April 2008


A campanha para o Dia das Mães, das Casas Bahia, abraçou a colaboração e, apesar de não trazer novidade no cenário midiático, reforça o movimento de trazer o consumidor para dentro das peças publicitárias.

“Mãe Merece Sempre Dedicação Total” entregou câmeras de vídeo nas mãos de 30 mulheres, com a missão de entregar registros de cenas do dia-a-dia com seus filhos.

Paralelamente, no site, mamys podem enviar suas propostas de comercial em vídeos de até um minuto para serem votadas e então veiculadas, sob as bênçãos do YouTube.

Nescau já fez isso. Skol já fez isso. Doritos já fez isso. Como disse, não é novidade. Mas parece bacana.

Valeu a dica, Glau Gasparetto! ;)

Um estudo apresentado hoje pela eMarketer avalia as potencialidades de lucro do conteúdo gerado pelo usuário (UGC), o “User-Generated Content: In Pursuit of Ad Dollars“.

O artigo que me foi enviado pelo Walter Toscano chama-se “Can User-Generated Content Generate Revenue?” e apresenta alguns números interessantes.

1) A projeção que a eMarketer faz é de que hoje existem cerca de 77 milhões de produtores de conteúdo somente nos Estados Unidos. A perspectiva é de que, em 2012 esse índice chegue a 108 milhões.

E o relato destaca, aos céticos e advogados do diabo: “The content is being read, seen and heard, too.”

2) … Pois o número de consumidores de UGC, também naquele país, chega a 94 milhões hoje, com projeção de atingir a marca dos 130 milhões dentro dos próximos 4 anos.

Os ambientes onde acontece essa fruição podem ser desde empresas clássicas como a CNN, até com tons tradicionais, como a MSNBC, chegando a startups, como YouNewsTV.

Paul Verna, analista sênior da eMarketer, justifica assim um provável aumento da verba publicitária em iniciativas de UGC.

O incentivo dos anunciantes a esse tipo de conteúdo pode não ser imediato, mas será significativo. O relatório antecipa que o lucro obtido por projetos de UGC, hoje fixado em US$ 162 milhões, pode subir para US$ 824 milhões até 2012.

Estou na torcida!!

A prefeitura de Curitiba resolveu entrar na “onda” do jornalismo colaborativo e lançou o “Eu Repórter Cidadão“.

A proposta é para os curitibanos gravarem e enviarem vídeos de até 1 minutos, onde noticiem algo que aconteça em seus bairros. Os melhores ou mais bem votados viram um informa publicitário da administração local e são veiculados na TV aberta.

Sim, vocês leram isso: informe publicitário. E chamam isso de REPÓRTER CIDADÃO! Tô chocada!

Creches, pavimentação, transporte, segurança, centro de emergência médica, moradia populares… Ou vocês acham que surgiria alguma denúncia contra a prefeitura nessa programação?

Antes o povo envia os videozitos para lá só se identificando e dizendo que querem ser “Repórter por um d…” OPS! Não, não é pro Fantástico. É para a propaganda eleitoreira antecipada e fora de hora da prefeitura de Curitiba. Então “Quero ser repórter cidadão. Vote em mim!”

Olha o perigo da banalização do jornalismo colaborativo, olha o MAU USO ou o USO DISTORCIDO que se tem feito do potencial do público…

Será que o fato de esferas políticas ancorarem iniciativas assim não denota uma falta de zêlo dos jornalistas por um território que lhes é de responsabilidade?

Thanks pela dica, Juan Saavedra, via Jornalistas da Web.

A Newspaper Association of America recém publicou um relatório intitulado Citizen Journalism and Newspaper Sites: The Revolution will be Uploaded (pdf).

Trata-se de um documento retratando a relação entre jornais impressos e jornalismo cidadão nos Estados Unidos. Neste país, aliás, o relatório identifica a existência de 450 sites de jornalismo colaborativo.

citizen journalism map usa

O relatório fala de jornalismo hiperlocal e produzido pelo público. A relação com o impresso aparece provocada por duas características:

1) cidades pequenas, interioranas, mesmo nos Estados Unidos têm um índice de conexão ainda baixo, o que faz o papel ainda ter grande valor por lá.

2) principalmente nessas localidades, a faixa etária da população é elevada, o que não faz do meio digital um ambiente agregador.

Abrindo aspas para o editor do Rye Reflections, Jack Driscoll:

“For example, citizen journalism sites can help traditional media outlets identify underreported stories that have resonance with key audience segments, he argues. In return, they could consider partnerships in which they’d run links to such sites’ most popular stories.”

