August 2007


Saiu hoje, na Carta do Editor, aqui da Abril, uma análise rápida - mas eficiente - do livro recentemente lançado lá fora, que apresenta os riscos, os desafios e as oportunidades de revistas que enfrentam essa fase de transição para web.

E como depois de amanhã começo a dar a disciplina Projetos Aplicados à Revista, na pós da UNA, em Belo Horizonte (siiiim! eu vou comer muito queijo-e-doce-de-leite com o Aécio!), achei essa análise muito oportuna até para trabalhar em sala de aula.

Mas mais do que isso, algo me chamou muito à atenção. O estudo aponta quatro pilares para uma transição de sucesso de meios até então apenas impressos para o ambiente digital:

1) User Generated Content (UGC): classificado pelo estudo como “o tema mais delicado da transição”. Isso fideliza o público à marca, dá maior visibilidade à publicação e exige que sejam contratados jornalistas para editar esse conteúdo (YES!! Nos dedos dos sindicatos!!) e separar bem o que é feito pela redação do que é UGC (aí melou, porque a lógica de não misturar conteúdo de jornalista com conteúdo de leigo é burra e preconceituosa!).

2) VÍDEOS: ano passado as revistas começaram a apostar fortemente na publicação de vídeos. Mas a gente sabe que isso aumenta a largura da banda e gera custo na manutenção dos servidores. Daí, que fazer: distribuir gratuitamente? Ai de quem quiser cobrar! Conteúdo pago, na rede, não cola! Já ficou óbvio isso! E não dura… porque rapidim, rapidim, a primeira pessoa que acessá-lo vai liberá-lo no YouTube e está celebrada a cultura bazar da horizontalidade!
Mas o estudo alerta: oferceça novidade em seus vídeos, e não informações replicadas das matérias do impresso, apenas em outra linguagem.

3) MÍDIAS EMERGENTES: apostar em podcasts e conteúdo mobile ajuda a manter a marca junto ao público em várias situações. O calcanhar de Aquiles, aqui, é descobrir qual o conteúdo mais apropriado para esses ambientezinhos pequenininhos mas potentes.
O livro mostra que usuários desses suportes preferem conteúdo mais prático, como previsão do tempo, horóscopo e resultados de jogos (esporte). Até aí, nada de novo :( Mas deve haver mais coisa… Paulo Ferreira que me complemente.

4) SEO (Search Engine Optimization): não adianta fazer um belo trabalho se ninguém o conhece, ninguém o vê. E como hoje, o maior palco da web é o Google, então é nele que sites se devem focar. Para isso, nada melhor que um bom trabalho de colocação nos resultados de buscas.

Para além desses pontos, The State of Digital Media enfatiza a importância de se mudar a mentalidade de empresas que fazem revista para que pensem digital, no estilo multiplataforma. Aquela velha história de driblar a caretice dos nossos coleguinhas-jurássicos-cabeças-de-papel…

Melhor do que triturar iPhone num liquidificador é entender um pouquinho melhor essa tecnologia, certo?

Se tu concordas comigo, então tens que dar uma passada pelo Ubimidia, o blog - ou b-log - do Eduardo Pellanda (sim, ele foi meu orientador de monografia e morro de orgulho disso).

Ele preparou dois vídeos youtubizados fazendo um review geralzão do iPhone, suas funcionalidades, a facilidade da navegação e do manuseio, enfim… de babar!

Passa !

Eita povo feliz esse da Sou+Eu!! Contagiam qualquer um com tanta simpatia e disposição ^.^

Aqui na Abril eu não tenho nenhuma redação, não trabalho em nenhum título, especificamente. Mas que eles me acolheram já é fato. E um fato para ser guardado para sempre, com todo o carinho…

Seja muito feliz, Dani!!!

Juliana Fernandes mandou dizer que a utilização de recursos mobile para UGC não só vai CRESCER como vai RENDER consideravelmente mais até 2012. A previsão da pesquisa feita pela Juniper Research é de “módicos” US$ 5,7 BIlhões para serviços de redes sociais e produção/veiculação de conteúdo.

