February 2008
Monthly Archive
Mon 18 Feb 2008
Posted by Ana Brambilla under
TecnologicesNo Comments
Thalles Waichert propôs um meme a partir de um post meu, refletindo sobre uma identidade pretensamente profissional de blogueiros. Como era de se esperar, o debate se propagou (o que é uma delícia sempre!), mas enveredou pra nati-morta discussão “jornalista versus blogueiro”.
Quando falei do vazio de ser blogueiro, aqui no Libellus, não me referia apenas àquele sujeito que, só por ter um blog, almeja ser jornalista.
Não! Até porque, muitas vezes, blogueiros querem ser MAIS DO QUE jornalistas. E é aí que mora o perigo! Seu destino é BRILHAR!!!
Conforme comentei lá no blog do Pedro Penido, o vazio de ser blogueiro é uma condenação a qualquer sujeito (às vezes, até jornalistas!) que pratica a metablogagem (ou umbigologia, o que temo que essa discussão acentue ainda mais).
Nessa hora não importa a profissão do cara. Nem mesmo se ele tem uma profissão (o que é ainda pior!). Ele se basta como blogueiro e essa é a identidade que celebra sua fama. Quando tu vai olhar a fonte de tantos aplausos… quanta decepção.
Mas isso é só a atualização da sociedade do espetáculo de Dèbord. Não deveria me espantar. Mas que irrita, ah, isso irrita!
Fri 15 Feb 2008
Posted by Ana Brambilla under
Tecnologices[17] Comments
Sabe quando tu pergunta a profissão de alguém e ouve a resposta
- “Sou professor!”
… qual a pergunta seguinte?
- “Professor do quê?” - não é mesmo?
É a ordem natural das coisas. Ninguém é professor “puresimplesmente”. Assim como ninguém é “blogueiro-e-isso-basta”. Com a baita diferença de que “professor” é uma profissão, já “blogueiro”…
O problema é que tenho lido/ouvido cada vez mais assiduamente, expressões do tipo… “os jornalistas e os blogueiros”.
Percebe que fica tudo no mesmo saco?
O que me incomoda não é a equiparação entre jornalistas e o povo que bloga (muitas vezes a mesma pessoa “acumula” as duas funções). O que me irrita é a elevação de “blogueiro” à qualidade de PROFISSÃO!
Salve, Wikipedia: Profissão é um trabalho ou atividade especializada dentro da sociedade, geralmente exercida por um profissional. Tais trabalhos e atividades geralmente requerem estudos extensivos e a masterização de um dado conhecimento, tais como biomedicina, advocacia ou engenharia, por exemplo.
Agora me digam: qual o preparo necessário para ser um blogueiro? Antes disso: o que é um blogueiro?
Tem colunista que se acha blogueiro. Tem adolescente blogueiro. Tem escritor blogueiro. Tem jornalista blogueiro. Tem curioso blogueiro. Tem artista blogueiro. Tem artesão blogueiro. Tem mãe blogueira. Tem turista blogueiro…
Não existe uma “identidade de blogueiro”. Assim como não existe uma formação, uma lista de habilidades mínimas a serem aprendidas para se “formar” um blogueiro. Ou seja: qualquer um pode blogar. E isso inviabiliza qualquer status profissional.
Abro os olhos para essa questão porque me incomoda grupos cada vez maiores posando como “blogueiros”, se reconhecendo na mídia como “blogueiros”, sendo aclamados (e pior: aclamando-se mutuamente) como “blogueiros”. Just it!
Mas afinal? Blogueiro do quê? Ah, essa questão é secundária…
It means: enquanto o fator “blogar” deveria ser um adendo na vida do sujeito destacado por coisas interessantes que sabe e tem a contar, o contrário acontece.
Primeiro o cara cria um blog. Depois descobre do que é capaz de escrever. Enquanto isso sai atirando prá todo o lado. E quando não descobre nenhum foco editorial? Fica aquela coisa amorfa e desprezível. Mas não importa. Afinal, o cara já é um blogueiro!
Se bloga por nada. Se bloga nada. Só para ser blogueiro. Nada mais.
