Eis uma visão - LÚCIDA - de um profissional superexperiente em jornalismo tradicional:

“Eu tenho dois pés atrás com jornalismo colaborativo, interatividade total com o leitor, mas gosto de saber de todas as experiências, de todas as alternativas, pois acho que precisamos enfrentar o tema mais dia e menos dia”

Para além da transparência, da honestidade em admitir sua reticência ao real sucesso do modelo colaborativo, existe, nessa declaração, a consciência da realidade e do risco necessário.

Não se faz jornalismo com medo. Nem com hipocrisia. Afinal, falar em UGC é fácil. Mas FAZER isso, de verdade e com responsabilidade, ainda é para poucos.

O jornalista e blogueiro Juan Varela publicou no Soitu uma análise sobre medidas para o jornalismo não sucumbir à crise internacional.

Dentre as “saídas” apontadas, destaco duas que me pareceram particularmente pertinentes (livre tradução):

CONEXÃO: recuperar e ampliar a velha conexão íntima entre os meios e seu público. O pior aos meios informativos não são seus problemas financeiros, mas a desconfiança e, inclusive, o ressentimento de uma grande parte da sociedade sobre sua reputação, causada por um excessivo partidarismo, a falta de independência e a contaminação de outros negócios. Conexão também é, hoje, converter os meios em redes sociais criadas em torno da informação, que ajudem a construir uma identidade digital aberta, de domínio público.

NOVAS REDAÇÕES E NOVOS JORNALISTAS: mais abertos, flexíveis, conectados e que aproveitem todas as vantagens da organização em rede.

É incrível a lucidez de análises assim. É preciso entender o ambiente digital diferentemente do modo como o mundo esteve organizado (?) até hoje.

Não faz mais sentido pensar em centralização, em domínio privado, em isolamento, em afastamento do público. Tudo está conectado. A começar pelas pessoas, algumas delas, jornalistas. E sobreviver nesse ambiente presume manter-se ativo, disponível, em conexão.

A cultura digital é permeada por altruísmo. Ela nasce olhando para o outro, para o ponto de conexão sem o que não faz sentido existir. É a tua existência legitimada e chancelada pela alteridade, pelo grupo. Essa é a base do capital social, do mérito que te faz um ser vivo na rede.

Isso parece tão óbvio… Mas às vezes sinto que não é. E me decepciono.

Via Periodismo Ciudadano.

Mais um projeto legal do google

Hoje começa o SET Universitário na Famecos (PUCRS), um evento internacional para estudantes de Comunicação Social e Cinema. O tema central dessa 21ª edição é: De que conteúdo estamos falando?

Serão 3 dias de workshops, palestras e uma mostra competitiva entre a galera que estuda não só em faculdades de comunicação do Brasil, mas da Argentina e de Portugual.

Agora, a parte egotrip: amanhã pela manhã participarei da mesa (Algumas) Tendências do Jornalismo, ao lado do Leandro Sarmartz e do Eduardo Lorea, quando conversarei sobre o “Conteúdo produzido pelo público“. Vamos ver o que a galera vai achar…

Mas de cara uma coisa já é certa: como vai ser bom voltar pra casa… (suspiros)

Obrigada, Vitor! Obrigada, Mágda! E até loguinho :-D

PROGRAMAÇÃO SET UNIVERSITÁRIO

22/9 – segunda-feira
17h

Do jornalismo investigativo ao livro reportagem

Klester Cavalcanti – jornalista e escritor. Conquistou duas vezes o Prêmio Jabuti de Literatura. Publicou três livros: Direto da Selva, Viúvas da Terra e O Nome da Morte (esta obra conta a história real de um assassino de aluguel que já matou quase 500 pessoas em todo o Brasil e está sendo adaptada para o cinema, tendo como protagonista o ator Wagner Moura).
Mediador: Juremir Machado da Silva – professor da Famecos

Local: Auditório da Famecos

19h30min

RBS Debates
Linguagem: o desafio de quem quer se comunicar com o mundo

Mediador: Roger Lerina – jornalista e colunista do jornal Zero Hora
Local: Centro de Eventos da PUCRS

Debatedores

Ehr Ray – diretor-presidente da Borghierh Lowe, há 20 anos no mercado.

Gisele Lorenzetti – sócia e diretora executiva da LVBA Comunicação, graduada em Relações Públicas, especialista em Administração de Empresa.

Ricardo Noblat – jornalista, criou em março de 2004 o Blog do Noblat, hospedado no site do jornal O Globo. É o blog mais acessado do país.