Fiquei pensando como está na Coréia do Sul… Quando estive lá a primeira vez, em 2005, a Cyworld já despontava como uma das maiores empresas do setor e já papava US$ 3 BI de lucro em serviços de redes sociais móveis.

É que por lá a massa de adolescentes adotou o celular como serviço de encontro - presencial - ao passo em que os brasileiros ainda “se fecham” em casa ao liderarem o uso do Orkut e do MSN.

Mas esse uso “agregador” do celular já nem figura como tendência apontada pela mesma pesquisa. Ao contrário, eles acreditam que, para o ano de 2012, outros recursos tornarão o celular ainda mais indispensável.

Veja o que eles apontam:

- haverá 600 milhões de usuários de celular
- serviço de encontros e chat são responsáveis por 57% das receitas de UGC hoje. Em 2012 esse percentual pode cair para 21% enquanto outras aplicações experimentarão crescimento.
- o número de dowloads de conteúdos pessoais deverá crescer para 9 milhões.

“Há muito tempo que ando
nas ruas de um Porto não muito Alegre
E que no entanto me traz encantos
e o pôr-de-sol me traduz em versos

De seguir livre muitos caminhos
arando terras, provando vinhos
De ter idéias de liberdade
e ver amor em todas idades…”

Pão torrado, chimas, Ramilongas e uma cidade cinzenta ao redor me engolindo.

Nessas horas me pergunto: me eram as ruas do Porto, de fato, não muito Alegres?

***

Com o perdão do post personalíssimo.

(Juro. Vou me conter.)

A pergunta que não queria calar no intervalo do evento, em frente à banquinha de livros na FAPCOM era: “O Lévy lançou algum livro recentemente?”

Ninguém sabia. Ou achava que não. Lá estavam Tecnologias da Inteligência, Cibercultura, Inteligência coletiva, O que é o virtual? and that’s all. Todos do começo do milênio. Portanto, velhos.

(Claro que não conto com O Fogo Libertador, quando ele parece mostrar-se cansado desse cibermundo que tanto aplaudiu e volta-se à filosofia por si mesma.)

Mas vejam! Pierre Lévy no Brasil ainda soa como nos meus tempos de PUCRS, de Famecos (ô, saudade, viu?), quando o autor mais estudado por lá - graças ao Ubimidiático Orientador Eduardo Pellanda - estava entre nós lá pelo auditório do prédio 40. E isso tinha tudo de mítico!

Para a minha decepção, Lévy não trouxe novidades na mala. Mala mesmo foi o tradutor de inglês (já sofrível, pelo Lévy) para português, que mais desviava a atenção da platéia do que conduzia as idéias de web semântica que o francês tentou expor. É… ele tentou…

Não mais do que quatro slides e Lévy terminou sua palestra, para frustração de muito ali presentes, sem dizer nada de novo.

Lá por Porto Alegre a coisa parece ter sido mais proveitosa. Ao menos esse “Pierre Lévy, o retorno” chegou causando em função de uma declaração dele, em que Web 2.0 não é novidade. Pois eu queria tê-lo ouvido falar DISSO!

Uma pena… Bom foi ver que ele continua mega simpático, divertido e que, apesar do sumiço e da produção (?) discreta dos últimos anos, parece ainda disposto a falar de web…

E bom também voltar àquele prédio da FAPCOM, onde fui levar meu currículo enquanto só havia pedreiros terminando as obras, em dezembro de 2005, e uma telefonista alocada numa salinha improvisada. Queria dar aula de jornalismo digital lá.

Então perguntaram práquele grupo de jovens consumidores: se vocês tiverem uma boa idéia sobre um produto, guardam para si e desenvolvem ou compartilham com uma empresa do ramo?

Não foram unânimes. Alguns admitiram uma atitude mais egoísta com a bela justificativa “quem vai ganhar dinheiro com a minha idéia são eles, e não eu.” Outros foram ponderados: “Puxa… é a marca com que eu me identifico… Seria tão legal se eles desenvolvessem uma idéia MINHA!”

