Tue 28 Aug 2007
O teco-teco da Ocean Air fez um serviço de primeira. Pousos e aterisagens perfeitos. Pessoal de solo muito atencioso. Guichês sem filas. Serviço de bordo impecável. E apesar das tarifas baratinhas, o lanche não era amendoim ou barrinhas de cereais, mas sanduíche, torta fria, salada de frutas, espetinhos de presunto, queijo e azeitona. Fazia até a gente esquecer que aquilo era um Fokker 50, de hélices, levando duas horas e meia de Ipatinga a São Paulo.
Mas nada disso fez da aterisagem na pista de Congonhas um momento tranquilo. Nem a mão firme do comandante evitou que passageiros fizessem o sinal da cruz ao primeiro trem de pouso tocar o solo. O medo era dali prá frente.
E logo mais à frente, luzinhas vermelhas indicavam onde o avião não podia avançar. E onde o Airbus da TAM, aquele, do vôo JJ 3054 avançou. E saiu da pista. E invadiu o prédio. E explodiu. E matou 199 pessoas.
Passado mais de um mês, o acidente ainda gera consternação de quem pousa em Congonhas. Para nossa sorte, a noite estava seca. Mas a memória ainda chorava, num desembarque historicamente coroado pela sensação: ESTOU VIVA.