Sabe quando tu pergunta a profissão de alguém e ouve a resposta

- “Sou professor!”

… qual a pergunta seguinte?

- “Professor do quê?” - não é mesmo?

É a ordem natural das coisas. Ninguém é professor “puresimplesmente”. Assim como ninguém é “blogueiro-e-isso-basta”. Com a baita diferença de que “professor” é uma profissão, já “blogueiro”…

O problema é que tenho lido/ouvido cada vez mais assiduamente, expressões do tipo… “os jornalistas e os blogueiros”.

Percebe que fica tudo no mesmo saco?

O que me incomoda não é a equiparação entre jornalistas e o povo que bloga (muitas vezes a mesma pessoa “acumula” as duas funções). O que me irrita é a elevação de “blogueiro” à qualidade de PROFISSÃO!

Salve, Wikipedia: Profissão é um trabalho ou atividade especializada dentro da sociedade, geralmente exercida por um profissional. Tais trabalhos e atividades geralmente requerem estudos extensivos e a masterização de um dado conhecimento, tais como biomedicina, advocacia ou engenharia, por exemplo.

Agora me digam: qual o preparo necessário para ser um blogueiro? Antes disso: o que é um blogueiro?

Tem colunista que se acha blogueiro. Tem adolescente blogueiro. Tem escritor blogueiro. Tem jornalista blogueiro. Tem curioso blogueiro. Tem artista blogueiro. Tem artesão blogueiro. Tem mãe blogueira. Tem turista blogueiro…

Não existe uma “identidade de blogueiro”. Assim como não existe uma formação, uma lista de habilidades mínimas a serem aprendidas para se “formar” um blogueiro. Ou seja: qualquer um pode blogar. E isso inviabiliza qualquer status profissional.

Abro os olhos para essa questão porque me incomoda grupos cada vez maiores posando como “blogueiros”, se reconhecendo na mídia como “blogueiros”, sendo aclamados (e pior: aclamando-se mutuamente) como “blogueiros”. Just it!

Mas afinal? Blogueiro do quê? Ah, essa questão é secundária…

It means: enquanto o fator “blogar” deveria ser um adendo na vida do sujeito destacado por coisas interessantes que sabe e tem a contar, o contrário acontece.

Primeiro o cara cria um blog. Depois descobre do que é capaz de escrever. Enquanto isso sai atirando prá todo o lado. E quando não descobre nenhum foco editorial? Fica aquela coisa amorfa e desprezível. Mas não importa. Afinal, o cara já é um blogueiro!

Se bloga por nada. Se bloga nada. Só para ser blogueiro. Nada mais.