Saiu hoje, na Carta do Editor, aqui da Abril, uma análise rápida - mas eficiente - do livro recentemente lançado lá fora, que apresenta os riscos, os desafios e as oportunidades de revistas que enfrentam essa fase de transição para web.

E como depois de amanhã começo a dar a disciplina Projetos Aplicados à Revista, na pós da UNA, em Belo Horizonte (siiiim! eu vou comer muito queijo-e-doce-de-leite com o Aécio!), achei essa análise muito oportuna até para trabalhar em sala de aula.

Mas mais do que isso, algo me chamou muito à atenção. O estudo aponta quatro pilares para uma transição de sucesso de meios até então apenas impressos para o ambiente digital:

1) User Generated Content (UGC): classificado pelo estudo como “o tema mais delicado da transição”. Isso fideliza o público à marca, dá maior visibilidade à publicação e exige que sejam contratados jornalistas para editar esse conteúdo (YES!! Nos dedos dos sindicatos!!) e separar bem o que é feito pela redação do que é UGC (aí melou, porque a lógica de não misturar conteúdo de jornalista com conteúdo de leigo é burra e preconceituosa!).

2) VÍDEOS: ano passado as revistas começaram a apostar fortemente na publicação de vídeos. Mas a gente sabe que isso aumenta a largura da banda e gera custo na manutenção dos servidores. Daí, que fazer: distribuir gratuitamente? Ai de quem quiser cobrar! Conteúdo pago, na rede, não cola! Já ficou óbvio isso! E não dura… porque rapidim, rapidim, a primeira pessoa que acessá-lo vai liberá-lo no YouTube e está celebrada a cultura bazar da horizontalidade!
Mas o estudo alerta: oferceça novidade em seus vídeos, e não informações replicadas das matérias do impresso, apenas em outra linguagem.

3) MÍDIAS EMERGENTES: apostar em podcasts e conteúdo mobile ajuda a manter a marca junto ao público em várias situações. O calcanhar de Aquiles, aqui, é descobrir qual o conteúdo mais apropriado para esses ambientezinhos pequenininhos mas potentes.
O livro mostra que usuários desses suportes preferem conteúdo mais prático, como previsão do tempo, horóscopo e resultados de jogos (esporte). Até aí, nada de novo :( Mas deve haver mais coisa… Paulo Ferreira que me complemente.

4) SEO (Search Engine Optimization): não adianta fazer um belo trabalho se ninguém o conhece, ninguém o vê. E como hoje, o maior palco da web é o Google, então é nele que sites se devem focar. Para isso, nada melhor que um bom trabalho de colocação nos resultados de buscas.

Para além desses pontos, The State of Digital Media enfatiza a importância de se mudar a mentalidade de empresas que fazem revista para que pensem digital, no estilo multiplataforma. Aquela velha história de driblar a caretice dos nossos coleguinhas-jurássicos-cabeças-de-papel…