Wed 15 Aug 2007
“Ela” é a empresa, marca que quer contar com a colaboração de seus consumidores. E o povo completa: “O interesse é dela, oras!”
Essas frases que ouvi ontem procedem. E muito! Elas foram ditas num contexto ruim para colaboração. O público não está a fim de interagir, de procurar uma empresa para oferecer sugestões de como melhorar seu produto/serviço. A razão?
“A gente chega em casa cansado, pega ônibus, trabalha, daí senta no sofá e vê novela.”
Sei bem como é isso. E essa declaração também procede. Não se trata de vadiagem, falta de interesse. Mas de estímulo. E só quem pode estimular o colaborador é a empresa/marca que PRECISA dele.
Isso é exatamente igual no jornalismo. Ainda hoje li um texto que dizia o seguinte:
“Seeding: Invite and encourage civil people
The “if you build it, they will come” approach to online community rarely produces good results. Most people don’t want to be the first one to strike up a public conversation. It’s helpful to do some behind-the-scenes recruiting of knowledgeable, reasonable, friendly, interested, and gregarious people to check in with your community regularly.
This “seeding” strategy not only helps get discussion rolling; it also can help attract more positive, constructive people to your community. When recruiting, try to get at least five-to-eight people to start. It’s wise to set light but reasonable expectations — such as three posts or responses a week, for a month. Use private e-mail to gently, positively nudge the laggards. Suggest topics they might post about, or ask questions and encourage them to respond via a public post.”
Este texto se refere à colaboração em comunidades de jornalismo ou conteúdo colaborativo em geral. Mas poderia ser aplicado a relações colaborativas em marketing. Com prejuizos, claro.
Relações de marketing envolvem o lucro monetário, enquanto o jornalismo visa ao bem público. Ok, a coisa não pode ser levada tãão ao pé da letra, mas colaborar com uma empresa significa que alguém vai lucrar sobre a tua idéia. Enquanto colaborar com um noticiário, o público é que vai ser o beneficiário pela informação.
E isso remete à outra idéia que pipocou ontem, mais ou menos assim:
“Falar (reclamar) de uma marca para um jornalista é uma coisa. Falar prá própria marca é mais difícil.”
Será o comodismo de um espaço (pretensamente) neutro que deixa o público mais à vontade de colaborar com o trabalho de um jornalista do que com uma marca?
Enfim, com maior ou menor ênfase na publicidade e no jornalismo, o espaço colaborativo é que tem que correr atrás dos colaboradores. Nem que seja num primeiro instante.
COMO fazer isso ainda é uma paisagem nebulosa. E muito instigante…