O OhmyNews anunciou hoje a descontinuidade do seu sistema tradicional de pagamento por matéria publicada por cidadãos repórteres. Ao invés de pagar 20 mil wons (cerca de USD 20) por artigos com chamada na home, vão premiar mensalmente o material que gerar mais burburinho na web (USD 300) e as duas melhores contribuições na visão dos editores (USD 200 cada). Algo bastante parecido com o que o iG anunciou há um tempo que faria com o Minha Notícia.
Na hora em que a Maria Pastora comentou isso comigo, escrevi ao Jean K. Min, diretor de assuntos internacionais do OMNI, perguntando se ainda receberia a quantia que eu tinha armazenada em meu reporter desk. Ele respondeu poucos minutos depois afirmando categoricamente que eu poderia baixar o dindin no momento que bem quisesse. “Thanks for your kind understanding”, finalizou.
(Nota: dolar baixo, não rola baixar agora da Coreia pro Brasil, ainda mais considerando as putas tarifas de transferência via Western Union.)
Na notificação dessa mudança no sistema de pagamento, que começa em 1º de fevereiro desse ano, o Todd Thacker afirma que a motivação disso é a crise financeira que assola o mundo – inclusive as empresas de mídia.
Como disse meu amigo André Rosa, o Marmota, seria estranho se algo do gênero NÃO ACONTECESSE no OhmyNews.
Há pouco mais de um ano eles já haviam mudado o sistema de pagamento e remuneravam só os artigos top de linha. Outros materiais publicados, mas sem chamada na home não recebiam dindin.
Há quem pense que isso afastaria os cidadãos repórteres. Há quem pense que é o começo do fim. Menos! Beeem menos! Lembro aqui de um episódio em junho de 2008, quando a OhmyTV ameaçou sair do ar por falta de grana e o povo sul-coreano doou USD 130 mil espontaneamente.
Permitam-me, agora, lembrar de um trechinho da minha dissertação, onde entrevistei alguns cidadãos repórteres sobre o que os motivava a tal atividade.
Em negrito, algumas das razões:
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Analisando as respostas dadas pelos cidadãos-repórteres sobre o que os move à atividade, percebe-se que o viés de um envolvimento passional, conforme relatado por Thacker (OMN), é recorrente. Stephanie (CR) fala do “entusiasmo” que sente devido ao fato de seus artigos serem lidos por milhares de pessoas. Ela destaca ainda que o exercício do jornalismo open source faz com que ela “seja alguém”. O sentimento de inclusão em um cenário até então dominado e restrito apenas aos jornalistas é um dos combustíveis mais fortemente registrados pelas respostas.
Kim Hyung-Soon (CR) declara que desejava ter uma vida participativa, sem sentir-se ausente em uma sociedade democratizada onde pudesse compartilhar aspectos culturais. O acesso à informação e ao conhecimento de alta qualidade também o motivaram a se tornar um cidadão-repórter.
A sensação de ser ouvido, de não ser relegado à condição de um leitor passivo no processo de notícias levou Erich Moncada (CR) a se tornar cidadão-repórter. Participar, tornar pública a própria opinião, não ter limites para manifestar-se são razões que se fazem comuns entre Moncada e María Pastora Sandoval Campos (CR) que, ainda em formação de jornalismo, já desejava escrever como uma jornalista profissional.
Roberto Spiezio (CR) confessa que dar sua contribuição para informar as pessoas sempre havia sido algo “atraente”. Ele destaca que sempre gostou de jornalismo e, com isso, revela que alguma mudança foi necessária para que despertasse ainda mais atração pela atividade.
A mudança que possibilitou a Spiezio tornar-se um autor de notícias levou Pierre Joo (CR) a alcançar dois objetivos bastante definidos: confrontar publicamente seus escritos com os de um grande número de pessoas e aprimorar seus conhecimentos acerca de relações entre a Europa – seu continente-natal – e a Ásia.
Percebe-se que, no cerne das razões apresentadas por Joo estão benefícios pessoais, assim como confessa Alex Krabbe (CR), a quem a participação no OhmyNews se instituiu como uma boa alternativa para aprender inglês. Um cidadão-repórter que optou pelo anonimato nesta entrevista (CR) procurava maior audiência para seu trabalho. Deste modo, uniu forças com o OhmyNews e conquistou o espaço midiático que desejava.
O envolvimento pessoal ou o sentimento de coletividade sai de cena quando Omid Habibinia responde, curiosamente, que não desejava se tornar um cidadão-repórter, ainda que o seja. A razão para isso ter acontecido foram pedidos de Todd Thacker para que ele escrevesse artigos ao OhmyNews.
Três correntes básicas se fazem presentes entre as razões que movem a atividade de um cidadão-repórter: o desejo de pertencimento a uma coletividade, aprimoramento de habilidades individuais e a mera resposta à solicitação da atividade. Pode-se afirmar que as duas primeiras razões correspondem à passionalidade erguida por Thacker (OMN) como o combustível que move os cidadãos-repórteres.
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Não encontrei quem dissesse que escreve por dinheiro. Essa não é a intenção do OhmyNews nem acho que deva ser a meta de quem colabora com um noticiário colaborativo.
UPDATED: vale citar que esse post foi feito em parceria de reflexão com o Rafa Sbarai, que trouxe outra perspectiva desse fato. Valeu, Rafa!

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É bacana saber que os cidadãos repórteres não estão interessados na remuneração financeira… Até porque, posso estar falando bobagem, mas acredito que quando se fala de colaboração, o dinheiro fica de lado. Não?
[...] da coisa: até menos de um ano atrás o OhmyNews pagava pelas colaborações. Depois de um tempo, transformou o pagamento em premiação. Agora, evoca os colaboradores a participarem não apenas com fotos, vídeos e textos. Sinal dos [...]
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