Wed 15 Aug 2007
Quem já estava de saco cheio de me ouvir (ou ler) só falando sobre jornalismo colaborativo (viu, Duds?), alegre-se porque gravei uma faixa nova, porém não tão distante do meu disco repetido.
Tudo por “culpa” da GS&MD e do Kaike Nanne. A GS&DM é uma empresa de consultoria em marketing que está realizando um estudo fantástico sobre Consumidor Colaborativo. Eles chamaram o Kaike Nanne, Diretor de Núcleo das Semanais de Comportamento aqui da Abril - entre elas, a Sou+Eu - para apresentar o case da revista. E me levou a tiracolo. Grazie!
Sem esgotar a discussão sobre como monetizar conteúdo colaborativo, penso que a publicidade ainda seja O canal. Então, nada mais oportuno do que pensar em publicidade (e relações comerciais em geral) colaborativa!
O assunto não é novo e a Frito-Lay já mandou o povo pensar e fazer comerciais de 30 segundos para veicular no intervalo da finalíssima do SuperBowl. A Skol já perguntou pro público “O que você vai contar?” no próximo verão, na campanha “Tá na Roda? Tá redondo!”, antes das últimas águas de março.
Mas a discussão pode - e deve! - ir além de comerciais gravados pelo consumidor.
Trata-se de um pacto entre consumidor e marca. Ou mais do que isso: entre consumidor-e-consumidor ATRAVÉS da marca, o que pode surtir ainda mais efeito.
Interessante - e triste - perceber que, para muita gente, “contato com a marca” é sinônimo dos falidos 0800 e SAC para um único objetivo: RECLAMAR. E mesmo nisso as empresas falham.
“Não quero falar com qualquer um, mas com alguém que tenha capacidade prá resolver meu problema” - adverte um jovem consumidor. O “qualquer um” é um atendente de telemarketing que é pago para resolver problemas que não foram causados por ele. Logo, não tem capacidade para sanar. É pura falta de foco.
Vejo isso acontecer direto no jornalismo. Conversar com um jornalista específico sobre aquela matéria que ele assinou é um parto! A saga começa em telefonistas e termina no também falido Atendimento ao Leitor. Ou seja: jornalistas são intocáveis. Assim como os “cabeças” das grandes empresas.
Esse distanciamento provocado por processos altamente burrocráticos de relacionamento com o público mais dispersa do que atrai. Brilhante é notar que o público está se dando conta dessa insatisfação e não aceitando mais ser tratado como coadjuvante - ou contra-regra! - dessa trama.
Jornalistas, CEO’s, gerentões e quem mais estiver enclausurado no comodismo ou na arrogância: desçam de suas torres de marfim e escutem (mais do que isso: RESPONDAM) a quem realmente interessa ao negócio de vocês - o público.