Chega um momento, na vida de todo o gaúcho que, mesmo com a goela seca, tem de admitir: o time adversário lhe fez bem.
Daqui a 3 dias vai fechar um ano que o Inter me fez bem. Dá prá crer nisso? O INTER! Aquele saci habitante da bóia cativa, lá da beira do rio, lugar para onde vão os detritos da cidade! Ele mesmo. Me fez sorrir largamente a 17 de dezembro de 2006, quando - arght! - ganhava o mundial interclubes no Japão.
Mas essa felicidade foi causada tão-somente pela razão de eu estar longe. E naquela manhã de domingo, subi até a Paulista para fotografar a carreata de colorados e sentir um fagulhinha dentro de mim esquentando o amor pela terrinha.
Menos de um ano depois, o Inter me - arght! - faz bem de novo. Não com tanta alegria. Mas o fato de eu estar aqui em São Paulo, ainda mais do lado da Angela, foi decisivo para que eu risse, risse muuuuito por conta dos colorados, mais uma vez representando a gauderiada que me foi berço.
E o Juremir - sempre ele, maravilhoso! - apesar de coloradíssimo, escreveu uma crônica histórica no Correio do Povo de 06/12/2007, na semana em que o Corinthians amargava a queda para a segundona… aos pés do Grêmio… e vingando o Inter.
Leiam isso:
“… o clube paulista foi derrubado para a Segunda Divisão pela sua própria incompetência, pois não conseguiu ganhar de um Grêmio pouco confiável na defesa dos brios gaúchos, quer dizer, colorados, ainda pisoteados pela maracutaia que tirou o título de 2005 do Inter e o deu aos corinthianos.
(…)
O importante é que o futebol satisfez os mais baixos instintos de todos nós. Nada mais bem partilhado entre os humanos do que o desejo de vingança.
(…)
Havíamos feito um gol por engano no primeiro tempo. Deve ter sido erro de comunicação. O hermano Orosco não deve ter entendido as orientações em português, ainda mais o português falado por Abel, e fez um gol que ninguém queria e foi o menos comemorado da história colorada.
(…)
Como é bom, de vem em quando, perder. Dá uma alegria! Foi um domingo especial: eu torci contra o Inter e a favor do Grêmio. Basta.”
Pronto. Ver um colorado dizendo essa última frase foi a maior alegria que o Inter podia me dar. Verdade! Pensando bem… maior que o gauchismo do campeonato mundial (afinal, eu já fui campeã do mundo, embora com dois aninhos de idade e sem chance de comemorar na Paulista ).
(Ah, sim, recebi essa crônica num recorte do Correinho, que a minha irmã mandou lá de Porto Alegre, como “Segue aí um Juremir especial” Chegou hoje, pelo correio.)
Diz na Folha que o Google tá a fim de lançar o “knol”, seu concorrente para a Wikipedia.
Base de agregação de conteúdo. Edição livre. Comentários. Anonimato. Links externos. Tudo igual.
“A grande diferença em relação ao Wikipedia será que o autor poderá ter seu crédito no trabalho que produzir. Segundo o Google, ele irá receber parte do faturamento com publicidade se permitir anúncios no conteúdo criado. ”
Sinceramente? Se um dos grandes diferenciais pró-wiki é o anonimato, o know aposta em crédito para o sujeito ganhar algum dinheiro?
(Afe, acho que eu tô ficando cética demais!!)
Sem contar que falar em “Wikipedia” e “concorrência” é um contrasenso danado, né? A tecnologia é aberta, justamente fora de restrições de modelos comerciais. Só não Gigante batendo em anãozinho porque a Wikipedia tá loooonge de ser anãzinha
(Bom de ter um blog é que a gente começa a notícia por onde quer. Adeus, lead!)
Ao invés de citar os números que coroam a chegada oficial do MySpace ao Brasil, quero destacar a visão que os caras à frente dessa iniciativa têm sobre o brasileiro enquanto um “povo colaborador”.