Perfeito! É para isso mesmo que serve o jornalismo cidadão: para suprir as lacunas que a reportagem de um veículo deixa na sociedade e que, nem por isso, correspondem a fatos irrelevantes.

O trabalho não deixa de lado a internet, ao contrário. A todo o momento, jornais impressos dialogam com a web. O título não é gratuito: de acordo com Lennox Yearwood Jr., CEO da Hip Hop Caucus, “The revolution may not be televised, but it will be uploaded”.

Conheci hoje o CBS iMobile - ou eyemobile, no trocadilho que eles propõem.

O que me causou excelente impressão da iniciativa não foi apenas o fato de ser um noticiário colaborativo composto por conteúdo produzido e publicado via celular porque já falamos disso há mais de um ano. O que me pareceu mais bacana foi a cara “primeira pessoa” do site; a começar pela zona quente da página, ocupada pela inscrição: “Breaking News Where I Am“.

Observem o

Essa frase revela muito, talvez tudo sobre o site. Me diz que o site traz conteúdo:
* instantâneo
* móvel e
* colaborativo

Os nomes dos menus me pareceram muito adequados - todos em primeira pessoa também: My Politics, Weather Where I Am, I Cover Sports and Outdoors, News From My Room … (apesar de que isso me fez pensar o que acontece no meu quarto que possa virar notícia… anyway…)

Confiram um mini tutorialzito que mostra como enviar fotos, vídeos e alguma notinha via SMS ou MMS.

Recém-lançado, esse projeto ainda não tem muito conteúdo. Mas não tá vaziozão. Protestos contra a China, eleições norte-americanas, situação nas estradas e alguns depoimentos prevalecem no site. Mas entrou para a lista da ronda. Sem demora, aposto que haverá muita coisa de qualidade por ali.

Deu no Metro (PDF) de hoje que o Orkut já está disponível por celular.

Lembro que um dos maiores usos de plataformas mobile na Coréia do Sul antes do MobileTV era o Cyworld, o Orkut enfeitadinho de lá.

Será que agora a conexão por celular decola no Brasil?

A publicidade sempre é a vilã na história do jornalismo. Se vende muito, prostitui. Se vende pouco, fecha jornal.

A coisa não chegou a tanto, mas falta pouco para o Le Monde Diplomatique, cuja edição de terça-feira (que circula às segundas sabe-se lá quem já foi para a Europa) não chegou às bancas em função da greve dos funcionários.

O alvo do protesto é o plano de recuperação econômica da empresa, onde estão previstas 130 demissões (entre elas, até 90 jornalistas podem perder o emprego ou 25% da redação do Le Monde).

Vejam esse trecho da notícia veiculada pela BBC Brasil:

Os jornais franceses enfrentam dificuldades devido à queda de receitas publicitárias, que foram desviadas para sites na internet.
Para contornar o problema, os grandes diários ampliaram seus sites para atrair novamente os anunciantes que estão preferindo investir na internet do que na imprensa escrita.

Ainda segundo a nota, o próximo jornal da lista a sofrer cortes é o Le Figaro.

Maldita!! Só porque a tal da verba publicitária some a gente fica sem emprego?

A-há! Mas ela NÃO SUMIU! Ela MIGROU para a web como há tanto tempo se insiste e se fala e se avisa e se alerta aos grandes grupos de comunicação tradicional…

Olha, inovem! Olha, integrem suas mídias! Olha, a internet tá crescendo… Eles não ouviram. Pena que tantas cabeças tenham que rolar no que parece um nítido caso de falta de visão web e cultura digital.

Obrigada pela dica, Fernanda Carneiro!

O jornalismo hiperlocal toma forma n’O Globo Online.

Depois de oferecer o Eu-Repórter, o veículo abre espaço para Bairros.com, um blog dividido em categorias referentes a regiões e aos principais bairros do Rio de Janeiro, online desde o último domingo.

As pautas evidenciam muito claramente a que veio o jornalismo hiperlocal: são eventos de terceira idade, personagem folclórico, sinaleira quebrada, encontros de família, festa de escola…

Alguns relatos marcam bem o discurso que quase pode ser chamado de “gênero próprio jornalismo colaborativo”:

A cena ao lado foi registrada sábado, por volta de 17h, da janela de um prédio na Avenida Visconde de Albuquerque, no Leblon. Ao ver o balão descendo lentamente, em direção ao luxuoso Jardim Pernambuco, lembrei dos meus tempos de menino lá no subúrbio da Vila da Penha. Sempre que um balão vinha caindo, uma multidão, de crianças e adultos, digladiava-se para apanhá-lo.

Então é um blog colaborativo? Pois onde posso colaborar?

