A informação no blog


O processo de verificação de informações em blogs inspirou Julio Alonso, fundador da Weblogs SL (empresa de blogs em espanhol), em um artigo fácil de entender uma questão que tem feito jornalistas se debaterem no que toca à credibilidade da blogosfera.

Em síntese, o artigo dele diz assim:

“Cuando se publica algo en un blog, no se pretende que sea la última palabra en torno a dicha cuestión. Se pretende que sea el inicio de una conversación sobre ella.”

Bárbaro! Sem dúvida! E bazar, mais uma vez. Enquanto o Windows é o produto acabado, o Linux é o recomeço constante. A cultura digital é assim: em mutação permanente!

“(…) estoy convencido de que el proceso de creación del software libre es más potente que el del software privativo. Y por las mismas razones (millones de ojos ven más que pocos ojos en teoría más cualificados). Pero lógicamente vivir en un entorno de informaciones en proceso de verificación es distinto a vivir en un entorno de productos informativos acabados.”

Conceber notícias sendo modificadas a todo instante é delicadíssimo e não consigo pensar em “notícia beta”. Uma vez publicada, ela interfere no andamento da sociedade com a concretude factual inerente ao jornalismo. Correções são segundas notícias.

Daí, blogs não são jornalismo. (Ok, depende do processo que há por trás daquela informação. Mas blog é, antes de tudo, uma ferramenta e não uma atividade social generalista.)

Isso não faz dos blogs melhores nem piores do que veículos de imprensa. Mas diferentes!

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By the way, blogs QUEREM ser jornalismo?

Observemos, pois, a postura de um blogueiro não-jornalista. Por que a informação que ele veicula deve ser submetida aos mesmos critérios de confiabilidade de um jornal? Ora, ele NÃO É um veículo de imprensa. E NÃO É produzido por um jornalista que jurou compromisso social com a verdade.

A blogosfera tem valores próprios, variados de acordo com o perfil do blog, do blogueiro e… dos FRUIDORES daquele espaço.

***

Falemos, pois, destes fruidores (sim, porque eu me recuso a chamar um internauta de “leitor”).

Ao acessar um blog, ele deve ter em mente que não está fruindo um jornal, mas um espaço midiático personificado (na maioria das vezes), com valores e dinâmica de funcionamento próprios, atribuidos tão-somente pelo(s) seu(s) autor(es).

Assim, não há como esse internauta EXIGIR de um blog as mesmas propriedades anunciadas por um jornal.

Julio diz assim: “Y hay que leer de otra manera, mucho más crítica.”

Ambos se vendem de modos diferentes. Estar ciente dessas diferenças torna o blog tão válido quanto o jornal.

A questão é esperar aquilo que cada espaço de mídia pode e quer oferecer.

  1. #1 by Julio Alonso on December 19th, 2007

    Fico muito contento que você gostase do meu post.

  2. #2 by Aluizio Amorim on December 20th, 2007

    Ana:

    1. boas festas e um excelente 2008 para vc e os seus e que o jornalismo colaborativo avance e possa contribuir para ampliar o debate e abrir oportunidade para que os leitores participem ativamente na difusão da informação e da opinião.

    2. o post está muito bom e as suas considerações idem.
    abração do
    aluízio amorim
    http://oquepensaaluizio.zip.net

    Em tempo: tardiamente o Diário Catarinense aqui de Florianópolis acaba de transformar seus colunistas e editores em blogueiros. Entretanto, blogs de redação são sempre insípidos. Jornalistas, em sua maioria, custam a assimilar a cultura bloguística, a linguagem e a forma de interagir com os leitores. Dê uma olhada e analise. Estou há pouco mais de 2 anos blogando longe da redação. Como vc disse, blogs não substituem o jornalismo convencional, mas são uma forma diferente de fazer jornalismo. É aí que e está o ponto. Não adianta usar o blog para repetir a forma e o conteúdo da mídia tradicional. Cada mídia tem a sua própria linguagem e forma.
    abs
    aa.

  3. #3 by André Kenji on December 21st, 2007

    Ana

    Acho que este é o problema dos blogs brasileiros. Uma das razões pela qual os blogs cresceram nos EUA foi o fato deles oferecerem uma cobertura *diferente* dos jornais, seja de um ponto de vista mais politizado ou mais acadêmico.

    Aqui a gente ficou muito preso ao que sai do jornal, acho que nossos blogs são “bonzinhos” demais.

  4. #4 by Bender on December 27th, 2007

    O problema é que apenas meia dúzia de blogs fazem cobertura de eventos novos. Maior parte se dedica a comentar, comentar, comentar.

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