Mon 17 Mar 2008
Com o perdão do delay (ultimamente, tudo o que não diz respeito à Abril, Cásper ou UniSant’Anna anda com delay), o Breiller comentou aqui semana passada:
“Orkut e MSN são ótimas ferramentas, sim, mas não esgotam o que há de interessante na rede. Muita gente, principalmente entre os mais jovens, tem tempo apenas para o “ócio comunicativo” quando está online.
Por isso, ao analisar os números da internet no país, é interessante avaliar também a motivação das pessoas para usar a internet e quais os reais benefícios e praticidades que a rede proporciona a elas.”
Ele toca de modo indireto numa questão cada vez mais emergente: a relação entre jornalismo e entretenimento na rede.
A preocupação não é nova mas me parece que a ficha demora para cair nas redações. Num ambiente muito mais usado para entretenimento do que para informação, o que será de nós, jornalistas, na produção de noticiários?
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Hoje pela manhã recebi um e-mail da Renata Aguiar, editora do site da Revista Recreio, pedindo que eu fizesse uma leitura crítica da home.
Respondi à Renata que o site me parece ótimo, já que explora o visual e não satura o internautinha de conteúdo. Disse mais: que ESSE é o público que talvez não desenvolva vorazmente o hábito de ler revistas e que, portanto, pode sustentar o direcionamento da Abril e de outras empresas tradicionais de comunicação ao ambiente digital.
Então me dei conta do que disse à Renata… Noutras palavras, “é melhor a gente não empurrar muito conteúdo, mas apostar num site divertido.” - E me apavorei com a análise que fiz!!
Será que nosso futuro na web, enquanto jornalistas, não terá mais foco na produção de conteúdo editorial mas na criação e gerenciamento de espaços divertidos? Nós estamos preparados para isso?
O olhar torto de uma aluna para mim, semana passada, quando disse que a tendência das vagas para jornalistas pode ser de moderadores de comunidades virtuais responde que não, ainda não estamos prontos para essa jornada.
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Encontrei uma matéria na Folha que, embora velhinha (07/04/2007), ilustra bem esse cenário, hum… docemente apavorante:
“As novas comunidades virtuais enterram o conceito de um catálogo de gente para apostar na interatividade e nos recursos multimídia, tornando cada vez mais difícil uma identificação precisa dos membros dessa categoria.
(…)
A complexidade desses sites começou a se refletir na audiência: saem os pré-adolescentes e entram os jovens adultos. Segundo a empresa de pesquisas Hitwise, em fevereiro, 41% dos visitantes do MySpace tinham 35 anos ou mais. Há três anos, 62% dos membros do Facebook tinham entre 18 e 24 anos; hoje, a fatia equivale a menos da metade.
(…)
Esse grupo das 20 (comunidades) mais (populares) responde por 6,5% de todo o tráfego da internet, o que o torna tão competitivo quanto os grupos de sites que oferecem serviços de buscas, compras on-line, e-mail e conteúdos específicos.
(…)
Os números indicam que dispor de uma maneira de estar em contato com outras pessoas é tão necessário quanto qualquer outra atividade que possa ser desempenhada on-line.”
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Procuro dados atualizados sobre essa relação íntima do internauta com ambientes de entretenimento, muito mais do que noticiosos. (E vejam que não são apenas os leitores de Recreio!!)
É daquelas preocupações boas, crises para estimular a criatividade sobre nossa identidade profissional…
March 19th, 2008 at 7:18 am
Não seria a velha busca da humanidade pela disseminação de informação baseada em conceitos sociais? Antigamente se emprestava uma revista ou chamava alguém para ouvir uma música em casa.
Agora, é só usar a comunidade para dizer a que veio e atingir muito mais gente. Meu pensamento faz sentido?
March 19th, 2008 at 10:50 am
Não sei, Thássius… Quando dizes “usar a comunidade” é para fazermos jornalismo nela?
Sim, acho super natural que a gente reforce os hábitos do passado de buscar informações em círculos sociais e não apenas na mídia. Mas a minha grande dúvida é: se o “village reporter” prevalecer, como faremos veículos jornalísticos? E qual será a relevância deles na vida dessas comunidades?
March 21st, 2008 at 4:45 pm
A aproximação de jornalismo e entretenimento na internet só reforça a tese de que jornalista tem de ser, hoje, um profissional completo. Ou seja, um profissional de comunicação, capaz de dominar ferramentas específicas da publicidade, do vídeo, das relações públicas e do próprio jornalismo. Não vejo outra alternativa para quem quer se aventurar no meio digital. Tem de saber de tudo um pouco - e isso não significa fazer malfeito.
Mas, atualmente, ainda não existem modelos interessantes que combinem bem jornalismo e entretenimento - pelo menos eu não conheço nenhum que tenha chamado a atenção. Raros os exemplos conseguem fazer entretenimento sem rebaixar o jornalismo a mero coadjuvante, sem perder de vista a audiência do site.