O iconezito está timidamente situado na coluna da direita, no segundo scroll da página. Quer dizer… eu ACHO que é por ali que escrevo os posts com as notícias do meu bairro. Isso não fica claro.

A dinâmica de funcionamento do blog não é explicada em nenhum lugar. Senti falta de um “Sobre nós” ou “Quem somos” ou algo do gênero.

É possível que o convite à colaboração esteja ainda tão encolhidinho porque o blog Bairros.com é, antes, um espaço produzido por repórteres profissionais.

Percebam a nota n’O Globo Online:

“A página será um portal onde cada região do Grande Rio terá um blog próprio, abastecido pelos repórteres dos Jornais de Bairros com o auxílio - cada vez mais imprescindível - dos próprios leitores.” (grifo meu)

A nota segue dizendo que o espaço também se prestará aos jornalistas contarem os bastidores de reportagens, ao estilo do post “As voltas que a vida dá“, de Cássio Bruno:

“A matéria de capa do GLOBO-Niterói de hoje passou por diversas transformações até chegar no formato que o leitor pode conferir no Globo Digital - somente para assinantes. No final de fevereiro recebi um material de divulgação sobre um evento novo chamado “Palco astronauta”, que seria realizado mensalmente, no Convés, em São Domingos, para dar espaço a bandas independentes da cidade. A partir daí, surgiu a idéia de fazer um roteiro dos locais onde essas bandas se apresentam. (…)”

Além disso, o blog tem colunistas fixos.

Tudo é muito lindo, mas… a sobrecarga de espaços e propósitos editoriais destinados à redação me faz parecer que a expressão “A sua comunidade na web” seja altamente falaciosa.

Que comunidade é essa que a gente não consegue entrar em contato com seus membros? Que comunidade é essa que a gente não sabe como funciona? (Tive que ler a nota n’O Globo Online para entender minimamente.)

O Pedro Markun também aponta algumas questões que devem ser melhoradas.

Sim, eles estão apenas começando. Mas esse uso marketeiro (aqui, pejorativamente falando) do termo “comunidade” me irrita. TUDO virou comunidade! Um simples fórum já é chamado a altos brados de CO-MU-NI-DA-DE! Um blog com espaço para comentários, idem.

Parece que falta alguém dizer a esses fazedores-de-site que comunidade é coisa séria, implica em laços, identidades, foco, comprometimento…

Anyway, vamos dar uma chance para os caras porque a proposta é boa. Mas deve se ajustar àquilo que promete.

Valeu a dica, Pedro!

Os editores de jornais norte-americanos têm levado a sério aquela história de que precisam se reconfigurar diante da mídia digital.

O Comunique-se traz uma compilação dos principais pontos levantados por uma espécie de “guia de sobrevivência para jornais“, no relatório do Newspaper Next, do Instituto de Imprensa Norte-Americano.

1. Mantenha o foco no core business (atividade principal da empresa)
Humm… Isso é dúbio. Entendo que o “business” de um jornal é produzir informações. E não imprimir sobre papel. Temo que haja quem entenda que o foco ainda é o papel… :(

2. Encontre novos públicos e consumidores para serviços diversificados
É por aí que eu vejo público online diferente do off. Eles demandam produtos diferentes, portanto. (Daí que revista de posts me parece algo meio esquizofrênico)

3. Use novos modelos para atrair novos anunciantes

4. Crie estruturas organizacionais e facilitadores para inovação
Let’s mudar a mentalidade cultural da empresa? Quer coisa mais difícil?

5. Desenvolva mega-serviços
Já tenho visto isso na Abril. Não é à toa que AnaMaria, VivaMais, Sou+Eu, MinhaNovela e Tititi fundaram o MdeMulher.

6. Promova debates e mais interação entre as pessoas
Yes! Yes! Yes!

7. Desenvolva receitas on-line e impressas
Mas não venda conteúdo, please…

8. Desenvolva uma ampla gama de soluções a baixo custo

9. Crie canais de vendas para grandes e pequenas empresas
Publicidade de varejo já não é mais tendência. É realidade próspera.

10. Desenvolva estratégias de marketing e finanças

Confiram a íntegra no Comunique-se.

Muito boa a matéria encontrada no Periodismo Ciudadano sobre o OhmyNews.

Eles ouviram o Todd Thacker para trazer dados atualizados sobre o noticiário.

A quem ainda não crê nos potenciais mercadológicos do jornalismo colaborativo, destaco um trecho:

“[O OhmyNews] cuenta con un presupuesto cercano a los siete millones de dólares, un 60% aportado por la publicidad y el resto por “donaciones” particulares.

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