No universo jornalístico isso não é diferente.

Quando tu - e somente tu - tens uma informação quente, onde vai publicar: no OhmyNews ou no teu blog pessoal?

O valor da informação pode te realçar na blogosfera, como indivíduo e isso parece ótimo! Já enquanto cidadão repórter, o teu prestígio será compartilhado com a marca que chancela aquela informação - a do veículo.

Me parece que esse compartilhamento do mérito é da ordem da troca de maçãs versus troca de idéias*.

Aliando a minha reputação à chancela de um veículo sobre o meu trabalho, a informação que eu publico cresce em importância. E eu não perco prestígio. Afinal, jornalismo colaborativo é, antes de tudo, uma comunidade, assim como a blogosfera, mas um pouco mais institucionalizado, talvez.

A questão não está fechada e me inquieta. Tu tens idéia do que faria nessa situação: postaria no teu blog ou mandaria para um jornal colaborativo?

*(Trocando maçãs, ficamos com uma, cada um. Trocando idéias, ficamos com duas, cada um.)

UPDATED:
André Deak respondeu:
“Ana, eu costumo publicar no blog, mas gastar um pouco mais de tempo e publicar também em sites como o Overmundo. Especialmente artigos. Até porque esses sites levam a idéia muito mais longe do que se estivesse em um só lugar (o meu blog, por exemplo).

Sempre que fiz isso, as colaborações (comentários, por exemplo) que vieram dos outros sites foram bastante relevantes para o debate proposto.

E essas colaborações rendem outro post, que referencia para o debate no site colaborativo…”

O André tem razão. Eu mesma já fiz isso aqui no Libellus e acho maravilhoso quando os blogueiros o fazem. É conversação pura! E com o mesmo status de post.

Depois de invadir o Orkut e marcar considerável presença no YouTube, o brasileiro é o 5º maior leitor de blogs no ranking mundial, com 10% a mais de visitantes do que a média internacional.

Melhor do que isso é saber que somos o terceiro povo mais blogueiro do ciberespaço! Dos 170 milhões de blogueiros do mundo, 5,9 milhões são brasileiros.

Se o assunto é upload de fotos, então somos o 4º país mais ligado a essa prática.

A pesquisa foi encomendada pela Intel, realizada pela agência McCann e divulgada pela PC World/IDG Now.


“O interesse dos usuários brasileiros por conteúdo multimídia merece destaque. o Brasil é o 3o país no mundo que mais assiste vídeos na web e o segundo que mais carrega conteúdo multimídia na internet. Ainda na área multimídia, os brasileiros são o 3o no ranking mundial em download de podcasts.”

“Ela” é a empresa, marca que quer contar com a colaboração de seus consumidores. E o povo completa: “O interesse é dela, oras!”

Essas frases que ouvi ontem procedem. E muito! Elas foram ditas num contexto ruim para colaboração. O público não está a fim de interagir, de procurar uma empresa para oferecer sugestões de como melhorar seu produto/serviço. A razão?

“A gente chega em casa cansado, pega ônibus, trabalha, daí senta no sofá e vê novela.”

Sei bem como é isso. E essa declaração também procede. Não se trata de vadiagem, falta de interesse. Mas de estímulo. E só quem pode estimular o colaborador é a empresa/marca que PRECISA dele.

Isso é exatamente igual no jornalismo. Ainda hoje li um texto que dizia o seguinte:

“Seeding: Invite and encourage civil people

The “if you build it, they will come” approach to online community rarely produces good results. Most people don’t want to be the first one to strike up a public conversation. It’s helpful to do some behind-the-scenes recruiting of knowledgeable, reasonable, friendly, interested, and gregarious people to check in with your community regularly.

This “seeding” strategy not only helps get discussion rolling; it also can help attract more positive, constructive people to your community. When recruiting, try to get at least five-to-eight people to start. It’s wise to set light but reasonable expectations — such as three posts or responses a week, for a month. Use private e-mail to gently, positively nudge the laggards. Suggest topics they might post about, or ask questions and encourage them to respond via a public post.”

