Tue 19 Feb 2008
Gratificações de qualquer natureza não devem ser a razão de mobilização de cidadãos repórteres e colaboradores em geral. No OhmyNews, posso afirmar, de acordo com a minha pesquisa, o valor pago pelas matérias não representa o principal incentivo à produção de conteúdo. Mas ajuda.
Costumo dizer que pagamentos simbólicos ou presentes funcionam não apenas como retribuição ao trabalho do colaborador, mas como incentivo às próximas colaborações.
Creio que pensando nisso, a Business Week começou a oferecer jantares chicosos com os editores da revista, aos 100 internautas que mais e melhor comentarem no site.
O programa leva o nome de Get in Your Face. Tem lá seu quê bigbrotherístico, mas soa simpático receber os colaboradores para uma confraternização. Ainda que o tipo de colaboração seja super tangencial. Apenas comentários. Mas tá valendo…
Beeem melhor do que aquelas mensagens-padrão, do tipo “Obrigada pela sua participação! Ela é muito importante para nós!” (blergh!)
February 20th, 2008 at 11:18 pm
Ana,
Já que vc citou o OhmyNews _tema recorrente em diversos de seus trabalho_, vou comentar algo que vejo discutido de forma marginal quando falamos do jornalismo cidadão.
De forma geral, e inclusive por vc (me corrija se eu estiver errado), Oh Yeon Ho é apresentado como um herói que rompeu os grilhões com os quais a mídia tradicional mantinha seus escravos e libertou a massa ignota.
Eu já o enxergo como um dos precursores do “crowdsourcing”, um cara que botou o povão pra trabalhar de graça (ou quase: por esses pequenos torrões de açúcar como recompensa) para ele e hoje fatura US$ 2 milhões (foi seu resultado financeiro em 2007).
Pior, ainda subverteu o conceito de jornalismo cidadão ao criar uma escolinha para ensinar os preceitos da mídia tradicional à massa, que deixou de ser ignota porque, afinal, dá retorno financeiro.
Essa é uma grande discussão, sobre a qual estou debruçado há meses. De como o modelo “citizen journalism” se transforma rapidamente em “crowdsourcing”, e muitas vezes sem escrúpulos.
Gostaria de convidá-la a esse debate.
abs
February 21st, 2008 at 10:50 am
Só para constar, o goitacá distribui presentes para seus autores mais ativos. No natal foram 5 premiados com um mimo bancado por este editor.
Os presentes só foram possíveis graças à monetização dos site, claro.
February 21st, 2008 at 11:10 am
Olá Alec, convite aceito!
Esse debate não passa à margem, não. As questões que tu trazes não me são novas, então posso te ajudar a elucidar.
Quanto a Oh Yeon Ho ser “um cara que botou o povão pra trabalhar de graça”, bom, essa é a mesma (falta de) visão que o Pedro Dória tem acerca do OhmyNews.
É, no mínimo, leviano fazer uma acusação dessas se três contextos forem levados em conta:
1) o cenário político-social da Coréia do Sul, recém-saída de um governo ditatorial que impedia mesmo os jornalistas de se manifestarem (quiçá o público). Isso causou uma repressão filha da mãe na mente do povo que, com o final do regime, precisava gritar.
2) mesmo com o final da ditadura, a mídia sul-coreana continuou ALTAMENTE CONSERVADORA, limitando-se à réplica de releases, sem debate intelectual e só informação chapa-branca. Ou seja, ERA PRECISO criar um veículo onde uma visão alternativa (ou várias) fosse exposta.
3) ninguém é obrigado a ser cidadão repórter. Assim, nem Oh Yeon Ho nem ninguém me “pôs a trabalhar de graça”. Eu faço isso porque QUERO, porque GOSTO, porque ACHO NECESSÁRIO.
Um adendo: no último artigo que publiquei lá não recebi dinheiro algum, pois foi editado como sub-topic. E qual o problema? Meu objetivo era mostrar a festa da Vai-Vai por outro ângulo e não ganhar dinheiro.
***
Quando tu escreves que Oh Yeon Ho “subverteu o conceito de jornalismo cidadão ao criar uma escolinha para ensinar os preceitos da mídia tradicional à massa” provas estar completamente desinformado.
A “escola”, de acordo com e-mail que troquei com o editor senior do OMNI, Todd Thacker, é um ponto de encontro para pessoas que desejam reforçar a língua inglesa, melhorar a redação e entender como funciona o jornalismo cidadão. Além disso, serve como um ambiente de discussão.
Perceba, Alec… por que o OhmyNews criaria uma escola para “ensinar preceitos da mídia tradicional”, se é JUSTAMENTE ESSA MÍDIA que a proposta deles repudia?
Sugiro que te informes mais antes de fazeres qualquer acusação grave como as que fizestes em teu comentário.
Elas simplesmente não fazem o menor sentido.
February 21st, 2008 at 11:14 am
Oi Bender!
O OhmyNews é uma empresa, assim como Folha, El País, Abril, Globo, Terra… Por que não seria monetizado? É o business deles.
Engraçado que já peguei gente dizendo que o fato do OhmyNews ter lucro é contraditório ao perfil editorial colaborativo.
Queria entender o que uma coisa tem a ver com a outra…
Colaboração não é filantropia! É um modelo editorial perfeitamente aplicável a empresas capitalistas!
February 22nd, 2008 at 3:35 am
Ana,
Termos como “acusação”, “leviano”, “te informes mais” e “não fazem o menor sentido”, para mim, não configuram aceitação a debate algum.
Assim como sustentar, em sua argumentação, que a escolinha Ohmynews de jornalistas cidadãos é o que diz um porta-voz da própria organização. “Thacker falou, tenho cá um e-mail como prova…”
“O OhmyNews é uma empresa, assim como Folha, El País, Abril, Globo, Terra. Por que não seria monetizado? É o business deles”, disseste em comentário imediatamente posterior. E concordo plenamente.
Ao citar o “crowdsourcing”, eu falava claramente de business _ não, não estava formulando uma “acusação”. Em nenhum momento mencionei a relação (nitidamente consentida) entre o site e seus colaboradores
Daí, na defensiva (ufa! como para que eu pudesse respirar…), citaste uma colaboração não-remunerada de sua lavra _e que, precisamente, foi ao encontro do modelo pro-am (no seu caso, pro-pro) proposto pelo “OMNI”.
Paixão incondicional eu tenho é pelo nosso imortal Grêmio. Todo o resto considero passível de discussão. Ainda mais quando as divergências se mostram tão flagrantes.
abs
March 5th, 2008 at 1:28 pm
Caracas, debate fervoroso esse hein!
Só não entendi onde o guri quer chegar…
A parte chave que é início de toda e qualquer discussão é:
“Colaboração não é filantropia! É um modelo editorial perfeitamente aplicável a empresas capitalistas! ”
Foi neste momento que tu acendeu a luz….rs
bjs
March 5th, 2008 at 2:15 pm
Oi Fernanda! Valeu! Fica à vontade para debater o quanto quiser aqui pelo Libellus!
abração!