July 2007


“Hj tivemos a temperatura + baixa desde julho de 2000: Porto Alegre amanheceu c/ zero grau e 3 décimos! Como escreveu o Juremir: saudade do aquecimento global…”

O slogan do OhmyNews, criado pelo Mr. Oh Yeon Ho, traduz muito lucidamente o espírito do jornalismo colaborativo: Todo cidadão é um repórter.

Mas longe, muito longe de sonhar em ter a mesma abrangência, comecei a acreditar noutra premissa, que não exclui a do Mr. Oh. Só a complementa:

Transforme seu cotidiano em notícia.

Aos meus olhos, esse é um pilar tão forte do jornalismo colaborativo, quanto reconhecer que todo cidadão é um repórter.

E por dois motivos:

1) sugerir que o cidadão repórter transforme seu cotidiano em notícia é reconhecer news values em sua realidade. Aquela… que nunca aparece na mídia mainstream. E jornalismo colaborativo é isso! Fatos que ficam de fora do noticiário, mas que têm peso editorial. (E isso bate de frente com aquelas pseudo-colaborações limitadas a um relato de notícias requentadas dos jornalões.)

2) sugerir que o cidadão repórter transforme o seu cotidiano em notícia é definir seu escopo de pautas. E isso ajuda muito naquele estranhamento natural que o cidadão sente ao saber que ele pode, sim, ser um repórter. (OH! Um Repórter!, sabe?)

E aí entra o título desse post… que a gente transforma em notícia quando o cotidiano da gente é algo tão previsível quanto amorfo quanto rotineiro quanto trivial? Enfim… o que a gente transforma em notícia quando nada acontece?

Eu juro… queria tanto escrever mais pro OhmyNews… quem sabe até participar de outros projetos de jornalismo colaborativo.

Mas não é todo o dia que cai uma estação de metrô ao lado do teu trabalho

Taí mais um dilema prá resolver dentro do fantástico mundo do jornalismo colaborativo… :P

UPDATED: ok, ok… Eu reconheço feiamente que morri de inveja ao ouvir que minha colega se viu no meio de um tiroteio ontem à noite, aqui em São Paulo… (Quem diria!)

Essa é para os papa-pageviews:

“A Nielsen deve anunciar hoje que deixa de informar rankings de sites com base em page views e passa reportar o tempo total que os usuarios permanecem nos sites. (…)
Acredita que a mudança é necessaria em funçao de novos hábitos dos usuarios (crescimento da audiência a videos online) e de novos recursos tecnologicos. (…)
Segundo a Nielsen, o tempo passado nos sites é a melhor medida para refletir o nivel de envolvimento do usuario.”

Deu no BlueBus e o Henrique Matos mandou dizer.


E pensar que eu estava offline durante o feriado… E pensar que eu NÃO VI um artigo meu voltar à home do OhmyNews… :(

Mas o mais importante é que voltei para lá - cheguei a “sair”? E só tenho a agradecer ao Todd que, apesar de tanto trabalho, arrumou tempo para editar algo “no-hard news”, ajustando EXATAMENTE do jeito que eu queria. :)

No original, por não encontrar a palavra “banalização”, no inglês, acabei usando “trivialidade”. Mas claro que o significado não é a mesma coisa.

Pois sem ser avisado, Todd entendeu que a palavra mais correta seria “banalização”.

No fim das contas, essa história do jornalismo colaborativo no Brasil estar a um passo da banalização é quase como o caso do copo com água pela metade…

- que bom! Está quase cheio! (E temos alguma coisa em colaboração.)
- que triste! Está quase vazio! (E essa “alguma coisa” ainda tem muuuito a ser aperfeiçoada para ser realmente chamada de JORNALISMO COLABORATIVO.)

Ju Fernandes mandou dizer que o IDGNow publicou hoje uma pesquisa realizada dentro do Enade. E essa pesquisa mostrou que 33,2% dos universitários preferem a Internet do que a televisão.

Detalhe: em 2002, esse índice era de 9,5%.

Como a Ju mesma disse, essa preferência já era sabida ou, ao menos, desconfiada. Mas sempre é bom mostrar isso com números. Uma boa defesa agradece ;)

O blog da Cris Dissat promete prá esses dias de Pan!

Reconhecida por fazer o jornalismo cidadão mais autêntico - ela reporta aquilo que vê da janela da casa dela, ao lado do Maracanã, todo o fim de jogo - ela desfruta uma posição privilegiadíssima, melhor que cabine de imprensa, porque vai focar os fatos extra-oficiais do Pan no Rio.

Há pouco, passando novamente por lá, encontrei um post da Cris comentando as regras que o COI ou o COB estabeleceu para quem for assistir às competições. Entre elas:

- é expressamente proibido transmitir imagens, sons, dados, resultados ou comentários relativos aos Jogos, por qualquer meio, incluindo telefones celulares, modem ou outro dispositivo móvel.

- o portador autoriza e dá permissão para captação e utilização de sua imagem e voz, de acordo com o disposto no Guia do Espectador.

(gar-ga-lha-das!!)

Duvido que ninguém vá registrar o que rola no Pan. Por quê? Simples! Não há como controlar nem mesmo como segurar o afã da produção de conteúdo prá web que pulsa nesse povo.

Quanto ao segundo ponto… cá prá nós, né? É muuuita cara-de-pau! Além de te proibirem de registrar o evento, te obrigam a vender tua imagem e voz. Ou melhor, DAR! Porque só quem ganha alguma coisa nessa hora é a mídia mainstream.

Revolta, viu?

Melhores momentos da palestra do Dan Gillmor no OMNI CR’ Forum

Filosofia da Experimentação

1. Agir com franqueza, sinceridade
2. Usar ferramentas que já existem
3. Colabore! com o projeto, antes e depois de pronto
4. CORRA RISCOS

***

“Nós precisamos comemorar o fracasso de algumas pessoas que fizeram coisas boas. Porque com isso nós aprendemos” - falando de muitas startups que fracassaram foram uma espécie de mártires da Web 2.0. Claaaaro que eu lembro do NoMínimo, né?

***

“Ao fazer um blog jornalístico, não pense que está fazendo um jornal SEU, mas um jornal NOSSO. Eu posso interferir diretamente diggando seus posts ou não.”

***

Diante de um noticiário qualquer, são princípios:

1. ser cético
2. ajustar o quociente de confiabilidade para cada site
3. participar, reportando erros, enganos ou novas versões da notícia

***

“Todos os jornalistas têm uma grande missão: ajudar e ensinar as pessoas a colaborarem.”

Finalmente, OhmyTV disponibilizou os vídeos das sessões desse último Fórum de Citizen Journalism.

Pelos títulos, a curiosidade aguça!

Jornalismo cidadão na Rússia, Ucrânia, Polônia e Estônia… na África do Sul e na Austrália… no Japão e na América…

Mas imperdível está a sessão com Dan Gillmor. Não adianta… em jornalismo colaborativo, esse é O cara!

… onde vão parar as “notícias” que o internauta envia para a Folha?

Ele relinchou:

“Se em um período de três meses não se completar a adesão da Venezuela ao Mercado Comum do Sul, nós teremos que lamentavelmente nos retirar definitivamente desta instância internacional”

Só tá faltando a aprovação do Paraguai e do Brasil. Paraguai trimilicou diante da ameaça “Não brinco mais!” de Chávez.

O Brasil…

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