O serviço brasileiro da BBC completa 70 anos agora, em 2008. Para celebrar, a emissora promove dois dias de debates sobre temas em evidência no jornalismo nacional e mundial.
O evento acontece nos dias 13 e 14 de março, em horário comercial, no Centro Brasileiro-Britânico (aqui atrás da Abril, btw).
Me surpreendeu o título da matéria mais lida dessa semana no OhmyNews: Lockerbie: FBI Investigator Debates OMNI Reporter, de autoria do cidadão repórter Ludwig De Braeckeleer. No mínimo, inusitado.
O artigo cumpre com o que promete e traz um debate gerado a partir de um artigo que Braeckeleer publicou no OhmyNews International, sobre o ataque terrorista de Lockerbie, em 1988. Na ocasião, o Boeing 747-121 que fazia o vôo 103 da PanAm, explodiu no ar logo após decolar em Londres, com destino a Nova York. A explosão aconteceu no espaço aéreo da cidade de Lockerbie, na Escócia, resultando na morte de 270 pessoas.
Um dos interlocutores de Braeckeleer, o cidadão repórter do OMNI, era justamente um ex-agente do FBI que liderou a investigação do caso. E apontou uma série de erros no artigo.
Num exercício de deontologia jornalística inédito inclusive para a mídia tradicional, Braeckeleer expôs todos os trechos apontados como errôneos por Richard Marquise e comentou um por um.
Resultado: um dossiê crítico sobre o caso, num exemplo concreto de que o jornalismo colaborativo substitui a notícia palestra (onde um fala e outros tantos só escutam) pela notícia debate.
1. O jornalista é ameaçado pelo jornalismo colaborativo
MITO. Claro. Sem a menor dúvida. O termo é a proposta: colaboração, não competição.
2. No jornalismo online há mais independência que em outros meios
Depende do jornalismo online, que vai desde a Folha Online até um blog pessoal jornalístico. It means: não é o suporte que define a autonomia de um veículo, mas sua política editorial e, não raro, sua marca. Noticiários online oriundos do mundo off tendem a seguir os mesmos parâmetros de independência do papel ou da tv, do rádio…
3. Não há espaço para grandes reportagens
Trabalhos extensos são tão coerentes com a internet quanto sua organização multimídia e hipertextual. Lembram do Salaverría? Células informativas e não um texto puro de 7 scrols.
4. Quanto mais rápido sair a matéria, melhor
Bom, parece que o jornalismo online só vem reforçar o clichê de que a pressa é inimiga da perfeição. Vide o caso UOL versus conteúdo colaborativo…
5. Erros são perdoáveis devido à pressa
Não é prá ter pressa. Também não é prá atualizar o site uma vez por mês, né?
6. A barra de rolagem inibe a leitura
Ah, mas vamos combinar que o primeiro scroll tem MUITO mais visibilidade, né?
7. É preciso muitas imagens para atrair o leitor
Mesmo a resolução de 1024 não garante boa qualidade na visualização de imagens na tela do computador. Quem quer ver imagens boas, grandonas, daquelas onde a gente “mergulha” vai comprar revista. National Geographic, especialmente.
Anyway, na web, equilíbrio é bem-vindo e página somente texto já era faz tempo…
Entrevista bacana do Chris Anderson ao Renato Cruz, no Estadão de hoje.
Positivamente marketeira, talvez, porque deixa a gente tri a fim de ler o próximo livro do cara, a ser lançado no começo de 2009. E aí.. o livro vai ser gratuito, lógico! Disponível na rede para download e talvez até algumas versões físicas serão free… Ah, sim, Free é o nome do próximo filhote do autor de “A Cauda Longa”.
Me pareceu um tiro de misericórdia naqueles sites que ainda insistem em vender conteúdo.
O IAB informa que, no ano passado, a publicidade online registrou um crescimento de 25%. Em espécie, o montante aplicado por anunciantes em sites foi de US$ 21,1 BI!
Números excelentes para guardar na manga em caso de discussões com tecnófobos…
Gratificações de qualquer natureza não devem ser a razão de mobilização de cidadãos repórteres e colaboradores em geral. No OhmyNews, posso afirmar, de acordo com a minha pesquisa, o valor pago pelas matérias não representa o principal incentivo à produção de conteúdo. Mas ajuda.
Costumo dizer que pagamentos simbólicos ou presentes funcionam não apenas como retribuição ao trabalho do colaborador, mas como incentivo às próximas colaborações.
Creio que pensando nisso, a Business Week começou a oferecer jantares chicosos com os editores da revista, aos 100 internautas que mais e melhor comentarem no site.
O programa leva o nome de Get in Your Face. Tem lá seu quê bigbrotherístico, mas soa simpático receber os colaboradores para uma confraternização. Ainda que o tipo de colaboração seja super tangencial. Apenas comentários. Mas tá valendo…
Beeem melhor do que aquelas mensagens-padrão, do tipo “Obrigada pela sua participação! Ela é muito importante para nós!” (blergh!)