Este texto se refere à colaboração em comunidades de jornalismo ou conteúdo colaborativo em geral. Mas poderia ser aplicado a relações colaborativas em marketing. Com prejuizos, claro.

Relações de marketing envolvem o lucro monetário, enquanto o jornalismo visa ao bem público. Ok, a coisa não pode ser levada tãão ao pé da letra, mas colaborar com uma empresa significa que alguém vai lucrar sobre a tua idéia. Enquanto colaborar com um noticiário, o público é que vai ser o beneficiário pela informação.

E isso remete à outra idéia que pipocou ontem, mais ou menos assim:

“Falar (reclamar) de uma marca para um jornalista é uma coisa. Falar prá própria marca é mais difícil.”

Será o comodismo de um espaço (pretensamente) neutro que deixa o público mais à vontade de colaborar com o trabalho de um jornalista do que com uma marca?

Enfim, com maior ou menor ênfase na publicidade e no jornalismo, o espaço colaborativo é que tem que correr atrás dos colaboradores. Nem que seja num primeiro instante.

COMO fazer isso ainda é uma paisagem nebulosa. E muito instigante…

Quem já estava de saco cheio de me ouvir (ou ler) só falando sobre jornalismo colaborativo (viu, Duds?), alegre-se porque gravei uma faixa nova, porém não tão distante do meu disco repetido.

Tudo por “culpa” da GS&MD e do Kaike Nanne. A GS&DM é uma empresa de consultoria em marketing que está realizando um estudo fantástico sobre Consumidor Colaborativo. Eles chamaram o Kaike Nanne, Diretor de Núcleo das Semanais de Comportamento aqui da Abril - entre elas, a Sou+Eu - para apresentar o case da revista. E me levou a tiracolo. Grazie!

Sem esgotar a discussão sobre como monetizar conteúdo colaborativo, penso que a publicidade ainda seja O canal. Então, nada mais oportuno do que pensar em publicidade (e relações comerciais em geral) colaborativa!

O assunto não é novo e a Frito-Lay já mandou o povo pensar e fazer comerciais de 30 segundos para veicular no intervalo da finalíssima do SuperBowl. A Skol já perguntou pro público “O que você vai contar?” no próximo verão, na campanha “Tá na Roda? Tá redondo!”, antes das últimas águas de março.

Mas a discussão pode - e deve! - ir além de comerciais gravados pelo consumidor.

Trata-se de um pacto entre consumidor e marca. Ou mais do que isso: entre consumidor-e-consumidor ATRAVÉS da marca, o que pode surtir ainda mais efeito.

Interessante - e triste - perceber que, para muita gente, “contato com a marca” é sinônimo dos falidos 0800 e SAC para um único objetivo: RECLAMAR. E mesmo nisso as empresas falham.

“Não quero falar com qualquer um, mas com alguém que tenha capacidade prá resolver meu problema” - adverte um jovem consumidor. O “qualquer um” é um atendente de telemarketing que é pago para resolver problemas que não foram causados por ele. Logo, não tem capacidade para sanar. É pura falta de foco.

Vejo isso acontecer direto no jornalismo. Conversar com um jornalista específico sobre aquela matéria que ele assinou é um parto! A saga começa em telefonistas e termina no também falido Atendimento ao Leitor. Ou seja: jornalistas são intocáveis. Assim como os “cabeças” das grandes empresas.

Esse distanciamento provocado por processos altamente burrocráticos de relacionamento com o público mais dispersa do que atrai. Brilhante é notar que o público está se dando conta dessa insatisfação e não aceitando mais ser tratado como coadjuvante - ou contra-regra! - dessa trama.

Jornalistas, CEO’s, gerentões e quem mais estiver enclausurado no comodismo ou na arrogância: desçam de suas torres de marfim e escutem (mais do que isso: RESPONDAM) a quem realmente interessa ao negócio de vocês - o público.

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