Diariamente vemos manchetes anunciando que a crise chegou nessa ou naquela empresa. Pois agora, ao que tudo indica, parece que a crise chegou na Livraria Cultura. Ao menos na de Porto Alegre.
Hoje à tarde, ao procurar por dois produtos, fui surpreendida com uma situação HOSTIL, para dizer o mínimo.
O livro “Cultura da Convergência”, indicado pela querida Pollyana Ferrari, só estava disponível na unidade do Conjunto Nacional, em São Paulo. O vendedor ofereceu trazer o livro para mim e logo perguntou:
- Quer que entregue na tua casa ou tu vens retirar na loja?
COMO ASSIM??? Alguém falou em COMPRAR o livro?
Pois é… Foi-se o tempo em que se podia pegar o livro na mão, ler as orelhas, conferir o sumário ou o prefácio. Agora é assim: se o produto não está na loja mas tem no estoque, tem que comprar primeiro para depois ver se é isso mesmo que tu queria comprar.
Dei uma volta, encontrei outro livro bacana, olhei bastante, avaliei o que julgo necessário para me fazer decidir pela compra. Comprei.
Cinco minutos depois perguntei pelo CD “Como vai você”, em que vários intérpretes cantam músicas do Roberto Carlos. Minha Mãe estava junto. A situação se repetiu. O produto só existia na loja de São Paulo e, para mandar trazê-lo, só pagando.
Uma dica para a Cultura: tirem aquela estação de audição no meio das prateleiras de CDs. É inútil! Para que serve? Para a pessoa ouvir se gosta de um CD e então comprá-lo? Não. Isso não me foi permitido. A menos que pagasse por um produto que ainda não estava convencida a comprar. A mensagem foi clara: COMPRE goela abaixo! Como isso não funciona comigo, a Livraria Cultura acaba de criar uma agente para manchar sua imagem sempre que houver oportunidade para fazê-lo.
Entendo que o mercado de Porto Alegre seja mais restrito e não tenha tanta demanda quanto o de São Paulo. Mas a ausência de produtos na loja deve ser contornada como antes: eles trazem o produto, mostram para o cliente e o deixam à vontade para decidir pela compra. Isso aconteceu muitas vezes inclusive comigo, antes de 2005.
Agora as coisas mudaram! E para muito pior!!
Sei que trazer produtos de outras unidades do país geram custo e o risco do cliente optar por não comprar o produto trazido pode gerar prejuizo. Mas creio que a Cultura tenha conquistado prejuizo maior do que os R$ 53 do livro que eu queria folhear (e muito provavelmente, comprar) e do que os R$ 19 do cd que minha Mãe queria escutar (com a intenção de comprar): o prejuizo da Cultura foi ter perdido uma cliente fidelizada, com sérios planos de ingressar para o doutorado em breve e que mora a 15 minutos da unidade de Porto Alegre.
A que me induz esta dificuldade de análise e compra de dois produtos? Em ambos os casos há opções:
1) comprar do Submarino, da Saraiva ou da Fnac – já que é para comprar no escuro
2) xerocar o primeiro exemplar do livro que tiver em mãos
3) baixar os mp3 do CD que eu estava disposta a comprar, para que possa conhecer as músicas
A loja onde se faz compras é uma escolha do cliente. A maneira como trata seu cliente é uma escolha da loja! E a Cultura escolheu não me querer mais como sua cliente. Já que a Livraria Cultura não soube respeitar minha condição de cliente, cabe a mim, pelo menos, respeitar a escolha que a Cultura fez de não atender às minhas expectativas que, vamos combinar, não são nada absurdas.
Pena isso… minha ex-aluna e amiga, Cinthia Almeida, já teve problemas com a Livraria Cultura. Só posso entender que a crise tenha chegado nessa empresa. Não só crise econômica, mas principalmente uma crise sobre como tratar clientes.

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Oi Ana
Mas tu tinha que pagar antes do livro chegar? Muitas vezes eu encomendei livros na Cultura e só paguei quando eles chegaram. Sendo que se eu quisesse deixá-los abandonados pela loja sem levar ninguém nem tomaria conhecimento.
Pois é, Sandra! Era assim, né? Eu lembro. Agora não é mais. Pediram que eu pagasse antes de sequer folhear o livro. Daí não dá, né?
Olá Brambi!
Pois é, a Livraria Cultura mostrando sua nova cara. Antes de ganhar o Brasil a qualidade no atendimento era a marca registrada da Cultura. Hoje, depois de seu crescimento, além do novo visual, acho que o conceito também mudou, visto que o dinheiro está falando mais alto e que se exploda o que faz o mesmo circular, “as pessoas”.