23/9 – terça-feira
9h

(Algumas) Tendências do jornalismo

O conteúdo produzido pelo públicoAna Brambilla – jornalista (PUCRS), mestre em Comunicação, editora de conteúdo colaborativo da Editora Abril

Em busca da gentileza perdida – a trajetória da revista Vida Simples
Leandro Sarmatz – redator-chefe da revista Vida Simples (Abril), jornalista e mestre em Letras (PUCRS)

Conteúdo preciso: uma questão de ética e credibilidade
Eduardo Lorea – jornalista do jornal Zero Hora

Mediador: Vitor Necchi – professor da Famecos
Local: Auditório da Famecos

Comunicação de marcas em tempos de inovação

Valpirio Gianni Monteiro – diretor de Criação da Gad`Branding & Design

Mediador: Ilton Teitelbaum – professor da Famecos
Local: Auditório do Prédio 9

Vocês não vão acreditar! – O fenômeno da comunicação relevante

Alexandre Godoy – sócio-diretor da Mazah – Live Marketing
PC Dias – gerente de planejamento da Mazah – Live Marketing

Mediador: Neka Machado – professor da Famecos
Local: Auditório do Prédio 32

15h

Pós-produção e finalização em cinema
Eliane Ferreira – produtora, responsável pela finalização de mais de 30 longas-metragens.
Mediador: João Guilherme Barone – professor da Famecos
Local: Auditório da Famecos

20h
Design e conteúdo digital – como fica a comunicação em um ambiente em transformaçãoLuli Radfahrer – PhD em Design, professor da USP
Mediador: Fábian Chelkanoff – professor da Famecos
Local: Teatro do Prédio 40

Comunicação corporativaMarco Antônio Lage – diretor de Comunicação Corporativa da Fiat, jornalista, mestre em marketing estratégico.
Mediador: Cleusa Scroferneker – professora da Famecos
Local: Auditório do Prédio 7

24/9 – quarta-feira
9h

Vai lá e faz – idéia só vira conteúdo quando sai da gaveta

Rafael Bohrer – supervisor de Criação da DCS. Formado pela PUC. Eleito Young Creative 1999 e Diretor de Arte do Ano 1998 e 2005. Recebeu prêmios no Clube de Criação de São Paulo, no FIAP, no London International Festival e teve três anúncios selecionados para a Archive, principal publicação de propaganda do mundo. Em 2007, venceu o Grand Prix de Filmes do Salão da Propaganda.

Tiago Mattos - diretor da Perestroika. Publicitário formado pela PUCRS. Eleito Young Creative 2005 e Redator do Ano 2006. Em 2002 estudou como bolsista na Miami Ad School/EUA, considerada por muitos a melhor escola de criação do mundo. Em 2007, venceu o Grand Prix de Filmes do Salão da Propaganda. Em agosto, depois de 10 anos como redator, saiu da DCS para assumir a diretoria da Perestroika.

Felipe Anghinoni – diretor da Perestroika. Publicitário formado pela UFRGS. Eleito Young Creative 2006 e Redator do Ano do Colunistas 2002. Vencedor de Grand Prix do Salão da Propaganda por quatro anos seguidos. Finalista do Profissionais do Ano da Rede Globo três vezes. Trabalhou na LiveAd com creative media, buzz e viral para Nike, Google, Grendene, Yahoo, FoxFilms e Ambev. Em agosto assumiu a diretoria da Perestroika.
Márcio Callage – gerente de Divisão de Marketing do Grupo Azaléia. Publicitário formado pela PUCRS. Eleito Anunciante do Ano 2006. Como redator, fez estágio na BBH, de Londres, ganhou o Grand Prix do Salão Gráfico Promocional e do Prêmio Abril. Foi premiado no New York Festivals, no London International Festival e teve dois anúncios selecionados para a Archive. É responsável por toda a divisão de marketing das marcas da Vulcabrás/Azaléia.
Local: Teatro do Prédio 40

Grandes coberturas jornalísticas

José Alberto Andrade – jornalista da Rádio Gaúcha. Cobriu quatro Olimpíadas (1996, 2000, 2004 e 2008), duas Copas do Mundo (2002 e 2006), três Jogos Pan-americanos (1995, 2003 e 2007) e uma Copa das Confederações (2005). Foi o coordenador da Equipe da Rádio Gaúcha em Pequim 2008.
André Ramos – editor-chefe do Jornal do SBT e coordenador da cobertura da Olimpíada da China da equipe do SBT
Mediador: Marco Antonio Villalobos – professor da Famecos

As opções de um fotógrafo profissionalFernando Bueno – fotógrafo
Mediador: André Giongo – professor da Famecos
Local: Auditório do Prédio 9

Hoje cedo recebi o release do Ibote/NetRatings com os números da pesquisa de julho sobre o acesso à internet no Brasil.

Lá consta, como já era de se esperar, um aumento no tempo de conexão e no número de internautas em função das férias. Somos 23,7 milhões conectados residencialmente, 3,5% a mais que no mês anterior e 28% mais que o mesmo período de 2007.

A duração da conexão subiu 1h42min em relação a junho desse ano. O que se supõe que a galerinha em idade escolar, por conta das férias, fizeram com que esse número de horas online chegasse a 24h54min no mês de julho.

O próprio Alexandre Magalhães, gerente de análise do Ibope/NetRatings, aponta para isso:

“Tradicionalmente, o mês de julho, por ser férias escolares e por ser a internet a principal atividade para parte dos jovens estudantes, mostra crescimento no tempo de consumo desta mídia.”