Na coletiva hoje pela manhã, na sede do MySpace Brasil, o diretor geral, Emerson Calegaretti, foi animado ao dizer que o brasileiro é diferente dos povos nórdicos. Se comunica muito mais. É muito expansivo. Consome muito conteúdo na rede e, por consequência, produz com esse mesmo afã. O brasileiro é, na sua visão, “um povo que gosta de se comunicar, mas muitas vezes não encontra onde fazer isso” (hummmmm será?). A esperança dele é que o brasileiro se comunique pelo MySpace.
O Calegaretti é um cara bacana. Assisti à palestra com ele no Fórum da ANER, terça passada, na Fecomércio e essa foi, disparada, uma das melhores participações naquela programação. Mas ficou devendo à minha pergunta, hoje pela manhã: o MySpace fez algum tipo de pesquisa antes de chegar no Brasil, para saber se o brasileiro é um povo disposto a produzir conteúdo? O que faz o MySpace acreditar que o brasileiro vai colaborar com essa rede?
É, ele até respondeu o que o faz crer no potencial colaborativo do brasileiro. Mas honestamente, eu esperava dados, pesquisa, conclusões embasadas, opiniões coletadas na rua… não senso comum.
Ora… todos sabemos que o brasileiro é expansivo e, sim, ele adora se comunicar. Por isso invadiu o Orkut (tchã-rá!). Mas o MySpace, como eles mesmos afirmam, é uma rede diferente. O core ali é o trabalho de bandas e cineastas independentes. Se escrever um texto, às vezes, é quase uma misericórdia pro brasileiro, criar e gravar músicas e filmes não deve ser tão mais fácil. Renato Cruz, também presente na coletiva, acha que a galera produz mesmo! Honestamente, é isso que eu mais quero. Mas não tenho tanta certeza de que seja real…
É fato que já tem muita gente no MySpace, muita banda brasileira, inclusive (56 mil, segundo o Luiz Pimentel). Mas essa rede não quer ser um repositório de músicas de bandas independentes. Quer mais. E precisa de mais gente com disponibilidade e potencial criativo para fazer o espaço viver.
Isso me leva à pergunta que o Filipe Pacheco fez - imagino que satisfazendo o desejo enrustido de tantos, naquele mini-auditório: como o MySpace vai lidar com a concorrência com o Orkut?
O Victor Kong, gerente do MySpace para a América Latina, afirmou que as pessoas terão perfil “no MySpace também”. Hummmmmmm…….. Sempre lembro do René (MP3), nessas horas, perguntando se os internautas terão, em breve, tempo e cabeça suficientes para frequentar de modo bem entrosado todas as redes sociais que pipocam por aí e clamam por cadastros e perfis (muitos, aliás, requesitando os mesmos filmes, músicas, livros favoritos, amigos, blogs, quadro de recados, descrição pessoal, profissional, afetiva, blá, blá, blá).
Particularmente, ainda não encontrei razão para substituir o Orkut por outra rede social, embora mantenha, abandonadamente, meus cadastros no Facebook, CyWorld, Multiply (lembram disso?) e até MySpace. E não motivos para frequentar “também” esses ambientes.
É inegável, porém, o debate que Bruno Ferrari e eu travamos na vinda para a Abril, depois da coletiva: quem baterá o Orkut? O Bruno tem uma aposta forte: o celular. Tendo a concordar com ele.
Well…
Lançar projetos robustos, que dependam em graaaaaande parte da adesão do público COM O AVAL de pesquisas já é arriscado. Sem pesquisas de comportamento, então, é quase suicida.
É possível que o MySpace tenha feito essa sondagem por aqui. Mas não divulgou nada prá gente na coletiva.
Na dúvida, o Orkut e o Technorati continuam sendo meus principais canais de contato com o público para efeitos de pesquisa sobre colaboração.
No último sábado à noite caminhei a Paulista de ponta a ponta. Depois, voltei. Foram quase 6 quilômetros de muita luz de Natal, fotos, chorinho do Coisa Linda de Deus na reabertura da Casa das Rosas, bicicletas voadoras nos prédios do Sesc e do Itaú Cultural, carrinho de pipoca a cada cinco metros, algodão-doce, trenzinho pela Paulista, uma noiva recém-casada lá prás bandas da Consolação e foto de tudo isso.
