Na última semana, dois pesquisadores de jornalismo colaborativo - Cristine Delphino e Rafael Sbarai - me procuraram para conversarmos sobre esse tema e ambos me fizeram perguntas referentes ao sucesso do OhmyNews entre os coreanos e a baixa (ou menor) adesão de brasileiros a noticiários colaborativos.

Respondi por pura percepção, isto é, não tenho dados científicos que comprovem as minhas hipóteses. Mas vamos lá! São duas partes:

1) O brasileiro ainda não se percebe capaz de colaborar com um noticiário. A figura do jornalista ainda é mítica por demais. Aproximar-se de um exemplar dessa espécie habitante de torres de marfim não é para o bico deles. Quiçá fazer alguma coisa parecida com o show que nos apresentam diariamente.

2) Por outro lado, a consciência de uma cultura colaborativa ainda não floresceu no nosso imaginário. “Depois de trabalhar 14 horas, pegar ônibus e metrô lotadaços, sorry, não quero colaborar, produzir notícias. Ainda mais se só o dono do site ganha dinheiro com isso.” Essa mentalidade (e realidade) ainda afasta o brasileiro de ambiente colaborativos.

Isso contribui para que plataformas como VCnoG1, Minha Notícia, VC Repórter, FotoRepórter, Eu-Repórter e tals sofrem para “engrenar”. Já alertei ao pessoal do iG sobre o ninho de ratos que se tornou o Minha Notícia, onde se oficializou o título de “assessor de imprensa cidadão” (sim, porque tá minado de releases lá!).

Aí a Márcia Menezes, diretor de jornalismo do G1, destacou semana passada, durante debate comemorativo aos 70 anos da BBC Brasil, que é preciso CRITÉRIO para dar seriedade a um espaço colaborativo.

Ela comentou que os materiais que mais chegam ao VCnoG1 são releases, textos copiados da internet e, recentemente, receberam uma pseudo-foto que, ampliada, denunciou-se um frame capturado da programação da TV. (Na hora lembrei do caso do UOL. Ah, se eles tivessem passado a foto para o povo de imagem, né? Anyway…)

A Márcia encerrou a palestra dela propondo um desafio aos jornalistas: sem sufocar o público (isso já nem é mais possível), o foco é não perder o controle sobre a informação integrada.

É isso aí, Márcia! Cada cidadão é um repórter. Mas jornalistas são necessários para organizar o processo colaborativo (sim, porque colaboração não tem nada a ver com anarquia ;-) )

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Many thanks à Ana Carmem, que contou bastante do evento no seu blog e gravou o videozito acima.