“Publishers devem construir seus negócios sobre a audiência – não sobre o conteúdo”

Bacanuda essa sessão de idéias para promover players da mídia off e on organizada pelo site Editor & Publisher e pela Nielsen Business Media.

Uma das palestras – e talvez a mais interessante – tenha sido a da Sarah Rotman Epps, analista da Forrester Research, que abriu o painel com uma cartada de mestre:

“Publishers devem construir seus negócios sobre a audiência – não sobre o conteúdo”

Vocês têm noção do impacto que isso causa nas grandes empresas de comunicação?

Até bem pouco tempo me engajava na corrente de que esses players não deviam mais posicionar-se como “emissora de TV”, “editora de jornal” etc. Mas como “produtor de conteúdo”, o que habilitaria tal empresa a potencializar aquilo que faz melhor – conteúdo editorial – e veicular seu diferencial em qualquer plataforma.

Isso já não parece suficiente. E conteúdo está próximo de não ser mais um diferencial. Será porque a rede é vista como sinônimo de saturação de conteúdo? Informação virou commoditie? Tendo fortemente a responder “sim”.

Lembrem-se de que a Sarah falava do “negócio” dos publishers… It means… dindin! Enquanto a receita dessa fatia editorial do tecnomundo ainda vir da publicidade (e não vejo muito caminho para isso mudar, a despeito da completa inadequação das métricas de audiência), a realidade nos diz que conteúdo não é sinônimo de tráfego:

- “RSS and blogs allow content consumption without generating direct ad revenue for publishers.”

O público online consome, sim, informações. Mas não paga por elas. Oras, a cultura digital já nasce dentro da lógica do gratuito.

Daí ela aponta que 43% dos internautas norte-americanos personalizam conteúdo em suas próprias páginas ou agregadores de RSS. Isso não gera tráfego, nem pageviews, nem impressões de banners… portanto, “no dindin”!

Ok. Então COMO faremos internet?

Sarah arrisca um palpite:

- “Aggregate content and functionality needed to meet key audience goals”

Isso passa por fazer dos sites uma presença ÚTIL das publicações na internet. E “ser útil”, nessa hora, não é só trazer matérias com serviço. É oferecer ferramenta, customização, integração com a vida offline, convívio, proximidade com as redações… que deixam de ser apenas pólos produtores de conteúdo e passam a ser agregadores sociais.

Sarah complementa:

- “Use social technologies to get your audience to engage with you –and each other. Listening, talking, supporting, energizing, embracing

O exemplo acima, do MyPost, do Washington Post é bem bacana. Num trackback básico, eles prestigiam quem replica o link da página deles comentando o conteúdo. (Sim, deve haver algum cuidado editorial).

Mas o movimento não precisa ser só o de trazer o conteúdo do internauta para dentro do teu site. Nem deve limitar-se a isso.

Algo que não é novo mas sempre bom de lembrar é que o internauta JÁ PRODUZ muito conteúdo DE QUALIDADE em sites que elegeu como seus tótens (bah! baixou o Maffesoli agora!).

Nesses casos, o jeito é ir atrás deles e consolidar a presença da marca:

Sei que syndication envolve relações comerciais de venda de conteúdo. Mas seu ponto de partida é essa presença “out of site”:

Fala, Sarah:

- “Syndication means going to where your readers spend most of their time”

É um jeito de trabalhar conteúdo, sim, mas de uma forma dinâmica em ambientes F.A.B. (não, nada a ver com Força Aérea Brasileira) – “For And By” readers.

Sim, a CNN “se mistura” com o público. Sim, a Associated Press almoça no mesmo bandejão dos reles mortais e ambas publicam seus vídeos no YouTube.

No caso da AP, só falta permitir que o internauta “carimbe” o seu vídeo com a marca da agência.

***

Com informações da Carta do Editor, da Abril e do keynote da Forester.

About Ana Brambilla

Sou jornalista, me interesso por processos colaborativos em mídias digitais, nasci em Porto Alegre, moro aqui mas amo São Paulo ^.^
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2 Responses to “Publishers devem construir seus negócios sobre a audiência – não sobre o conteúdo”

  1. Grande post, Ana! Você não teria os links para nos indicar? Abs, Carlos

  2. Infelizmente não adianta eu publicar os links, Carlos, já que eles direcionam para páginas internas, da Intranet da Abril.
    Apesar disso, não é conteúdo sigiloso, não ;)
    beijo

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