A primeira conclusão da pesquisa do Bivings Group, com os sites dos 100 maiores jornais americanos diz:
“Jornais estão experimenando cada vez mais conteúdo gerado pelo usuário (UGC). O estudo mostrou que 58% dos jornais permitem que seus usuários publiquem fotos, enquanto 18% aceitam vídeo e 15%, artigos. Ou seja, 58% dos jornais disponibilizaram alguma forma de UGC em 2008 enquanto, em 2007, esse índice foi de 24%.”
Soa como música
Mas não me canso de perguntar: por que só agora?
Essa semana, inclusive, soube que uma criatura que RIDICULARIZOU publicamente o jornalismo colaborativo em 2007 passou a apostar nisso agora, no portal onde trabalha. O que a teria feito mudar tão bruscamente de idéia?
Acolho iniciativas de UGC no jornalismo, vindas de onde for. Só me parece uma CONTRADIÇÃO PROFUNDA uma empresa ou um profissional achincalhar com uma idéia e poucos anos depois direcionar seus esforços para o desenvolvimento dela.
Chego à conclusão de que peguei a fase braba do jornalismo colaborativo, ao menos aqui no Brasil. Apanhei tanto para agora ver as coisas que eu dizia serem aclamadas na voz de quem não fazia idéia do que era UGC e open source em 2003. Pior: não conheciam, não acreditavam, não gostavam.
Bom… essa fase não acabou completamente. Mas é pra ficar feliz?

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Bem… quando a Internet começou me parece que poucos acreditam nela. Agora quero encontrar quem consiga viver sem ela.
Castells diz que as empresas, que antes condenaram a Net ao fracasso, agora são uma das principais responsáveis pela imersão social da Internet.
Talvez a resposta para sua questão seja simples – a mesma de antes: se entendeu que é algo irreversível e enfim, cada vez mais lucrativo
Agora resta saber se esses 58% confinam o leitorado produtor de notícias a um gueto tipo Vc no G1 (odeio personalizar, é apenas um exemplo) ou, de fato, trazem essa turma para dentro do noticiário.
É esse passo que está faltando. Acolher, está claro, já virou praxe. E destacar, editar junto ao noticiário?
bjs
Oi Ezequiel! Sim… parece que a resposta é a inevitabilidade de se apostar em conteúdo colaborativo.
Mas honestamente, não sei se fico feliz por algumas pessoas terem finalmente se dado conta disso ou se fico indignada por não terem me ouvido antes e por terem me xingado tanto por pensar numa coisa que agora elas aplaudem!
De verdade… não sei o que sinto ou devo sentir num momento como esse…
Pois é, Alec… Acho que esses 58% ainda estão nesse modelo mais primário de UGC, relegando os cidadãos repórteres a um braço beeeem coadjuvante no noticiário.
Será que o jornalismo colaborativo vai ter fases? De repente a mescla do trabalho dos cidadãos repórteres e dos jornalistas no mesmo ESPAÇO vai ser uma segunda fase?
Fiquei curiosa com isso agora…
Ana,
Enquanto a mídia tradicional não perceber que o cidadão complementa e auxilia seu trabalho (e pode, em alguns momentos, até ser mobilizado para tal), a coisa trava.
Chega de gueto colaborativo, né? Notícia é notícia em qualquer lugar…
“Essa semana, inclusive, soube que uma criatura que RIDICULARIZOU publicamente o jornalismo colaborativo em 2007 passou a apostar nisso agora, no portal onde trabalha. O que a teria feito mudar tão bruscamente de idéia?”
Simples: as pessoas mudam. Ou a Ana Brambilla de 2009 é a mesma de 2005 ou 2000?
Certamente mudei e cresci muito em 4 ou 9 anos, Alexandre. Mas meu caráter e personalidade continuam os mesmos. E não pratico hoje coisas que considerava ERRADAS ou RIDÍCULAS em 2005 ou 2000.
Há mudanças e mudanças. Algumas bem poderiam ser entendidas como estupros de personalidade. É do que essa senhora sofre.
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