September 2007


Com algum delay ocasionado por um feriadão porto-alegrense, desconectado e bienálico, não poderia deixar de registrar nesse pequeno caderno de notas, orações e confidências o episódio ma-ra-vi-lho-so da publicação de uma notícia falsa pelo Terra e pelo portal do Estadão. (É… aquele mesmo que disse que credibilidade de verdade, só tem no site deles e não na blogosfera)

Soube via Alex Primo. Dêem uma espiada !

O mais gostoso - e por isso o episódio é ma-ra-vi-lho-so! - é que casos como esse servem como álibi perfeito quando alguém ousa suspeitar que o conteúdo produzido pelo cidadão repórter pode não ter tanta credibilidade do que reportagens feitas por jornalistas…

Eu falo, falo, falo que Drupal é a melhor plataforma para a prática do jornalismo colaborativo…

Bom, não sou só eu…

(Vontade grande de estar lá!!!)

Via Periodismo Ciudadano.

… como se nenhum o fosse… Hein? Alô? Já tá no ar?

O jornal Bom Dia, de Sorocaba (SP) comemora seus dois anos de circulação instituindo um novo cargo na redação, o Editor do Leitor.

Inicialmente, o posto foi assumido pela repórter Aline Gusmão, que “vai atender leitores por meio de telefonemas e e-mails, intermediar a participação e opinião deles nas reportagens e acompanhar as reuniões do Conselho de Leitores realizadas em todas as sedes do jornal.”

A pergunta que fica é: qual a diferença para um atendimento ao leitor?

Não falo de SAC, mas de atendimento, setor tradicionalíssimo em qualquer veículo de imprensa responsável por receber cartas, telefonemas e e-mails de leitores, filtrar esse material e, então, encaminhar à publicação num espaço pífio dos jornais.

Me parece que o Bom Dia também ampliou esse “espaço do leitor” - que nessa hora não é leitor droga nenhuma, mas deusolivre admiti-lo como emissor! -, ocorre que isso não basta para que se faça jornalismo colaborativo.

Ok, acho que não foi esse o objetivo dos caras. E talvez a iniciativa deles seja mesmo bacana em ampliar o quadradinho esmilinguido onde os leitores elogiavam e esbravejavam sobre o jornal.

Penso que o grande desafio da Aline será interferir o mínimo possível na mensagem que o público quiser veicular no jornal. Quem sabe assim ela, efetivamente, estará a serviço do leitor e se diferenciará dos seus outros colegas editores.

E observem quando a nota diz: “opinião deles nas reportagens”. Com todo o respeito, mas essa eu tô pagando prá ver! Se eles conseguirem, talvez instituam não apenas um novo cargo na redação, mas um novo jeito de fazer jornalismo. O que eu não acho má idéia…

Via Periodismo Ciudadano.

O público está produzindo e publicando conteúdo. Isso é fato. Mas ONDE ele faz isso?

As opções são várias: vão desde You Tubes até Wikis da vida, passando por jornalísticos OhmyNews ou personalíssimos blogs.

Mas que tal se ele publicasse NO SEU site?

É uma questão de posicionamento. Diante da eminência do UGC, e da qualidade que esse “conteúdo gerado pelo usuário” alcança, os veículos de comunicação têm duas opções:

( ) incorporar esse conteúdo ao seu e ganhar colaboradores
( ) deixar esse conteúdo de fora e ganhar concorrentes

Sutilmente, essa foi uma das idéias apresentadas pela Fabiana Zanni, gerente de Internet aqui da Abril, em sua palestra de hoje pela manhã durante o Curso Abril para Editores.

Me abri à clareza do raciocínio.

Dá licença, Pase, prá eu te roubar essa expressão lá de 2005?

É que o Rodrigo Martins apresentou na matéria sobre o debate sobre a blogosfera, sem saber, a visão de duas pessoas muito influentes à minha formação, seguidas pela minha: Jorge Rocha, Alex Primo e me!

Acho que nenhum indicou o outro, o que torna a abordagem do Rodrigo mais transparente… Talvez reflexo de por onde andam idéias sobre esse tema.

Tá no Estadão da última segunda.

Estreei hoje uma coluna no portal WebLivre, sobre Cultura Digital.

O convite chegou semana passada, pelo editor do site, o Filipe Iorio. Depois de alguma conversa, entendemos que, apesar desse portal ser beeeem voltado a temas técnicos de web, caberia ali um momento de mais reflexão.

Aí está o começo do resultado

Conheço essa frase há alguns anos, desde que “descobri” Dan Gillmor e os encantos do jornalismo colaborativo. Essa frase dele encerra toda a humildade necessária para este modelo. Em jornalistas e no publico leigo.

Só discordo do termo “leitores” para se referir a alguém que, no exato instante que sabe mais do que eu, pode deixar de ser apenas “leitor” e se tornar “co-autor”. Mas isso requer um processo, entendi. E essa frase, que Juliana Tiraboschi já classificou como “slogan” de Gillmor, pode ser apenas o começo.

E que belo começo…

***

Saiu uma reportagem sobre jornalismo colaborativo na revista Galileu desse mês.

Sobre ela:
* ao citar projetos brasileiros de conteúdo/jornalismo colaborativo, Juliana esqueceu de citar um dos projetos mais fortes neste modelo: o FotoRepórter, do Estadão.
* Oh Yeon Ho é escritor? Sempre o vi se apresentando como jornalista…
* “Quando Roh Moo-hyun foi eleito presidente do país em 2002, concedeu sua primeira entrevista ao site cidadão (OhmyNews).” - essa frase, solta, indica que o OhmyNews foi decisivo na eleição de Roh Moo-hyun, uma vez que os sul-coreanos fizeram alto uso do espaço para argumentar, em artigos, por quê ele devia ser o presidente.
* Juliana está de parabéns por ouvir, além do Dan Gillmor, o Ted Nelson, o Hermano Vianna, Andrew Keen (ok, ela pegou da Época).
* “Além disso, Bruns diz que as notícias são mais transparentes quando produzidas no formato “wiki”, aberto para edição. “A primeira notícia é o início da discussão. Alguns vão introduzir erros, mas outros vão corrigi-los”, diz.” - Discordo. Notícia não é como software livre, nessa hora (!), que pode ser always beta. O timing e a função social são completamente diferentes.
* “Orren resume o status atual do jornalismo colaborativo. O público já faz parte da produção das notícias. E cabe aos envolvidos estabelecer as regras do jogo.” - That’s the challenge!! É exatamente para isso que estamos trabalhando e discutindo tanto ;)

Juro que, na hora, não percebi. Mas o gesto do Edney Souza registrado nessa foto resume bem o espírito que tomou a blogosfera nessa última semana.

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