Impressionante esse número trazido por um relatório divulgado pelo Twitter, sobre o uso dessa plataforma:
35% dos usuários do Twitter têm 10 ou menos seguidores

Fiquei surpresa porque esse dado evidencia um traço-chave no comportamento dos twitters: expressão em primeiro lugar.
Percebam que é muito mais importante eu me manifestar do que saber o que os outros estão dizendo.
E essa lógica perpassa a maior parte dos ambientes colaborativos que vemos hoje. A “graça” de braços colaborativos de veículos noticiosos, por exemplo, é sempre “AQUI VOCÊ PUBLICA”. Mas nunca se fala sobre “O QUE VOCÊ SÓ ENCONTRA AQUI”.
É uma questão de perspectiva, ok. Mas isso impacta fortemente ao pensarmos na viabilidade editorial e financeira de um ambiente colaborativo.
Afinal: aquele lugar só é bom para quem escreve ou também é bom para quem lê?
Parece que o Twitter está sendo bom para quem lê. Mas é melhor ainda para quem escreve.
**Valeu pela dica, Sérgio Ludtke!

Related Articles
19 users responded in this post
Eu pessoalmente ainda não consegui achar graça suficiente no Twitter pra usar todo dia – mas continuo tentando quando dá. Acho que esses dados me esclarecem mais ou menos porque a plataforma não me atrai. Ainda sou do tempo do “escreveu, não leu…”
Argh. Leia-se “me esclarecem mais ou menos POR QUE a plataforma não me atrai”. Gordo burro.
Realmente, Ana, é uma perspectiva interessante. Enquanto em listas de discussão as pessoas mais lêem do que escrevem, a dinâmica é outra em blogs e no próprio Twitter. Mas é preciso considerar dois pontos importantes.
Primeiro, a leitura no Twitter é muito caótica. Ao mesmo tempo que esta é uma das características mais notáveis da ferramenta, é também um de seus pontos negativos. Suficiente para que os usuários tenham menos seguidores?
Segundo, acho que a rede da maioria das pessoas é realmente pequena, e a tendência é que cada um tenha menos seguidores. Alguns entram porque o amigo indicou, fica com medo daquela entropia toda no início, e só depois de muito tempo “se solta” e consegue acompanhar. Muitos desistem (não sei se a sondagem considera apenas usuários ativos), certamente.
Mas é claro que meus centavos estão longe de invalidar sua evidência. Lancei-os apenas pra complementar a discussão que, pra variar, é instigante. Beijos!
Ai, eu e minha mania de não revisar… Favor considerar “ficam”, “se soltam” e “conseguem”, no penúltimo parágrafo.
Rafael, e olha que nem eu e nem tu nos metemos com a nova ortografia!
Ana,
Eu entendo que a conversação no microblog (evito personificar a ferramenta), além da qualidade e utilidade do que se escreve e reenvia, é diretamente proporcional à quantidade de “seguidores”.
É bastante provável que essa maioria de 35% de usuários com até dez seguidores tenha atividade baixíssima na plataforma e, ainda pior, limite-se a responder à pergunta “o que vc está fazendo?”.
Acho que um cruzamento entre esses dados daria uma pista mais precisa.
abs
Concordo com o Alec, acho complicado associar o número baixo de seguidores a uma pura e simples “vontade de falar”, não importando se está sendo ouvido… Me arrisco a dizer que muitos deste com até 10 seguidores já abandonaram suas contas. Abs, Carlos
Oi Rapha! Valeu pelo comentário.
Putz… eu titubeei para entrar até agora, justamente por conta da tal entropia…
Mas tens razão nos teus “centavos”. Aliás, essa minha interpretação pode ser prematura. A pesquisa é bem maior.
Mas não vejo esse traço comportamental como negativo. É aquela velha história… Quase sempre qualidade se sobrepõe à quantidade, né?
beijo!
Carlos e Alec, não se trata de apenas esses 35% terem vontade de falar. Como comentei antes, é possível que a qualidade das micropostagens desse grupo seja superior à daqueles que têm vários seguidores e que seguem outros tantos twitters.
Também não faço idéia da atividade dessa galera. Pode ser vestígio de inatividade, claro. Mas quando se vê esse número essa interpretação que fiz não é possível?