Antes mesmo de entrar em crise, muitas empresas estão perdendo seus valores humanos…é lamentável.
Disse bem, Cinthia! A Cultura perdeu a referência da marca, que antes era centrada no cliente, no bom atendimento e agora se voltou unicamente ao lucro. Sei que é uma empresa, como qualquer outra, que deve gerar lucro. Mas eu já não vou mais colaborar para que a Cultura atinja suas metas. Muito ao contrário.
É assim que os impérios começam a cair…
Fui funcionário da Livraria Cultura Porto Alegre por 2 anos e meio.
Permaneci tanto tempo lá pois os ganhos que eu obtia eram suficientes para me dar uma boa vida e poder de compra, quase tudo que alguém almeja hoje em dia. Tirava mais lá do que se trabalhasse na minha área, TI, que sou formado.
Tirando o fator $, era uma empresa diferenciada onde o empregado tinha uma liberdade bem grande, sem tanta cobrança por resultados, mas havia a cobrança do tratar bem e fidelizar clientes.
A gestão mudou bastante de 2007 até quando fiquei lá, Junho 2008. Com a queda nas vendas de livros, e principalmente cds (algo quase em extinção), os treinamentos começaram a ser focados em algo mais comercial, de mercado mesmo, obter lucro primeiro e depois fidelizar.
Acabei saindo pois passei em um concurso público, mas amigos que ainda tenho lá, me dizem que o foco hoje em dia de objetivos e metas são bem diferentes.
Não!!!
Calma, calma… não é assim não…
na livraria voce pode encomendar o produto,.. eles mandam de uma unidade pra outra,.. mas você não é obrigada a comprar o produto pra que façam isso!!!
Talves o vendedor tenha colocado de uma forma que tenha dado essa impressão mas,.. se houvesse um pouco mais de conversa isso seria explicado.
É bem como a senhorita Bordini comentou.. sempre foi assim!
Pois é, Roberto. Tens razão. SEMPRE FOI assim. Não é mais. Justamente por isso a minha indignação.
E reforço: duas vezes com dois funcionários diferentes. É muito para uma mera coincidência, né? Nunca mais comprei nada lá e nem comprarei.
Prezada Ana Brambilla,
Escrevo em nome da Livraria Cultura para esclarecer que a empresa não mudou seu posicionamento de excelência no atendimento e prioridade na fidelização do cliente. Ao ler sua reclamação fiquei com a impressão de que ouve uma falha de comunicação entre a senhora e os vendedores e fiquei com algumas dúvidas. Quando os vendedores perguntaram se a senhora gostaria que os produtos fossem entregues em sua residência, a senhora respondeu esclarecendo que ainda não estava certa da compra e gostaria somente de conhecê-los melhor? Se sim, neste momento os vendedores se negaram a fazer a transferência? Se eles se negaram, é muito grave pois não são treinados desta forma e seria importante, aliás, se a senhora soubesse o nome dos vendedores para que possamos orientá-los novamente. Vale ressaltar que o vendedor sugere a opção de entrega do produto em primeiro lugar para oferecer um serviço mais cômodo para o cliente que está em loja e não poderá sair com sua compra em mãos. O estoque das lojas gira muito rápido e é impossível ter todos os títulos disponíveis em todas as unidades. Por isso, oferecemos a transferência sem custo e sem obrigação de compra. Transferimos produtos de Recife para São Paulo, de Campinas para Brasília, enfim, os produtos giram as oito unidades da Cultura de acordo com a demanda de nossos clientes. Convido a todos a fazer o teste de pedir uma transferência na Livraria Cultura sem compromisso de compra e verificar que o que explico aqui é a mais pura verdade. Nossa posição neste sentido é muito firme pois mantemos a mesma filosofia há 62 anos.
Atenciosamente,
Thaís Arruda
Comunicação – Livraria Cultura
Olha, um dos diferenciais da Livraria Cultura sempre foi o atendimento e o foco em fidelizar os clientes. Como disse o Roberto, os funcionários tem liberdade para indicar e até deixar de indicar títulos justamente pela preocupação que se tem em conhecer o perfil do cliente. Acho que o que aconteceu de fato foi um simples mal entendido nessa relação cliente/vendedor. Já solicitei livros que não estavam em estoque na loja da paulista e não precisei pagar por isso. Acho que você deveria consultar uma posição oficial da Livraria sobre isso e esclarecer essa questão para não deixar que a sua frustração, talvez, pela falta de entendimento com o vendedor, traduza-se em informação equivocada. abs.
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