September 2007


Ontem foram anunciados os 10 medalhistas condecorados pela Medalha de Honra por distinção em serviços de jornalismo da Universidade de Missouri, em Columbia, Estados Unidos.

E lá no OhmyNews diz:

“Oh Yeon Ho expressed that he wanted to share this honor with OhmyNews’ 60,000 citizen reporters in Korea and abroad who participated in the experiments since the establishment of the site in 2000 and also with the staff members who willingly devoted their youth to flourishing citizen journalism.”

Detalhe bááásico: Mr. Oh está numa seleta lista composta por jornalistas do NYT, NBC, CNN e CBS.

Será esse um sinal de reconhecimento do modelo colaborativo de produção editorial como prática legítima e qualificada de jornalismo? Talvez não precisasse de tanto para ser reconhecido como tal, mas espero que seja, sim, um bom sinal.

Parabéns, Mr. Oh! Parabéns para nós!!

Fala, Renato Cruz:

“Não lembro onde eu li que o problema da internet é que ela tem mais gente querendo falar do que querendo ouvir.”

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Por outro lado, eu vivo ouvindo gente falando sobre a Lei do 1% (de 100 internautas, 89 deles apenas lêem o conteúdo da web, 10% interagem com ele, manifestando sua opinião e apenas 1% produz, de fato, novos conteúdos.

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Difícil, hein? Não consigo me posicionar em nenhum dos dois argumentos. Talvez eu lesse a colocação do Renato mais como “tem muita gente desinteressada naquilo que outras pessoas têm produzido”, mas mesmo assim não acho que isso seja uma verdade absoluta (se é que existem verdades absolutas!).

Anyway, é uma belíssima discussão. E continuo achando necessário, talvez urgente um estudo na área da sociologia para desbravar essa questão.

Ma-ra-vi-lha, já diria o mestre Nenê Beiçola…

Dica do Daniel Bender, via lista JW.

Porque gerir um blog não é tão fácil quanto gerir um país.

A Austrália comemora o lançamento do Scopical - um noticiário online também colaborativo.

Por que “também”? Porque eles são, antes de qualquer coisa, um espaço de notícias, breaking news mesmo, feito por profissionais ou mesmo vindo de agências. Mas também há espaço para pessoas “like you” enviarem seus conteúdos.

Na palavra dos caras:
“Scopical is an online news and media portal, breaking with the latest and most up to the minute news and analysis. Scopical is driven by both news and media pro’s, and the additions of people like you. Scopical takes media and content from agencies, news pro’s, bloggers and, if you’re not one of the above, anyone like you. best of all, beginning November*, we’re sharing the revenue, with up to half going back to anyone who makes an addition. if its compelling text, image, video or audio, we want it, and we want you.”

Ok que esse lance do “We want you” ficou meio Tio Sam demais, mas a idéia parece boa e eles estão prometendo, a partir de novembro, dividir a verba que ganharem com publicidade com seus colaboradores.

Uma pena que o sistema está com alguns bugzitos e não consegui me cadastrar ainda. Mas acho que vale um bom teste. Diz o Carlos Rix que a iniciativa promete…!

Mais uma coluninha no WebLivre.

Dessa vez, Baidu Baike - a famigerada enciclopédia chinesa - no mais autêntico estilo ‘made in China’.

Jorge Rocha (vulgo JR) mandou dizer que o professor Paul Bradshaw, da Universidade de Birmingham acabou de lançar um estudo sobre a aplicação da tecnologia wiki em processos jornalísticos.

A matéria saiu no Observatório de Imprensa e mostra cinco momentos em que o wiki pode ser aplicado ao jornalismo, especialmente o investigativo.

“a) Leitores podem editar um texto produzido numa redação jornalística de profissionais;

b) Edição conjunta de um material oferecido por diversas fontes;

c) Leitores agregam informações a uma reportagem produzida por um repórter profissional, sem alterar o conteúdo original;

d) Leitores e jornalistas profissionais publicam e editam material sem ordem e nem agenda pré-estabelecida;

e) Produção coletiva de reportagens por jornalistas pertencentes a uma mesma empresa ou redação.”

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Acho fantástico que se pense o jornalismo a partir de práticas colaborativas. Mas não a ponto de descaracterizar o próprio jornalismo. É a velha diferença entre JORNALISMO colaborativo e CONTEÚDO colaborativo. E o que o profe deixou claro aí acima é que o wiki, no jornalismo, está muito mais para CONTEÚDO do que para o próprio JORNALISMO.

Ficou confuso? Tá, ficou. Mas acho que a idéia a seguir torne tudo mais claro.

