Neste último mês, quando estive de férias em Porto Alegre, recuperei meus cadernos do mestrado e algumas revistas Famecospara clarear as idéias sobre os fenômenos sociais contemporâneos intimamente ligados a (ou por) tecnologias.

Enquanto preparava uma aula sobre a trinca Levy + Wolton + Maffesoli, encontrei uma anotação que fiz durante uma aula que tive com o Wolton na PUCRS, quando ele disse que as tecnologias são segregacionistas porque sua fruição é limitada a quem tem APTIDÃO.

Entende-se, claro, que APTIDÃO aí não é apenas o “saber mexer no computador” ou utilizar mais de 5% dos recursos de um iPhone. Mas remete a entender o funcionamento, a lógica, a ética (ou estética) do universo digital.

Então, novamente enriquecendo este Libellus, Altieres Rohr tocou justamente nesse ponto:

“Com o tempo as pessoas vão ficando “espertas” com a internet, vão aprendendo a identificar os “trolls”, as mentiras, a citar referências, fontes… a separar o joio do trigo, como se diz. Os fóruns e listas moderadas hoje já fazem isso e existe uma consciência crescente a respeito da credibilidade e seriedade necessária para que a troca de conhecimentos aconteça.”

Para melhorar a reflexão, Cyro Salgado complementou:
“… aos poucos, os integrantes aprendem a citar referências, mediar os próprios debates e identificar os boatos.”

É bem por aí, guris! Quando o Wolton diz que as tecnologias só podem ser usadas por quem tem aptidão, é dessa esperteza, desse jogo de cintura que está falando. Agora… temos que combinar que isso é algo que se adquire, se desenvolve. Aptidão, nesse caso, é fruto de hábito de navegação e vida online.