Tudo bem? Sou leitor do teu blog, como o André. Deixei esse mesmo comentário em resposta ao teu no blog dele.
Bom, queria ponderar algumas coisas contigo.
Nós realmente não trabalhamos com o pseudo-jornalismo colaborativo participativo que é marca dos principais portais de internet no país. Não nos propusemos a isso. Caminhamos no sentido da colaboração e da participação, por outros meios, em outras veredas.
Veja só: neste exato momento, estamos trabalhando, sob coordenação do Adriano de Angelis, na criação de um núcleo especializado na produção participativa e colaborativa. Participação e colaboração de fato, para todas as mídias digitais, inclusive para a TV aberta.
Pretendemos trabalhar nos moldes do que fizemos no processo dos Fóruns Sociais Mundiais (na Ciranda da Informação Independente, por exemplo). Isso quando a idéia de usar a web com essa finalidade não era o hype que é hoje. Não sei se você conhece a experiência. Muitos que dela participaram hoje fazem parte da equipe da ABr (www.ciranda.net) e rolou lá em Porto Alegre.
Mas mesmo assim, mesmo com essa limitação, hoje, na primeira página da Agência Brasil, você pode encontrar cartilhas sobre jornalismo colaborativo (escritas pelo Roberto Romano Taddei), que pretendem estimular o usuário a criar a sua própria página na internet - é uma forma de auxiliar com informações precisas sobre o tema.
Nesse sentido, criamos o blog-se, que se interrelaciona com as páginas já existentes, à medida em que há trocas de conteúdo entre nós e eles (trackbacks) - o que não é nada demais, mas estranhamente não é algo que ganhou força no país - em experiência ÃO que têm comentários, opiniões, votinhos e tal mas não se relacionam com a WEB.
E se você reparar, vai poder ver algumas experiências-piloto, como o blog Papo Pan (http://www.agenciabrasil.gov.br/blogs/2007/07/11/blog-do-pan), no qual 50 jovens de comunidades pobres do Rio de Janeiro puderam expor o “seu olhar” sobre o PanAmericano.
São algumas experiências, Ana. Nós, de fato, não temos o Eu Agência Brasil, ou a Minha Agência Brasil, mas não porque a gente não poderia ter.
Até poderia, mas entendemos que as dinâmicas de participação na rede devem caminhar por outras vias que não essas construídas pelo mercado de mídia (apropriando-se das reais experiências transformadoras que a web vem construindo).
Para a Agência Brasil, interessa participar dessa conversa global, contribuindo de forma específica, buscando modelos de relacionamento diferenciados - que respeitem sua característica de veículo público e segmentado, voltado para informar sobre os direitos que todos nós temos ao nascer no Brasil.
É nesse sentido que estamos trabalhando. Podemos estar errados, é uma tentativa, mas acho que a sua crítica - extremamente qualificada e importante - deveria levar em consideração esses elementos também.
Rodrigo, a Agência Brasil tem autonomia para adotar o modelo que quiser; não há certo ou errado. Mas vejo que o modelo que vocês adotaram não modifica, em essência, o fluxo comunicacional da grande mídia (ou dos veículos offline). Porque tu há de convires comigo que o Papo Pan não tem um quinto do grau de reconhecimento do site da Agência Brasil.
O que aponto é que o esquema de colaboração “por outras veredas” que vocês optaram tem muito do espaço “carta do leitor” dos jornais impressos, porque vocês fazem referências a esse conteúdo produzido pelo público.
E veja só: isso é a essência da rede! Linkar vários sites, usar trackbacks, permitir que a blogosfera converse… Vocês não estão fazendo nada além do que o default da web.
Enfim, a mudança é nítida, claro. Mas ainda creio que vocês estejam subaproveitando o potencial realmente colaborativo da web NO SITE DE VOCÊS. Estimular uma conversa global é óbvio demais e isso já acontece, independentemente da Agência Brasil.
A respeito dos Eu-notícia, Você-repórter e afins, tenho seríssimas críticas e acho que eles estão muito distantes de um modelo ideal de jornalismo colaborativo. Mas isso é outra história.
Sobre a iniciativa do Fórum, em Porto Alegre, acompanhei, sim. Inclusive eu fui barrada na porta por não ter crachá (ué? não é livre?) e quase tive minha câmera apreendida por não ser permitido tirar fotos daquele lugar. Até hoje me pergunto o por quê disso…
Enfim, vejo que vocês já deram um grande passo e esse pode ser apenas o começo de um site colaborativo de verdade.
September 12th, 2007 at 11:59 am
Oi Ana,
Tudo bem? Sou leitor do teu blog, como o André. Deixei esse mesmo comentário em resposta ao teu no blog dele.
