Kalleo Coura, blogueiro do Curso Abril, me perguntou ontem à tarde em quais os pontos que um jornalista que trabalha com jornalismo colaborativo deve prestar atenção para não cometer gafes como a do UOL.

A pergunta é excelente, oportuníssima e rende, no mínimo, um TCC. Mas tentei pensar por esse caminho…

“1. Checar a identidade do colaborador (e isso já depende do processo de cadastramento/envio de conteúdo. É fundamental que os veículos exijam a identidade - e não pseudônimos - bem como contatos de quem deseja publicar seu conteúdo naquele espaço).
Dentro disso, a primeira coisa é ver se a identidade é real, e para isso há sites como a Receita Federal para se certificar. Outro passo é se cercar do máximo de informações sobre quais os rastros que aquela pessoa deixou pela web - a que se dedica, que tipo de site relaciona seu nome. E para isso, basta “dar um Google” no nome dela entre aspas.

2. No caso de textos, é fundamental checar se não se trata de plágio. Uma medida simples mas eficaz é buscar trechos do texto na rede. Isso não é garantia total de que o texto é inédito ou de autoria daquele colaborador. Mas para esses casos que, espera-se, sejam exceção, o veículo se preveniu ao afirmar, nos Termos de Uso acordados com o internauta, que ele é o responsável legal por todo o conteúdo que for enviado/publicado por ele.

3. Dividir a análise do conteúdo com um ou mais colegas. Se for imagem, é importante que um fotógrafo/cinegrafista também analisem a colaboração. Eles têm o olhar mais apurado para avaliar a veracidade de uma imagem.

4. Compartilhe aquela informação com sua rede, antes de publicá-la. No caso de conteúdos inéditos na grande mídia, pode ser decisivo investigar se o material se refere a um episódio verídico por meio de listas de discussão, referências na blogosfera (Technorati), sites locais (sem contar amigos, pessoas de confiança).

5. Contate o autor daquela colaboração e interpele-o de todas as maneiras possíveis, para se cercar de informações sobre a exatidão daquele conteúdo. Às vezes, o tom de voz, a reticência e a contradição na fala do colaborador podem denunciar a falsidade do conteúdo que produziu.

6. Nunca se aproprie do material do colaborador. Isso significa que o texto deve ser editado sem tirar o colaborador de seu lugar de fala. Os créditos de uma imagem ou um vídeo sempre devem ser do autor (nunca do veículo) e um texto nunca pode trazer expressões afirmativas em nome do veículo. Por exemplo, no caso de uma entrevista, antes da pergunta deve aparecer o nome do colaborador e não do veículo. Inclusive, a melhor linguagem a se utilizar no conteúdo colaborativo é personalíssima, em primeira pessoa, preferencialmente, com caráter de testemunho.

De resto, é bom lembrar que nenhum modelo de jornalismo, em nenhuma mídia é infalível. Pensar assim não justifica negligências como ocorreu no UOL - afirmo isso porque sei do preconceito que o UOL mantém diante do conteúdo produzido pelo internauta. Mas vale lembrar que, assim como Jason Blair, jornalista profissional, mentiu durante meses num dos maiores jornais do mundo, é possível acontecer do jornalista editor de conteúdo colaborativo percorrer esses seis pontos e, mesmo assim, cometer uma gafe.

Cumprir esses pontos, por outro lado, certamente deixará o risco da gafe bem menor.”

Alguém lembra de mais alguma coisa?

- raciocínio em desenvolvimento -