November 2007


Interessante que mesmo os norte-americanos, num fuso não tão distante do nosso, participam mesmo do Ask500People à noite, ou de madrugada. Então as perguntas são votadas, eleitas e entram para o ciberespaço para serem respondidas. Eis as dessa noite:

Que tipo de site você lê?

Você lê blogs?

E a que eu mais gostei…

“A mídia mainstream do meu país é absolutamente crível.”

Mais interessante ficou essa última, aliás, por ter gerado esse comentário por parte de um dos membros da comunidade:

“This poll seems to be moving much slower than most which is surprising. Is it that few people care whether their news is to be trusted (it just fills the time)?”

Outro ponto curioso foi que o único voto vindo do Brasil é “strongly disagree”…

Estava eu passeando numa tarde de feriado pela Avenida Paulista com a minha irmã, Angela. Caminhávamos rumo ao MASP. Então fomos surpreendidas por uma manifestação do Dia da Consciência Negra, ali no vão livre e arredores.

Saquei a câmera da minha bolsa e comentei com a Angela: bah, dá prá contar isso lá no OhmyNews. Superexpressão da cultura brasileira.

Sim, esse tema foi amplamente abordado pelo noticiário mainstream. O jeito era dar um enfoque diferente, contextualizar com índices sobre trabalho escravo, desigualdade social e história do Brasil.

Então foi prá home!


Foi rápido! Mandei ontem e hoje de madrugada entrou online. Tks Todd and team! ;)

Pecado isso… mas não lembro quem me perguntou esses dias, conversando sobre colaboração, para onde vai todo o material produzido em câmeras de telefones celulares. Mas foi ali pela Paulista. Gustavo Jreige, talvez? Não lembro. Feio, isso.

Anyway, diante da pertinência da pergunta (e cheia de segundas intenções para saber quanto disso vira jornalismo), postei lá no Ask500People. Eis os resultados:

45% … mostrar aos amigos
3% … publicar no meu blog
10% … mandar para sites de jornalismo cidadão
42% … fazer nada

Temos aí um dilema editorial e, sobretudo, comportamental?

(Sim, são só 100 pessoas e essa amostragem não é representativa para nenhuma conclusão. Mas eita vício esse brinquedinho…)

UPDATED: Ah, sim, um detalhe: das 10 pessoas que disseram enviar suas fotos para sites de jornalismo cidadão, 7 são dos Estados Unidos, 1 é do Marrocos, 1 é da Espanha e 1 é da França.

Marcos Palacios contou do Ask500People, um site-serviço prá lá de bacaninha que, como há tempos não acontecia com essas ferramentinhas novas, roubou boa parte do meu tempo online nos últimos dias.

E sabia que essa pergunta renderia algum riso, choro ou indignação.

Sim, Brasília ganhou (40%). Mas o percentual de gente que disse Buenos Aires (27%) e São Paulo (31%) serem a capital brasileira é absurdo!

Percebam que foi largamente respondido por norte-americanos (ou gente que está lá, whatever…).

Sugestões de novas perguntas? Adorei o brinquedinho :)

Exemplo dos bons dado pelo Nelson Pinto, cidadão repórter que testemunhou uma cena de violência urbana e entendeu que aquilo precisava virar notícia.

Ele sacou a câmera (talvez celular), fez uma foto e contou o caso no VC Repórter, do Terra:

É essa sacada que faz o “espírito de colaboração” no jornalismo, que precisa ser cada vez mais instigado no público.

Almeida Lima (PMDB-SE)
Augusto Botelho (PT-RR)
Eduardo Suplicy (PT-SP)
Jefferson Péres (PDT-AM)
João Pedro (PT-AM)
Renato Casagrande (PSB-ES)
Romeu Tuma (PTB-SP)
Valdir Raupp (PMDB-RO)
Wellington Salgado (PMDB-MG)
***
Arthur Virgílio (PSDB-AM)
Demóstenes Torres (DEM-GO)
Heráclito Fortes (DEM-PI)
Marconi Perillo (PSDB-GO)
Marisa Serrano (PSDB-MS)

O primeiro grupo é de parlamentares que votaram a favor do ARQUIVAMENTO do segundo processo referente à quebra de decoro parlamentar por parte do senador Renan Canalheiros. O segundo grupo se absteve.

Deu na Folha.

A gente morre e não navega por tudo…

Acabo de ler uma crítica altamente lúcida da Tereza Rangel, ombudswoman do UOL, sobre a inadequação da política de fechar o conteúdo para assinantes enquanto a concorrência oferece o mesmo conteúdo a qualquer internauta.