Thu 14 Feb 2008
Posted by Ana Brambilla under
jornalismo[13] Comments
O Pedro Dória disse ontem no blog dele que era impossível enviar links para o blog do Luis Nassif a partir do domínio abril.com.br
“O firewall interno da Editora Abril está bloqueando as mensagens com o link. Certo tipo de conteúdo eles não ajudam a divulgar.”
Faltou ele apurar que a Abril sofreu uma queda no servidor de e-mails e ninguém conseguia enviar e-mail algum durante um período do dia!
Primário, primário… e vergonhoso!
Thu 14 Feb 2008
Posted by Ana Brambilla under
Tecnologices1 Comment
Bruno Garattoni sentenciou:
“Você pagaria R$ 200 pra dormir no chão e ficar trancafiado, durante uma semana, num lugar onde 80% das pessoas são homens - e 100% são nerds? Tudo pra baixar MP3 e filmes pornô numa conexão de 5 gigabytes, “675 vezes mais rápida que a banda larga no Brasil”?”
A mesa a que me referi no post anterior classificou o texto acima como “mau jornalismo”.
“Mau” é desrespeitar a opinião alheia, é tolhir o direito do cara manifestar o que ele VIU.
Ou seja: discordou? Achou ruim? Virou malvado!
Thu 14 Feb 2008
Posted by Ana Brambilla under
TecnologicesNo Comments
Uma sucessão de reclamações referentes à (des)organização do Campus Party Brasil (que acontece ao longo dessa semana no Ibirapuera, em São Paulo) pintou uma imagem bastante ruim do evento, para mim.
No começo do mês recebi um convite para participar de uma mesa que discutiria jornalismo online X jornalismo tradicional. Para isso, seriam chamados jornalistas da velha guarda e o povo que trabalha com cultura digital.
Nos dois grupos havia gente que trabalha pesado no mercado, dão aulas, moram em outros estados e muitos confirmaram presença, reservando o espaço de hoje à noite, às 19h, na agenda.
A proposta era bacana. A boa vontade de quem teve a idéia, idem. Mas o brilho do evento terminou por aí.
Uma semana antes do CP, o professor Jorge Rocha, da PUC-MG, ainda buscava informações sobre o custeio de suas despesas com hotel e passagens. Nada mais natural, já que ele era convidado e viria de Belo Horizonte.
Um silêncio bloqueou qualquer canal de acesso com os organizadores. Telefones não eram atendidos. Chamadas no messenger não foram respondidas. Secretários não sabiam de nada. E-mails, nem pensar!
E esse é um evento de pessoas “conectadas”?… ah, tá…
Até que fui informada, meia hora atrás, pelo prof. Jorge Rocha (esse mesmo, tão convidado quanto eu, que pagou para atender a um pedido do Campus Party) que a mesa havia sido ANTECIPADA para as 17h.
Definitivamente: eles trataram isso como brincadeira.
***
Posso me considerar uma privilegiada, já que outras pessoas sofreram com a impossibilidade de ouvir as palestras em função do excesso de ruído no local, além da precariedade de banho e de comida.
Sun 10 Feb 2008
Breiller comentou:
“A blogosfera esportiva virou reprodutora, ao invés de ser geradora de conteúdo.”
Eu não podia deixar isso escondido lá nos comentários do post “Monetização, essa praga II“. E completo: não apenas a blogosfera esportiva, Breiller.
Isso tá igual aos noticiários pretensamente colaborativos onde os “cidadãos repórteres” só contam a notícia que viram na TV…
Sempre entendi que jornalismo colaborativo não podia concorrer com noticiário tradicional. Assim é com a blogosfera. Inclusive a opinativa. Ou seja uma ALTERNATIVA ao mainstream, ou recolha-se à mediocridade da mera recepção.
Não se trata de comparar as qualidades, se um é amador, o outro, profissional. (Nunca acreditei nesse lance de jornalismo amador, aliás. Acho isso uma completa asneira, anyway…)
A auto-publicação, seja ela via noticiário colaborativo (jornalismo, portanto), seja via blog tem uma missão diferente do que ser, simplesmente, mídia.
Creio tanto nisso que não consigo enxergar nesses dois universos de expressão as mesmas métricas para medição de audiência, por exemplo.
Já comentei que, enquanto a mídia mainstream aposta na quantidade, blogs deveriam primar pela qualidade de quem os frui, enquanto os frui.