Bom, queria ponderar algumas coisas contigo.
Nós realmente não trabalhamos com o pseudo-jornalismo colaborativo participativo que é marca dos principais portais de internet no país. Não nos propusemos a isso. Caminhamos no sentido da colaboração e da participação, por outros meios, em outras veredas.
Veja só: neste exato momento, estamos trabalhando, sob coordenação do Adriano de Angelis, na criação de um núcleo especializado na produção participativa e colaborativa. Participação e colaboração de fato, para todas as mídias digitais, inclusive para a TV aberta.
Pretendemos trabalhar nos moldes do que fizemos no processo dos Fóruns Sociais Mundiais (na Ciranda da Informação Independente, por exemplo). Isso quando a idéia de usar a web com essa finalidade não era o hype que é hoje. Não sei se você conhece a experiência. Muitos que dela participaram hoje fazem parte da equipe da ABr (www.ciranda.net) e rolou lá em Porto Alegre.
Mas mesmo assim, mesmo com essa limitação, hoje, na primeira página da Agência Brasil, você pode encontrar cartilhas sobre jornalismo colaborativo (escritas pelo Roberto Romano Taddei), que pretendem estimular o usuário a criar a sua própria página na internet - é uma forma de auxiliar com informações precisas sobre o tema.
Nesse sentido, criamos o blog-se, que se interrelaciona com as páginas já existentes, à medida em que há trocas de conteúdo entre nós e eles (trackbacks) - o que não é nada demais, mas estranhamente não é algo que ganhou força no país - em experiência ÃO que têm comentários, opiniões, votinhos e tal mas não se relacionam com a WEB.
E se você reparar, vai poder ver algumas experiências-piloto, como o blog Papo Pan (http://www.agenciabrasil.gov.br/blogs/2007/07/11/blog-do-pan), no qual 50 jovens de comunidades pobres do Rio de Janeiro puderam expor o “seu olhar” sobre o PanAmericano.
Ou mesmo os vídeos produzidos pelos Pontos de Cultura durante o Encontro Sul-Americano de Culturas Populares, publicados diretamente por eles nas nossas páginas: http://www.agenciabrasil.gov.br/coberturas-tematicas/2006/09/12/cobertura_tematica.2006-09-12.4232008033/view
São algumas experiências, Ana. Nós, de fato, não temos o Eu Agência Brasil, ou a Minha Agência Brasil, mas não porque a gente não poderia ter.
Até poderia, mas entendemos que as dinâmicas de participação na rede devem caminhar por outras vias que não essas construídas pelo mercado de mídia (apropriando-se das reais experiências transformadoras que a web vem construindo).
Para a Agência Brasil, interessa participar dessa conversa global, contribuindo de forma específica, buscando modelos de relacionamento diferenciados - que respeitem sua característica de veículo público e segmentado, voltado para informar sobre os direitos que todos nós temos ao nascer no Brasil.
É nesse sentido que estamos trabalhando. Podemos estar errados, é uma tentativa, mas acho que a sua crítica - extremamente qualificada e importante - deveria levar em consideração esses elementos também.
September 12th, 2007 at 3:28 pm
Rodrigo, a Agência Brasil tem autonomia para adotar o modelo que quiser; não há certo ou errado. Mas vejo que o modelo que vocês adotaram não modifica, em essência, o fluxo comunicacional da grande mídia (ou dos veículos offline). Porque tu há de convires comigo que o Papo Pan não tem um quinto do grau de reconhecimento do site da Agência Brasil.
O que aponto é que o esquema de colaboração “por outras veredas” que vocês optaram tem muito do espaço “carta do leitor” dos jornais impressos, porque vocês fazem referências a esse conteúdo produzido pelo público.
E veja só: isso é a essência da rede! Linkar vários sites, usar trackbacks, permitir que a blogosfera converse… Vocês não estão fazendo nada além do que o default da web.
Enfim, a mudança é nítida, claro. Mas ainda creio que vocês estejam subaproveitando o potencial realmente colaborativo da web NO SITE DE VOCÊS. Estimular uma conversa global é óbvio demais e isso já acontece, independentemente da Agência Brasil.
A respeito dos Eu-notícia, Você-repórter e afins, tenho seríssimas críticas e acho que eles estão muito distantes de um modelo ideal de jornalismo colaborativo. Mas isso é outra história.
Sobre a iniciativa do Fórum, em Porto Alegre, acompanhei, sim. Inclusive eu fui barrada na porta por não ter crachá (ué? não é livre?) e quase tive minha câmera apreendida por não ser permitido tirar fotos daquele lugar. Até hoje me pergunto o por quê disso…
Enfim, vejo que vocês já deram um grande passo e esse pode ser apenas o começo de um site colaborativo de verdade.