” (…) Outro aspecto que diferencia substancialmente o jornalismo da engenharia de software é o caráter beta no qual um programa de computador pode amparar-se na justificativa de que ainda não está completamente pronto ou possui erros aceitáveis. Uma notícia, porém, jamais será beta. Uma vez publicada, a notícia ganha reconhecimento público e influencia no curso da sociedade, muitas vezes, de modo irreversível. Isso significa: ainda que os erros na notícia em jornalismo open source sejam como os bugs no que toca à fácil correção, a justificativa de um erro não é tão facilmente aceita na notícia como no software.”

Esse é um trecho da minha dissertação de mestrado, feita nos idos de 2004/2005 e defendida em abril de 2006.

Nessa época, usava o termo “open source” no lugar de “colaborativo”, fazendo alusão a um modelo de produção específico, horizontalizado, bazar. Dá para dizer que wiki é open source por natureza, no que toca ao modelo de produção que lhe dá substância.

Ao estudar um certo “jornalismo open source”, aplicava esse modelo horizontalizado de software/informação ao jornalismo. Com ajustes. Eu não jogava um em cima do outro.

Tomar o conceito open source ou wiki ao pé da letra e aplicá-lo a um conteúdo editorial é o mesmo que matar o jornalismo (ok, ok, o JR diz há tempos que o jornalismo morreu, mas eu sou brasileira, né?).

Isso seria muito fácil! E a complexidade do modelo colaborativo no jornalismo está justamente aí: adaptar, criar condições específicas para um processo horizontalizado. Não caótico.

Notícia wiki é “always beta”. E isso não existe! Se é always beta, então não é notícia, não é jornalismo.

Eu ficaria apenas com o 5º ponto do profe Bradshaw.

Depois de criar o insosso “envie sua notícia“, a Folha Online faz uma nova tentativa de ser um tantinho 2.0 e inaugurou ontem o serviço de comentários.

Mas o que tenta ser uma abertura do site, chega carregada de impedimentos:

1) obriga os comentaristas a se cadastrarem junto ao Folha Online
2) limita quais as matérias que podem receber comentários
3) aplica filtro a todos os comentários ANTES de serem publicados.

E a nota de lançamento finaliza:
“A idéia do serviço é tornar transparente a opinião dos leitores sobre os assuntos publicados na Folha Online.”

Porto Alegre sofreu uma síncope de cegueira digital semana passada, que eternizou (ao menos na minha cabeça e de mais alguns camaradas) a máxima: “Paulo Sant’Anna é um jornalista multimídia”.

Nessas horas, em que múmias surgem de seus sarcófagos e atormentam a vida da gente dizendo que jornalismo de verdade é aquele que suja as mãos de tinta, é bom saber de fatos como esse, oportuníssimamente apontado pelo querido André Pase:

É que na noite de sábado (08/09), os blogs do Juca Kfouri e o Terra Magazine (blog do Bob Fernandes, vai!) divulgaram a bomba do relatório da PF que confirma o envolvimento do Corinthians/MSI com a máfia russa. A Folha (impressa) só foi noticiar isso na edição de domingo (09/09).

A história se repete. Em 2004, enquanto uma edição dominical da Zero Hora trazia a Gisele Bundchen na capa, o mundo acabava no Oceano Índico em meio às tsunamis.

Legal foi ver que não apenas a Internet furou o impresso - isso já virou commodity - mas a BLOGOSFERA furou! E furou num clima de alta gentileza e parceria: Terra citando UOL e vice-versa, por meio de seus blogueiros. Pase, outra vez: “ja diz eliana e os dedinhos, eles se saúdam/eles se saúdam”

Vai prá manga! ;-)

Ainda ontem comentava com a minha Mãe… Quanto tempo já perdi na minha vida numa parada, esperando ônibus!

Na Coréia do Sul esse tempo já não seria tão perdido assim. Desde 2005 estão disponíveis os serviços de TV mobile. Recentemente, The Economist publicou uma pequena reportagem a respeito (via Henrique Matos).

De fato, nesse mesmo ano eu vi um bichinho igual a esse quando visitei a matriz da Samsung, em Seul, apresentado como “o” lançamento naquele show room:

O texto do Economist conta que o hábito de assistir à TV pelo celular está visível até nas estações de metrô, onde as pessoas assistem a novelas e a boletins noticiosos enquanto esperam conduções. Até agora, já são 7,3 milhões de “telespectadores” mobiles.

O modo de transmissão por cabo, gratuita, atinge a maioria deles, correspondente a 6,3 milhões. O restante utiliza o serviço via-satélite, pelo que é cobrada uma taxa mensal de USD 11. Mas o governo faz uma previsão de que, até o final de 2008, mais de um quarto da população sul-coreana estará conectada a mais esse hábito de fruição midiática.

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