(É dúvida mesmo… Fiquei alguns bons minutos pensando nisso antes de postar e a intenção era mesmo conversar isso com vocês.)
Abraços!
Ana, eu tendo a relacionar a baixa conectividade a outros usuários como reflexo da qualidade da micropostagem _ou à ausência dela.
Na medida em que o que vc posta é útil (isso em primeiro lugar), interessante (do ponto de vista intelectual) ou divertido (sim, há espaço para humor no microblog), a teia tende a crescer, não te parece?
Agora, como rede social para dispositivos móveis, por que não pensar no microblog como o ponto de partida para estabelecer comunidades pessoais (de dez ou menos pessoas mesmo) para trocar informações pessoais, dizer onde se está (o Brightkite te dá até um mapa instantâneo), fazer comentários específicos para um grupo restrito (e cifrados aos demais)…
Uma conta administrada desta forma certamente tem tudo para não ver o número de followers crescer.
abs
Um pouco no chutômetro, acho que só tem poucos seguidores no Twitter quem não se esforça nada para seguir (e ser seguido). Fora isso, só o sujeito for um “chato de galocha”
. Quanto à entropia, é o problema do Twitter. A formação de grupos de interesse me parece a solução mais óbvia. Abs, Carlos
Bah, Alec, excelente leitura! Concordo que as coisas comecem pela qualidade de um micropost. Aliás… vocês, que estão há mais tempo nesse território podem comentar com muito mais propriedade do que eu, que recomecei a explorar esses dias.
E fiquei curiosa sobre essas redes comunidades pessoais que começam em microblog. Seriam “presenciais”? Ou mais íntimas?
Putz, mas daí eu penso: por que o diálogo tem que ser público? Um instant messenger com conferência não resolveria?
abraço!
Relendo o post, fiquei com uma dúvida: você acha que os 35% dos usuários terem 10 ou menos seguidores é um número alto ou baixo?
Achei o número alto, Rapha… Tu não?
Ana,
Vejo as comunidades pessoais nascidas no microblog como “presenciais” sim. É por isso que esses mashups, como os que te dão mapas de onde você está, funcionam tão bem.
Acho que o resultado obtido é diferente de um messenger com conferência: antes de mais nada, tuas intervenções ficam ali registradas e podem ser consultadas a qualquer tempo.
Quanto a ser público: de fato a conversação é pública, mas restrita a uma comunidade bem pequena, né? Tudo bem, fosse uma rede alimentada por torpedos de celulares, seria totalmente restrita. Mas com tão poucos followers, mesmo a conversação no microblog ficaria de certa forma preservada, não?
bjs
Ah, tá. Mas, então, se achamos que há muitos usuários com poucos seguidores, é porque esses usuários têm uma audiência baixa, certo? Se esse é o gancho do seu texto, a conclusão não deveria ser outra, isto é, que é mais importante eu saber o que estou dizendo do que eu me manifestar? (claro que nesse caso seria preciso identificar quantos são os seguidos)
Chego tarde ao debate mas espero poder acrescentar um ponto. Tenho um amigo que diz que na internet as pessoas agem como a água que busca sempre um ponto de dispersão. E minha crença sempre foi esta: os aplicativos e plataformas (blogs, microblogs, redes etc) acabam se tornando aquilo que as pessoas fazem delas. É um universo em transformação. O Twitter é uma prova disso, ele serve para diversos usos, mesmo sendo uma aplicação minimalista. Prova maior é que surgem diariamente novas aplicações para o que brota do twitter. Eu, por exemplo, resolvi minha incapacidade de leitura de tudo o que sigo, na velocidade que me é exigida, organizando o mocotó com a criação de grupos (pessoais, profissionais e outros ais) com o tweetdeck e organizando as conversações com o tweetree. E funciona.
Como vi numa camiseta pora í, o twitter é “a melhor maneira de falar sozinho” rsrs
Confira esta primeira parte de uma pesquisa (publicada ontem) sobre Twitter no Brasil http://pontomidia.com.br/raquel/arquivos/pesquisa_sobre_o_twitter_i.html
Tem dados importantes para complementar esta sua leitura.
Leave A Reply