Francisco Madureira, o Madu, comentou sobre o post do Sou Repórter:

“Interessante uma percepção que tive ao te ler: “MANDE SUA NOTÍCIA. FIQUE FAMOSO. VIRE REPÓRTER”. Penso às vezes que é essa coisa do “famoso” que ainda impede o jornalismo cidadão de pegar no Brasil com a intensidade que pega lá fora. Algo que possa realmente fazer sentido e agregar valor à comunidade em que o cara vive, à la projetos Media Lab, e não “ir pra capa do iG”… não acha?”

Humm… Boa proposição, Madu. (E a gente só diz isso quando não tem resposta, né? Pois não tenho mesmo.)

Num arriscado exercício de pensescreve, tendo a achar que não, não é essa lógica da fama que não faz o jornalismo colaborativo “pegar” no Brasil. Ao contrário.

Se existem, hoje, algumas tímidas e algo toscas iniciativas de jornalismo colaborativo em sites brasileiros, de grandes marcas da mídia brasileira é bem graças à essa necessidade de exposição.

A Sou+Eu foi lançada sob a premisa “apareço, logo, existo”. E deu certo! Ok, o foco da revista não é informativo, mas entretenimento, mais ou menos por onde se norteia o VCnoG1. A diferença é que o VCnoG1 vende-se como informação, como notícia. Basta ver que ele está dentro de um portal essencialmente noticioso como o G1.

Nenhum desses, nem outros, como Minha Notícia, VC Repórter ou Eu-Repórter pode ser comparado, qualitativamente, a projetos do MIT, nem mesmo com o OhmyNews.

Mas a lentidão do crescimento dos cases brasileiros se deve a outros fatores mais sérios que a lógica da fama. Discuti isso num artigo que publiquei no OhmyNews. Entre eles: baixa atualização, falta de feedback e relacionamento com o colaborador, infra ruim para envio de conteúdo, ausência de foco editorial…

Esses são problemas do lado de quem oferece o espaço. É claro que há problemas do lado dos colaboradores. O que leva alguém a produzir conteúdo para esses espaços? Talvez essa pergunta, respondida apenas em hipóteses, seja o maior problema do jornalismo colaborativo não ter “pegado” ainda na mente do brasileiro.

Não precisaríamos ver o mundo com olhos mais críticos?

Não deveríamos deixar de lado a vergonha do nosso semi-analfabetismo e nos lançar ao desafio da escrita?

Não poderíamos ser melhor servidos em acesso digital?

Não precisaríamos parar de ver figurões da mídia como os únicos detendores da verdade soberana e inquestionável?

Tudo isso pode conviver com a fama, sabe? Logo, “ficar famoso” sendo cidadão repórter não é um problema. Talvez o problema real seja SOMENTE ficar famoso. Daí não há o que se esperar de jornalístico aí. Acessa o site do Big Brother que talvez as inscrições ainda estejam abertas…

Isso me causa mais preocupação, Madu, porque mexe com a consciência da cultura brasileira. Noutras palavras, o buraco é um pouco mais embaixo.