July 2007


Tá no MediaCon:

“O Instituto Sensus divulgou nesta semana uma pesquisa em que a internet aparece como a terceira mídia mais procurada no Brasil. Aproximadamente, 9,4% dos entrevistados afirmaram que preferem veículos digitais em detrimento de jornais (5,4%) e revistas (0,9%).”

Madrugadas insones têm disso. Mas confesso, com a vergonha da desatualização (o filme é de 2001), que Antitrust foi um dos melhores filmes que já assisti nos últimos meses.

Prá situar: “A computer programmer’s dream job at a hot Portland-based firm turns nightmarish when he discovers his boss has a secret and ruthless means of dispatching anti-trust problems.”

Ou uma imitação barata do Bill Gates (algo pode ser mais “barato” que o próprio Bill Gates?) seduz um nerdzito - até então mente open source - prá jogar no time dele. Enquanto isso, o megaempresário mata um dos amigos do nerdzito - também nerdzito - em busca do código que faria o mundo se conectar como nunca dantes visto!

Mas Antitrust (trailler) me atraiu por dois momentos, em especial:

1. “Você esperava o quê?”

Ainda na garagem, os nerdzitos do Silicon Valley quebravam a cabeça atrás de um código que facilitaria a vida das pessoas e, feito o trabalho, o liberariam à comunidade. Afinal, conhecimento é produto e propriedade da humanidade.

Enquanto isso, assistiam a um chat ao vivo com o Bill Gates cover, mediado por um jornalista tipo Jô Soares. Daí os guris mandam uma pergunta maomeno assim: “Por que você não abre o código de seus programas? Já não está rico o suficiente?”

Adivinha…

O jornalistão selecionou uma pergunta enviada por outro internauta, questionando algo como “O que você serve de bebida aos seus programadores?”

Ao ver que a questão “pega-prá-capar” foi barrada no gate do keeper, os nerdzitos exclamaram um ao outro: “Sim, você esperava o quê?…”

A cena foi tão rápida quanto chocante. Foi como se eles dissessem: “Seu tolo! Achou mesmo que a grande emissora de TV que entrevista esse cara e deve comer na mão de sua mente proprietária (ai, que muito Sérgio Amadeu essa expressão!) iria mesmo ser tão transparente a ponto de atender a um telespectador e pôr seu entrevistado contra a parede justamente tocando no ponto que revela seu lado mais vil?”

E viva a “ação comum”/comunicação de um só falante, do jornalismo tradicional…

2. Os Mancomunados
Ao descobrir os podres da Nurv (Microsoft cover), o nerdzito-mor queria pôr tudo no ventilador e logo pensou usar grandes emissoras de televisão em cadeia nacional. Mas…

- ABC havia recém fechado um acordo com Nurv…
- CNN apoiava o desenvolvimento do Synapse, em código fechado, lógico…
… e por aí ía.

It means: mancomunados, empresa do mal e grandes grupos de mídia, formavam uma fortaleza contra esses ingênuos justiceiros. (Eles mostraram não ser tãão ingênuos assim, mas saiba como vendo o filme, vale a pena.)

***

Nessas horas eu penso no discurso da mídia tradicional bradando a liberdade de informação, pluralidade da notícia e transparência. E quase arranco os cabelos.

Penso também naquelas correntes do jornalismo que questionam a qualidade do conteúdo produzido colaborativamente. E no quanto são cegas.

Já virou até chacota hollywoodiana…

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