Quis aplaudir Tereza. Quis apoiá-la através de um comentário ao final de sua crítica.

Eis que me deparo com isso:

Não sabia se dava risada ou chorava no cantinho…

A luta é grande e antiga.

Reprodução de releases em jornais é uma praga que assola o jornalismo.

Daí inventaram a figura do gatekeeper, para ao menos organizar o espaço selecionando o que entra, o que não entra naquela edição. Sim, os critérios do porteiro de jornal eram subjetivíssimos, mas jornais comerciais teriam menos chance de se tornarem house-organs.

Décadas se passaram. Veio a web 2.0 e o leitor passou a ter voz. Surgiu um tal de jornalismo colaborativo e o que a gente vê é… reprodução de releases!

Outras, da triste série:

* Prefeitura de Santa Bárbara constrói mais 6 mil metros de novos meios-fios

* Trevos de Brumal e Barra Feliz passam por reurbanização

* Porto Feliz inaugura Garagem Municipal

* Porto Feliz inaugura nova Garagem Municipal no domingo

Não, eu não me enganei. Tem duas matérias (ou releases) juntinhos. Um publicado dia 1º/11 e o outro, dia 05/11. Critério, pelamordedeus!!!

* Santa Bárbara inicia campanha contra a dengue

* É lançado livro que discute os problemas filosóficos da matemática

* Santa Bárbara recebe teatro do Grupo Giramundo

* Santa Bárbara recebe exposição de cerâmica e arte francesa na Casa da Cultura

* Coral da AABB-SP comemora 30 anos

* Peça “A Utopia” fica em cartaz até o final de novembro

* Sebrae promove cursos e palestras na Uni Sant’Anna

* Ex-Ministro Paulo Renato fará palestra sobre educação a distância em São Paulo

* Governo estadual oferece mais de 4 mil vagas para estagiários

Agora vejam isso:

Não era mais fácil fazer um site da cidade de Porto Feliz? Ou ao menos LER o conteúdo antes de publicar!!

Já trabalhei em assessoria de imprensa e a gente precisa reforçar divulgações de tempos em tempos. Manda o mesmo release, às vezes, tapeado. Mas isso não quer dizer que os veículos REPRODUZAM os mesmos releases todas as vezes que a gente mandar!

Cansei! Tem muito mais lá no Minha Notícia (tenho enorme admiração pela iniciativa do iG, mas fico triste por vê-la tão subaproveitado).

UPDATED:
Então encontrei a Tereza Rangel apontando o problema de publicar textos de agências (mascarados), no UOL. Ela cita o Manual de Redação da Folha:

“Ao se apropriar de material alheio dando o crédito à “Redação”, o UOL engana o leitor. Pior, sem transparência, fica dependente editorialmente da visão do órgão público, por mais que o jornalismo praticado pelas duas agências lute por fazer um jornalismo isento e independente.”

No iG, o crédito é mantido com o internauta ou assessor de imprensa. Mas a enganação ao leitor é igual.

Não creio que acabei de ler isso, em uma lista de discussão de jornalistas. Dito por uma assessora de imprensa a um colega jornalista blogueiro:

“Infelizmente não posso te passar estes dados, pois a pesquisa completa só está disponível para os jornalista que atuam em veículos de imprensa e para os clientes de consultoria da empresa XYZ, na qual eu sou a jornalista responsável pelas matérias e releases.
E pelo que me foi informado na XYZ, você não trabalha em veículos de imprensa, correto ??”

Deu náusea!

Esse tipo de comportamentinho à lá kisha club foi o que fez o jornalista Oh Yeon Ho a criar o OhmyNews.

Claro! Se nem jornalistas têm acesso a determinadas informações só porque não trabalham em veículos da grande imprensa, que restará ao público?

Cabecinhas de porongo, viu?

***

Nem vou me meter na discussão, senão tiro a faca da bota e risco o chão com a peixeira!

Juro que não é perseguição, mas um dos DESTAQUES do Minha Notícia agora pela manhã é uma menção a um colunista do jornal Tribuna da Bahia:

Prá quê? Já não foi publicado na mídia tradicional? Já não ganhou o lugar mais disputado por qualquer acontecimento? Não há sentido REPRODUZIR a nota - ou parte dela - num espaço de pretenso jornalismo colaborativo (aquele lance de dar voz a quem não tem voz, notícia feita pelo público e para o público, sabe?).

É só uma questão de coerência e critério editorial.

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