redenção todo o domingo, o porto-alegrense vai na mini-Feira do Livro todo o sábado…

Valeu a dica, Angela Brambilla!!

Neste último mês, quando estive de férias em Porto Alegre, recuperei meus cadernos do mestrado e algumas revistas Famecospara clarear as idéias sobre os fenômenos sociais contemporâneos intimamente ligados a (ou por) tecnologias.

Enquanto preparava uma aula sobre a trinca Levy + Wolton + Maffesoli, encontrei uma anotação que fiz durante uma aula que tive com o Wolton na PUCRS, quando ele disse que as tecnologias são segregacionistas porque sua fruição é limitada a quem tem APTIDÃO.

Entende-se, claro, que APTIDÃO aí não é apenas o “saber mexer no computador” ou utilizar mais de 5% dos recursos de um iPhone. Mas remete a entender o funcionamento, a lógica, a ética (ou estética) do universo digital.

Então, novamente enriquecendo este Libellus, Altieres Rohr tocou justamente nesse ponto:

“Com o tempo as pessoas vão ficando “espertas” com a internet, vão aprendendo a identificar os “trolls”, as mentiras, a citar referências, fontes… a separar o joio do trigo, como se diz. Os fóruns e listas moderadas hoje já fazem isso e existe uma consciência crescente a respeito da credibilidade e seriedade necessária para que a troca de conhecimentos aconteça.”

Para melhorar a reflexão, Cyro Salgado complementou:
“… aos poucos, os integrantes aprendem a citar referências, mediar os próprios debates e identificar os boatos.”

É bem por aí, guris! Quando o Wolton diz que as tecnologias só podem ser usadas por quem tem aptidão, é dessa esperteza, desse jogo de cintura que está falando. Agora… temos que combinar que isso é algo que se adquire, se desenvolve. Aptidão, nesse caso, é fruto de hábito de navegação e vida online.

Altieres Rohr comentou sobre o post “Mídia no centro da pseudo-colaboração“:

“O Orkut não faz nenhuma definição de tema e todo tipo de discussão acontece nas suas numerosas comunidades.
O mesmo pode ser dito a respeito do berço da Internet (BBS e USENET), além dos grupos e listas de discussão no Google e no Yahoo!.
Aposto que, independentemente da mídia solicitar ou não a colaboração do internauta sobre algo, haverá uma discussão a respeito, em algum lugar.”

Esse comentário dele me ajudou a desmitificar aquela hipótese de que existiria uma superbarreira na hora do internauta colaborar que é… DÁ TRABALHO!

Isso tá parecido com relacionamentos de casais… Se gostam mesmo um do outro, arrumam tempo e energia para tudo!

Entendo que o tipo de conteúdo produzido no Orkut é beeeem mais fácil e mais rápido de produzir do que uma reportagem pro OhmyNews.

Mas existe um dispositivo para o ato de colaborar: VONTADE ;-) Simples assim.

Não reduzo o estímulo à colaboração a isso. Até porque “vontade” é algo amplo e pode ser composto por outros mileum dispositivos. O que é bom lembrar é esse “histórico” da internet. Se há razões pessoais que te despertem o desejo de colaborar, a coisa flui!

O mais difícil é adentrar nesse universo de “razões pessoais” enquanto os veículos que desejam fazer conteúdo colaborativo ainda lidam com a massa - métrica dos meios tradicionais de comunicação…

Aí é um problema de compreensão do ambiente digital. Nada que muita leitura de Maffesoli, reflexão e pesquisa não ajude ;)

A edição de aniversário da revista Esquire, a ser lançada em setembro desse ano, será publicada com a capa em papel digital.

Editorialmente, a capa dará as boas vindas à tecnologia aplicada a uma publicação vendida em bancas com a manchete: “The 21st Century Begins Now”.

Para funcionar, claro, a capa vem acompanhada por uma bateria que terá duração de 90 dias.

Deu no Times Online. Valeu a dica, Fabi Zanni.

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