Mon 14 Apr 2008
O jornalismo hiperlocal toma forma n’O Globo Online.
Depois de oferecer o Eu-Repórter, o veículo abre espaço para Bairros.com, um blog dividido em categorias referentes a regiões e aos principais bairros do Rio de Janeiro, online desde o último domingo.
As pautas evidenciam muito claramente a que veio o jornalismo hiperlocal: são eventos de terceira idade, personagem folclórico, sinaleira quebrada, encontros de família, festa de escola…
Alguns relatos marcam bem o discurso que quase pode ser chamado de “gênero próprio jornalismo colaborativo”:
Então é um blog colaborativo? Pois onde posso colaborar?
O iconezito está timidamente situado na coluna da direita, no segundo scroll da página. Quer dizer… eu ACHO que é por ali que escrevo os posts com as notícias do meu bairro. Isso não fica claro.
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A dinâmica de funcionamento do blog não é explicada em nenhum lugar. Senti falta de um “Sobre nós” ou “Quem somos” ou algo do gênero.
É possível que o convite à colaboração esteja ainda tão encolhidinho porque o blog Bairros.com é, antes, um espaço produzido por repórteres profissionais.
Percebam a nota n’O Globo Online:
“A página será um portal onde cada região do Grande Rio terá um blog próprio, abastecido pelos repórteres dos Jornais de Bairros com o auxílio - cada vez mais imprescindível - dos próprios leitores.” (grifo meu)
A nota segue dizendo que o espaço também se prestará aos jornalistas contarem os bastidores de reportagens, ao estilo do post “As voltas que a vida dá“, de Cássio Bruno:
“A matéria de capa do GLOBO-Niterói de hoje passou por diversas transformações até chegar no formato que o leitor pode conferir no Globo Digital - somente para assinantes. No final de fevereiro recebi um material de divulgação sobre um evento novo chamado “Palco astronauta”, que seria realizado mensalmente, no Convés, em São Domingos, para dar espaço a bandas independentes da cidade. A partir daí, surgiu a idéia de fazer um roteiro dos locais onde essas bandas se apresentam. (…)”
Além disso, o blog tem colunistas fixos.
Tudo é muito lindo, mas… a sobrecarga de espaços e propósitos editoriais destinados à redação me faz parecer que a expressão “A sua comunidade na web” seja altamente falaciosa.
Que comunidade é essa que a gente não consegue entrar em contato com seus membros? Que comunidade é essa que a gente não sabe como funciona? (Tive que ler a nota n’O Globo Online para entender minimamente.)
O Pedro Markun também aponta algumas questões que devem ser melhoradas.
Sim, eles estão apenas começando. Mas esse uso marketeiro (aqui, pejorativamente falando) do termo “comunidade” me irrita. TUDO virou comunidade! Um simples fórum já é chamado a altos brados de CO-MU-NI-DA-DE! Um blog com espaço para comentários, idem.
Parece que falta alguém dizer a esses fazedores-de-site que comunidade é coisa séria, implica em laços, identidades, foco, comprometimento…
Anyway, vamos dar uma chance para os caras porque a proposta é boa. Mas deve se ajustar àquilo que promete.
Valeu a dica, Pedro!
April 14th, 2008 at 4:25 pm
A proposta é ótima, digna de ser imitada no que tem de bom e melhorada no que tem de péssimo.
April 18th, 2008 at 7:03 pm
Participação + foco local… O futuro passa por aí…
April 23rd, 2008 at 3:48 pm
Ana, concordo com o Leonardo. A idéia é ótima. Claro que o conceito de comunidade foi marketeiro sim e que há muita coisa a ser feita para que o portal se torne realmente uma comunidade. Comentei ainda esses dias com alguém de que eu gostaria muito de ter um portal com notícias do bairro onde moro (Pirituba) e não apenas um jornalzinho de bairro das antigas que promove aquele povo “jantariano”. Pra ser jornalismo hiperlocal é preciso abrir o portal para os moradores colaborarem muito mais. O problema disso tudo é gente suficiente pra gerenciar o conteúdo. Esse acho que é um grande dilema dos grandes veículos hoje. De qualquer forma, achei a iniciativa boa e que deve render bons frutos no futuro.
August 18th, 2008 at 11:41 pm
Moro no Bairro do Rio Comprido, e na rua Cândido de Oliveira, do lado do número 562, tem uma cachoeira de esgoto, desembocando na rua. No número 566, é uma escadaria e a água de esgoto fica chorrando o dia todo, causando um mau cheiro e mosquitos. Nesta mesma rua Cândido de Oliveira, quase na esquina da rua Gumercindo Bessa, tem um vazamento de água potável também jorrando o dia todo. Só falta a Cedae tomar providências