Meu colega e amigo Madu escreveu algo interessante dia desses:
“… muito do “colaborativo” no Brasil e reativo —e não pró-ativo. É preciso primeiro que a imprensa tradicional noticie que o Speedy caiu para que, depois disso, sites interativos questionem o internauta e peçam a ele que divida sua experiência. Na minha visão, isso ainda é colaboração 1.0, ainda é deixar a mídia no centro do palco, apenas trazendo novos personagens ao material jornalístico —na verdade, barateando o custo de “encontrar” personagens, mas chamando-os a manifestarem-se por si próprios.”
O Madu trouxe uma variável do que abordei no artigo Colaboração essencial versus Colaboração tangencial, publicado no Webinsider ano passado, quando me dei conta da necessidade da mídia em se manter no centro das atividades de um site e só deixar um cantinhozículo para o internauta se manifestar.
Para piorar, chamam isso de 2.0…
Ainda acredito na colaboração como foco, missão e essência de um site. Ou estou sendo altamente xiita?

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Tá xiita não, Ana! =)
A questão, acredito, passa por coisas que estão fora do mero alcance da mídia. Quando penso na colaboração pró-ativa, imagino um país com melhores níveis de educação e participação na democracia. Claro, podemos contribuir para isso estando dentro da mídia, mas esta é muito mais uma questão social (e diria até cultural) que midiática.
E isso dá pano pra manga, não dá?
Beijão!
Madu
Dá, sim, Madu. E como!
Te confesso que na hora que te li e escrevi esse post me ocorreu algo como “falta de cultura de colaboração” entre as justificativas para esse movimento ainda tão centralizador da figura do emissor, mesmo em tempos 2.0.
Daí, caro amigo, é preocupação que a gente DEVE compartilhar com antropólogos e sociólogos. Algo que, aliás, tá caindo de maduro na pesquisa acadêmica…
beijos!
Será que é mesmo uma questão cultural?
O Orkut não faz nenhuma definição de tema e todo tipo de discussão acontece nas suas numerosas comunidades.
O mesmo pode ser dito a respeito do berço da Internet (BBS e USENET), além dos grupos e listas de discussão no Google e no Yahoo!.
Aposto que, independentemente da mídia solicitar ou não a colaboração do internauta sobre algo, haverá uma discussão a respeito, em algum lugar.
Pode ser que nada disso seja jornalismo. Certamente, todos estes fóruns estão recheados de mentiras e meias-verdades. Mas penso que, se houvesse uma resistência cultural/social à colaboração, não veríamos nem isso.
Talvez seja apenas o caso de dar um tempo para que as pessoas compreendam o tipo de abertura e colaboração que a Internet permite dentro da antes fechada mídia tradicional? Ou estou sendo otimista demais?
Abraço =)
Ana e Madu, permitam-me entrar na discussão: concordo plenamente com os dois. Acredito que, antes da colaboração, vem um problema bem maior e já conhecido: o da educação. Não estou falando apenas de cultura de colaboração ou alfabetização digital, mas sim, de educação no sentido mais amplo possível. Ler, interpretar, escrever, opinar e, finalmente… COLABORAR! Abraços!
Creio que quando realmente tivermos uma web 2.0, estaremos convencidos de que a atual era somente a 1.0. Ou uma fase de transição, para não sermos tão pessimistas.
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