Thu 25 Oct 2007
“Mande sua notícia! Fique famoso! Vire repórter!”
Posted by Ana Brambilla under Jornalismo ColaborativoFrancisco Madureira, o Madu, comentou sobre o post do Sou Repórter:
“Interessante uma percepção que tive ao te ler: “MANDE SUA NOTÍCIA. FIQUE FAMOSO. VIRE REPÓRTER”. Penso às vezes que é essa coisa do “famoso” que ainda impede o jornalismo cidadão de pegar no Brasil com a intensidade que pega lá fora. Algo que possa realmente fazer sentido e agregar valor à comunidade em que o cara vive, à la projetos Media Lab, e não “ir pra capa do iG”… não acha?”
Humm… Boa proposição, Madu. (E a gente só diz isso quando não tem resposta, né? Pois não tenho mesmo.)
Num arriscado exercício de pensescreve, tendo a achar que não, não é essa lógica da fama que não faz o jornalismo colaborativo “pegar” no Brasil. Ao contrário.
Se existem, hoje, algumas tímidas e algo toscas iniciativas de jornalismo colaborativo em sites brasileiros, de grandes marcas da mídia brasileira é bem graças à essa necessidade de exposição.
A Sou+Eu foi lançada sob a premisa “apareço, logo, existo”. E deu certo! Ok, o foco da revista não é informativo, mas entretenimento, mais ou menos por onde se norteia o VCnoG1. A diferença é que o VCnoG1 vende-se como informação, como notícia. Basta ver que ele está dentro de um portal essencialmente noticioso como o G1.
Nenhum desses, nem outros, como Minha Notícia, VC Repórter ou Eu-Repórter pode ser comparado, qualitativamente, a projetos do MIT, nem mesmo com o OhmyNews.
Mas a lentidão do crescimento dos cases brasileiros se deve a outros fatores mais sérios que a lógica da fama. Discuti isso num artigo que publiquei no OhmyNews. Entre eles: baixa atualização, falta de feedback e relacionamento com o colaborador, infra ruim para envio de conteúdo, ausência de foco editorial…
Esses são problemas do lado de quem oferece o espaço. É claro que há problemas do lado dos colaboradores. O que leva alguém a produzir conteúdo para esses espaços? Talvez essa pergunta, respondida apenas em hipóteses, seja o maior problema do jornalismo colaborativo não ter “pegado” ainda na mente do brasileiro.
Não precisaríamos ver o mundo com olhos mais críticos?
Não deveríamos deixar de lado a vergonha do nosso semi-analfabetismo e nos lançar ao desafio da escrita?
Não poderíamos ser melhor servidos em acesso digital?
Não precisaríamos parar de ver figurões da mídia como os únicos detendores da verdade soberana e inquestionável?
Tudo isso pode conviver com a fama, sabe? Logo, “ficar famoso” sendo cidadão repórter não é um problema. Talvez o problema real seja SOMENTE ficar famoso. Daí não há o que se esperar de jornalístico aí. Acessa o site do Big Brother que talvez as inscrições ainda estejam abertas…
Isso me causa mais preocupação, Madu, porque mexe com a consciência da cultura brasileira. Noutras palavras, o buraco é um pouco mais embaixo.
October 26th, 2007 at 9:35 am
Ótimo “exercício de pensescreve”, Ana.
Posso estar sendo ingênuo, mas acredito
que há diversos fatores que incentivam
a colaboração por parte de um leitor.
A sensação de bem-estar moral por ter
colaborado com uma comunidade, por
exemplo, acho que é um deles. Grande
abraço a todos!
October 30th, 2007 at 12:14 pm
Ana, pensando alto aqui nos comments, essa necessidade de fama, ou pelo menos de visibilidade, talvez ajude a explicar porque as iniciativas de UGC, sem mediação jornalística, fazem MUITO mais sucesso no Brasil que as iniciativas de jornalismo participativo. Jornalismo (em seu sentido clássico) requer uma certa sobriedade, desprendimento que entra em choque com a superexposição típica da web2.0. O que vc acha?
Abs, Carlos
August 25th, 2008 at 5:03 pm
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