Os mais próximos já devem ter me ouvido algumas vezes dizendo: os veículos têm de ir aonde o público está, nos lugares legitimados pela massa como “seus”.
E o YouTube é um lugar para chamar de meu, de seu. As mídias sociais são assim. Elas pertencem ao público e é lá, em casa, à vontade, que ele produz mais conteúdo.
Opa! Aí começou a interessar aos veículos! E é aí que o Google entra novamente com suas belas sacadas: um canal no YouTube para captar conteúdo noticioso produzido pelo público leigo, o YouTube Direct.
A iniciativa não é nova, mas válida. Em maio de 2008 apareceu o Citizen News, canal de seleção de conteúdo jornalístico com abordagem política produzido por usuários.

O que o YouTube Direct tem de diferente, afinal?
Ao que parece, é um canal mais “profissionalizado”, dedicado a empresas de comunicação (inclusive mainstream) que abrem espaço para UGC. Segundo o BlueBus e o blog Welcome, o San Francisco Chronicle, o Huffington Post, dois canais da Boston TV e outros veículos já usam o material publicado no Direct.
Tecnicamente, trata-se de uma API disponibilizada pelo Google que oferece, aos veículos que a adotarem, a customização da interface, upload de vídeos ao YouTube através da página do próprio veículo, moderação/seleção dos vídeos produzidos pelo público e link back ao site do veículo quando os vídeos são assistidos no YouTube.

Noticiários que ainda não trabalham com UGC apenas porque não têm tecnologia de gerenciamento, já não têm mais desculpa
Outra coisa bem bacana é que a agregação de plataformas evita que o usuário se sinta inibido a colaborar com um noticiário só porque tem que criar maaaais um cadastro. Aliás, esta é uma tendência, como o Huffington Post usa e o Terra, através da TBox, também aplica.


Só não gostei disso:
Q: Can we require all users to sign up for an account on our site, too?
A: Yes. Because YouTube Direct is an open-source platform, you may integrate your own site registration process into this sign-in flow if you choose to.
Resta acompanhar os exemplos
UPDATED: o Marcelo Coelho de Souza, colega aqui do Espaço Experiência, produz neste momento uma matéria sobre o YouTube Direct. Ele me fez duas questões que não soube responder. Deixo-as aqui, caso alguém possa ajudar a esclarecer:
1. O veículo que usar o YouTube Direct pode pautar o público? Como isso aconteceria?
2. Em caso de vídeos postados via YouTube, qual será a política adotada quanto à duplicidade do uso destes materiais? Dois veículos poderão publicar o mesmo vídeo?
UPDATED 2: A Univisión, maior empresa de mídia hispano-hablante nos Estados Unidos, também adotou o YouTube Direct. (via @danibertocchi)

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