Agora vem a parte esquisita.

As categorias que registraram “melhor desempenho por número de usuários residenciais em julho”, em relação ao mês anterior, foram essas:

1) Informações Corporativas (16,5% e 9,1 milhões de internautas)
2) Finanças, Seguros e Investimentos (5,9% e 9,7 milhões)
3) Automotivo (5,6% e 3,8 milhões)
4) Computadores e Eletrônicos (5,4% e 18,8 milhões)
5) Entretenimento (4,5% e 19,4 milhões)

Se foram os estudantes os principais responsáveis pelo up da web em julho, como “Informações Corporativas” foi a categoria de sites de maior crescimento?

Não tem uma disparidade aí? Não deveria ser “Entretenimento”, ainda que, em quantidade, esteja em primeiro lugar?

Alguém me ajuda a entender isso, please?

Já quase fui linchada algumas vezes por defender a idéia de que assessoria de imprensa não é trabalho de jornalista, mas de relações públicas ou de um profissional de marketing.

Eis que hoje me deparo com uma vaga circulando numa lista de discussão, cujo briefing era:

“… a empresa XYZ está em busca de um jornalista para trabalhar como assessor de imprensa de contas variadas. Precisa ter pelo menos 1 ano de experiência nessa área de publicidade e propaganda. Se já for formado melhor ainda….”

Pergunto: formado em quê, cara pálida?

E ainda tem quem defenda o fim do diploma… Aí é o caos instaurado! :P

eu midia livro

Com o perdão do baita delay, já está na roda o livro “Eu, Mídia” de organização do Mario Cavalcanti e autoria dele com a Pollyana Ferrari, o Raphael Perret, o Paulo Henrique Ferreira, a Raquel Recuero, o José Antônio Rocha e esta que vos escreve :)

Teve lançamento no Rio e torço os dedinhos para ter também em São Paulo :-)

Bacana que alguns blogs legais estão repercutindo, tipo o Periodismo Ciudadano, uma das minhas principais fontes no Google Reader :P

Parabéns a todos os co-autores e ao Mario, em especial.

Agora foi o Andrew Keen que atacou iniciativas de jornalismo colaborativo, classificando-as como “trabalho grátis” às empresas de comunicação.

Digo “agora” porque ano passado, durante o MediaOn, foi exatamente isso que ouvi do Pedro Dória em relação ao OhmyNews… ai, ai…

A crítica foi sobre o Huffington Post, um noticiário amplamente alimentado por blogs daquela comunidade.

Mas quem, em sã consciência, aceitaria trabalhar grátis para outro alguém ganhar dinheiro? O que o Sr. Keen não entendeu ainda é a economia do mérito, que vai além da economia do gratuito do Chris Anderson.

Ou melhor, ele até sabe que isso existe, mas distorce completamente a idéia:

“La ‘economía de la atención’ no es una actividad narcisista sino que sólo busca fomentar las ventas de productos”, diz ele.

E continua:

“Los famosos escriben gratuitamente en ese portal de internet para promocionarse, para dar a conocer mejor su identidad personal, para conseguir contratos de libros o de conferencias o anunciar su próxima película o su empresa tecnológica”.

Bom, antes de mais nada… por que um “famoso” precisaria promover-se?

Apesar disso, gostei da idéia de “economia da atenção”. Vejo isso super com bons olhos. Nem toda a atenção precisa ter como único objetivo ganhar dinheiro. Aliás, isso é consequência. Mas Keen está correto, sim, ao entender que as pessoas buscam visibilidade para as suas idéias. Ele não fez isso ao publicar o Culto ao Amador?

A partir do Periodismo Ciudadano.

Hoje de manhã discutíamos Lévy + Wolton + nós mesmos durante a aula na Cásper. E lá pelas tantas, o Wolton dizia no texto publicado na edição 15 da Revista Famecos:

“… não é suficiente que os homens troquem muitas informações para que se compreendam melhor. São os planos culturais e sociais de interpretação das informações que contam, não o volume ou a diversidade dessas informações. (…) O tempo ganho no acesso à informação pode ser novamente perdido na dificuldade de interpretar essa informação.”

Por mais que eu discorde do Wolton noutros momentos, essa visão que ele tem sobre quantidade (de informação) versus qualidade (de interpretação) me parece iluminada!

Daí veio o Diogo Bercito e citou um texto superbacana publicado no Observatório de Imprensa, que fala sobre a “difunção narcotizante” a que os meios de massa expõem o público.

Parece que, por mais amplo e diverso que seja o universo digital, esse efeito “chapante” da informação que vem dos meios de massa se estende para o mundo dos bits…

Depois do NYT, o jornal El Chicago Tribune adotou o sistema de localização de notícias por meio de mapas geográficos: é o EveryBlock.

Além das notícias publicads pelo conhecido e tradicional diário, o EveryBlock também mapeia posts de blogs locais e está disponível para outras localidades como NY, Filadélfia, San Francisco…

Via Periodismo Ciudadano.

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