Uma saraivada de tiros tirou meu sossego há menos de uma hora, aqui no bairro Cristo Redentor, na zona norte de Porto Alegre.
Pela data, pensei que fossem foguetes. Mas a irregularidade dos estouros e a quantidade de sirenes que ouvi logo em seguida me acordaram (literalmente) para a realidade.
A Mãe gritou da sala: “É tiro! Fica deitada!” Só espiava pela janela. As pessoas que estavam na rua corriam no sentido da Adão Baiño. O fugunço era nas bandas do Hospital Conceição, onde as pessoas estavam em peso nas sacadas. Os carros davam pisca para a direita e em seguida seguiam reto.
Enquanto isso, um helicóptero sobrevoava a minha casa e os arredores. Eu nada sabia o que acontecia.
Liguei TV. Nada. Rádio e internet. Nada! Tava dando um nervoso na gente…
Meia hora depois o Chamada Geral, da rádio Gaúcha, nos contou que o Banco do Brasil do Hospital Conceição havia sofrido uma tentativa de assalto e que o pessoal do 11º BPM combateu, matando um bandido e ferindo dois. Ao menos um assaltante estaria foragido. O helicóptero estava explicado.
Trinta e sete minutos depois, o Plantão da ZeroHora.com trouxe outros detalhes. É duro reconhecer, mas nessa história o rádio ainda bateu a internet…

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Ana, não precisamos ir nadica longe no que diz respeito a essa inoperância e também alguns prolongamentos que ela guarda consigo.
Hoje mesmo liguei na CBN, na Globo News, na BandNews ( tv e rádio ) e me parece que a grande notícia no mundo hoje, o massacre que impõe Israel aos palestinos em Gaza, não existe. Na CBN falavam de tratamentos alternativos pra asma. Na BandNews tv passava gols da Copa da Inglaterra ( bárbaro, amo gols ) na rádio repetiam pela enésima vez a Roseli Sayão falando de pais e filhos. Na Globo News dicas sobre reciclagem eram cuidadosamente dadas.
Deus do céu! E o que se passa em Gaza? É tão básico que um Estado cometendo crimes de guerra acontecendo ao vivo, tem imagens, é muito mais importante que a festa anual do moranguinho de Quintão, ou a apresentação dos sambas-enredo do pujante carnaval de Porto Alegre. Será que eu tô doido?
Dando um exemplo concreto, a Rádio Gaúcha fez das suas ( de sempre ) na época que o escândalo do Detran explodiu ( nunca vou me esquecer no meio do depoimento do Lair Ferst, transmitindo na íntegra só pela Bandeirantes ) ia ao ar uma matéria que falava das vantagens que morar na praia do Imbé oferecia para pessoas aposentadas….
Por mais que exista incompetência e gente despreparada trabalhando nos meios de comunicação, também não consigo acreditar que haja tanto despreparo e falta de noção do mínimo. Enquanto um acontecimento de proporções gigantescas ocorre não se fala de reciclagem, os gols se guardam e do assunto importante se fala. Por mais que o patrão não goste de falar no assunto ( Sirotsky pra ser mais exato, apesar dos outros também fazerem igual ) e por mais que ir contra a opinião do santo patrão borre os funcionários de medo, não dá pra tapar a existência dos fatos e fingir que não tá acontecendo nada, essa submissão aos interesses do patrão me enoja, profundamente.
Posso ter fugido do tópico, mas o assunto me convidou a falar disso. É grave demais amenidades vão pro ar enquanto um povo é massacrado, enquanto um genocídio acontece. Pior ainda, quem vive de dar notícias, deve dar as notícias, é a obrigação desses profissionais.
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