Daí é que passagens como as de Breiller e outros tão raros-e-caros frequentadores desse espaço ajudam o Libellus a cumprir sua missão.
Sun 10 Feb 2008
Posted by Ana Brambilla under
AnaPaulistana[5] Comments

Esse é o filme de uma cidade deprimida. Portanto, deprimidos, não o vejam.
A cidade em questão é São Paulo, claro. A capital dos superlativos mostra seu lado podre. Não apenas nas alocações, mas a trama…
Personagens visivelmente sufocados pela hostilidade afetiva paulistana pontuam o filme do começo ao fim. E são tão reais…
Não falo de pobreza, miséria, desemprego, prostituição, abandono, violência, enfim, dessas metástases sociais de uma cidade adoentada.
Isso também aparece no filme de Carlos Alberto Riccelli, mas o cerne da doença vem antes da exclusão social. São Paulo sofre de exclusão afetiva.
Evidenciando sem acalentar essa puta ferida, O Signo da Cidade agrava ainda mais o quadro na cena em que o travesti Josialdo (se bem lembro), esperançoso na busca por um mundo ou uma cidade que o acolha, reflete:
“Você não é amado porque é bom. Você é bom porque é amado.”
Cuidado! Ser amado não depende da gente! Então são os outros que nos fazem pessoas melhores ou piores? Não!! Por isso cuidado ao largarem uma frase assim nas telas de uma cidade como São Paulo!
Muito por conta dessa cena é que não recomendo o filme a pacientes que sofram de depressão.
Embora o filme pareça naturalmente real, nos faz acreditar momentaneamente num absurdo como esse.
A exclusão afetiva paulistana está, aí, explicada.
***
UPDATED 23/02/08: finalmente termina a semana que SP teve cinco casos de suspeita de suicídio, três deles levados a cabo, três tentativas…….. nos trilhos do metrô.
Thu 7 Feb 2008

Pois o samba no pé levou a guerreira de fé até o OhmyNews, a contar como foi a festa da campeã do carnaval paulistano ali no quintal de casa
Thu 7 Feb 2008
Posted by Ana Brambilla under
Tecnologices ,
Mídia[9] Comments
Há pouco o Thalles Waichert comentou aqui e seguiu a reflexão sobre monetização de blogs e, sem querer, provocou ainda mais minha crítica a essa discussão.
Ponto 1: monetização, ok. Mas de que jeito?
Ponto 2: patrocínio anunciado, ok. Mas qual a eficácia?
Ponto 3 (agora): E blog lá é prá fazer dinheiro?
Sim, tem (uma penca de) gente que acha que sim. Que blog é uma maquininha de fazer dindin e, não raro, tenta lucrar à base de abobrinhas. Não generalizo. Apenas sinalizo.
Então lembrei de uma conversa que tive com o André Pase, querido ex-colega e ex-profe da Famecos/PUCRS, semana passada no MSN.
Papo vai, papo vem, concordamos que blog tá muito mais prá portfólio do que para ganha-pão. Não que não se ganhe o pão com um portólio. Mas quando isso acontece, é INDIRETAMENTE.
Dedicar-se a um blog envolve uma série de razões. Particularíssimas, por sinal. No meu rol de razões, a monetização passa longe. E o desejo de publicação prevalece.
Assim como eu rastreio e percebo pessoas por meio de seus blogs, imagino que façam o mesmo comigo. E já fizeram. Daí pintaram convites para palestras, entrevistas e outras atividades profissionais.
É quase um cartão de visita, um portfólio mesmo, de trabalho e personalidade. Essa é a razão que mais se aproxima do quesito “tirar proveito de blogs”. Na minha lista (aliás, falava disso ontem para uma pesquisa da Raquel Recuero), encabeçam o desejo de amplificar meus olhares e saber quais os desdobramentos causados na rede.
Monetiza quem quer. Sure! Mas blog, na minha visão, está longe de ofercer seu melhor na geração de dinheiro.
Tue 5 Feb 2008
Posted by Ana Brambilla under
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Uma carreta de 20 mil latinhas grátis depois, uma tarde toda em meio a 5 mil pessoas depois, muito samba, suor e cerveja depois, a Vai-Vai já começa a pensar no Carnaval 2009. E eu… hummm… eu também!
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