Um estudo do grupo de pesquisa Ciber, da University College London, publicado na última quarta-feira, avisa que há carência de potencial crítico e analítico nessa galerinha que já nasceu em berço digital.

A pesquisa diz que, embora esses jovens apresentem uma aparente facilidade e familiaridade com tecnologias, eles dependem fortemente de buscadores e de uma visibilidade que não privilegia a leitura.

As conclusões ficam pesadas quando afirmam que esse grupo não “possui condições críticas e habilidades analíticas para avaliar a informação que encontra na web”.

Questiono, embora não duvide. (Jeito bonito de ficar em cima do muro, né? :P )

Questiono pelo teor negativo com que o relatório trata a dependência de ferramentas de busca e visibilidade atraente. Isso não é “privilégio” de quem lida com web. Faz tempo que a gente já fez download da mente para a máquina (ou tu lembras dos telefones de todos os teus amigos, de cabeça?).

A visibilidade que menospreza o texto vem da cultura videoclíptica da década de 80. E ler menos não pode ser sinônimo de um índice cultural menor. Aqui se trata da FORMA como a mensagem é tratada e linguagens alternativas ao puro-texto podem, sim, prover um jovem do conhecimento que ele necessita desenvolver.

Agora, quanto à falta de capacidade crítica e de habilidades analíticas, tendo a concordar com a pesquisa. Porque esse potencial não advém apenas de leitura e memorização. Vem da educação do sujeito, do estilo de vida familiar, do grau de interesse que desperta por determinados assuntos, pela seriedade com que lida com estudos, por senso de cidadania e - por que não? - por um bom desfrute do que a rede tem a oferecer.

(Valeu a dica, Rafael Kenski)