Paulo Gomes mandou dizer que 74% dos brasileiros ouvidos em uma pesquisa realizada pela BBC gostariam de ser ouvidos na escolha das notícias, participando daquilo que é noticiado.
Isso corroboraria a concepção de um Brasil fértil ao jornalismo colaborativo. Mas veja esses outros dados, divulgados pela mesma pesquisa:
* 80% dos brasileiros se mostram preocupados com a concentração de empresas de mídia nas mãos de poucos grupos, que acabam expondo a visão política de seus proprietários.
(mas notem o contrasenso)
* 37% acreditam que essas grandes empresas privadas de comunicação fazem um “bom” trabalho; 38% dizem que é “mediano” e apenas 25% afirmam ser uma cobertura “pobre”.
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Estranho, muito estranho. Afinal, a imprensa privada agrada ou não aos brasileiros? De verdade, essa é uma questão que PRECISA ser desvendada.
Na Coréia do Sul, por exemplo, o OhmyNews nasceu em meio a um sentimento de profunda indignação do público com a imprensa local. Isso foi um combustível fenomenal para o crescimento do jornalismo cidadão naquele país.
Essa posição meio “em cima do muro” do brasileiro é boa, por um lado - pois mostra que nossa imprensa não está lá tão ruim -, mas não reúne força suficiente para empurrar um movimento colaborativo por aqui.
Claro que a adesão do povo sul-coreano ao OhmyNews não aconteceu somente em função do desagrado com a imprensa de lá. Cabe-nos, então, descobrir que outras “mágicas” por Mr. Oh e sua equipe aplicaram, e tentar replicá-las num Brasil aparentemente imaturo no que toca à sua avaliação crítica - ou, pelo menos, contraditória - em relação à mídia mainstream.
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Foram ouvidas 11.344 pessoas de 14 países das Américas, da Europa, da Ásia e da África, entre os dias 1º/10 e 21/11 desse ano.
Foi inevitável o choque ao ler, na Folha Online, sobre a morte do Rafael Sperafico, piloto da Stock Light, no autódromo de Interlagos, aqui em SP.
Não conheci o Rafael. Mas ele era uma figura de referência na cidade onde morei por nove meses, no interior do Paraná. Rafael nasceu em Toledo e muita gente da família dele se dedicava ao automobilismo.
Os Sperafico são uma das famílias mais tradicionais do oeste do Paraná e, certamente, a mais notável de Toledo. Tem político com esse sobrenome praquelas bandas. Lembro também de quando esperava o ônibus Coopagro, atrás do shopping Panambi e passavam por mim aqueles caminhões enoooooormes do frigorífico Sperafico.
De cara confundi os sobrenomes e pensei em Cascavel, onde o domínio do automobilismo e o império alimentício fica por conta do piloto Pedro Muffato e da rede de supermercados Muffatão. Mas não… O cara era mais próximo do que pensava.
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Estranha essa sensação de proximidade. Zero! Nenhuma! Mas o nome conhecido, o espaço pequeno e a cultura local tão dominada por marcas nativas, o tempo que morei lá e o tanto que essa experiência foi significante na minha vida, além do fato do cara ter a minha idade fizeram com que eu me sentisse… sensibilizada, talvez, com a morte do Rafael. Deixo aqui minha solidariedade com a família dele e com o povo toledano.
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Como se isso não bastasse, pelo menos 15 gaúchos morreram nesses últimos três dias. Uma chacina! Na estrada, claro! Tô prá ver povo que mais se mata no trânsito do que a gauchada! (Há alguns anos, Cristiano, muito gremista e Gustavo, apesar de ser muito colorado, deixaram dor e saudade.)
Idades, mais uma vez, muito próximas às minhas. Cidades conhecidas, estradas conhecidas e, ao ler a notícia, o medo enorme de encontrar nomes conhecidos.
Não, isso não aconteceu. Mas isso também não diminui o tamanho da tragédia.
E pensar que o fim do ano está só começando…
Aos que ficaram, ainda está em tempo de prevenir novas mortes. Façam isso, por favor!
… e um chorinho de primeira linha invade o começo da Avenida Paulista. Se a gente achava que já estivesse no Paraíso, tinha que entrar na Casa prá ter certeza.