Thalles Waicher pergunta: o furo jornalístico existe na Internet?

Daquele baú de coisas que a gente leu mas não lembra onde, encontrei uma reflexão sobre os diferenciais da internet perante os demais meios. E uma das coisas ditas foi essa: quando o assunto é “furo jornalístico”, o rádio ainda pode correr mais rápido. Ainda tem redação de site, inclusive, que faz rádio-escuta para alimentar seu noticiário - dizia esse texto.

São lógicas diferentes. Aqui o tempo conta menos que o sistema de produção da informação.

O rádio não é só um meio de difusão de informação. Ele se insere na lógica de funcionamento de uma emissora, uma empresa jornalística com filtros, marca a zelar e um trabalho de apuração não raramente cerceado por constrangimentos.

A internet também não pode ser tida, a essa hora, como um suporte. Antes disso, quem está por trás de uma informação publicada na rede?

Se for uma empresa de comunicação tal como aquela que empresta sua marca à emissora de rádio, o engessamento pode ser o mesmo ou maior. Se for um blogueiro ou twitteiro qualquer, a informação pode ganhar asas mesmo antes de atingir a velocidade limite para decolagem… e aí mora o perigo.

Muito se questiona o processo lento de apuração jornalística. Mas esses questionamentos nem sempre consideram a hipótese da informação dada com rapidez e incosistência.

Não, agilidade não é sinônimo de trabalho ruim. Só não acho que dê para extrair regras daí.

Se deixarmos de lado a esfera - e a preocupação - jornalística, eu diria que os principais furos vêm dos amigos, da tua rede de contatos, do networking. Daí não esquenta com o lance da apuração, da checagem, da veracidade, do boato… Se um amigo der uma barrigada, tudo bem, ele é amigo e tu perdoas. Mas se um veículo fizer isso, não, não perdoe. Ele não pode sair por aí dizendo que caiu avião em Congonhas…

Presenciamos novos hábitos de obter informação. E me parece que aí sim a internet pode superar os demais meios.