June 2007


Não, isso não é título de romance canastrão. Aliás, canastrão ontem pareceu outra coisa… Anyway…

Para o auto-intitulado blogueiro Pedro Dória, OhmyNews é mão-de-obra barata, quem escreve notícia mesmo é jornaliiiiiista, credibilidade quem tem mesmo é jornaliiiiiiista e informação importante mesmo é aquela conseguida só por jornaliiiiiista. De preferência, através de um porta-voz oficial do poder público.

(suspiros indignados)

Bom, tamanha cegueira já era de se esperar de alguém que responde à pergunta: “O que muda na tua relação com o público na web?” resmungando: “O raio do leitor responde na tua cara e às vezes é muito mal-educado”…

Horrível. Horrível. Horrível.

Mas talvez justificável, como cochichou Pedrinho Markun prá mim, depois da palestra: “Não dá bola, Ana… O Pedro Dória só tá assim, revoltado, porque perdeu o emprego no iG…” (sentido figurado).

Confesso: Américo Martins roubou a cena da abertura do Media On ao mostrar a boa vontade que a vovó BBC está esbanjando para mergulhar no mundo digital.

Depois de escrever um super post e perder por pau no computa - ah, Rwindows, Rwindows… - destaco o BBC College of Journalism, uma instância criada dentro da BBC para atualizar os coleguinhas jurássicos bebecianos nas tecnologias digitais.

A verdade é que, apesar de velhona e pública, apesar do aspecto Parque dos Dinossauros, a BBC demonstra um esforço que não fica só no discurso. Vide a listinha que os caras estão preparando para os próximos meses:

1. iPlayer: central onde ficarão disponíveis todos os vídeos produzidos pela BBC para download por 7 dias a contar da data da primeira veiculação e para uso por outros 30 dias.

2. Notícias ao vívo no celular - em vídeo.

3. Mais interatividade - se é que isso é possível no caso de uma emissora que recebeu 20 mil e-mails em 10 horas e publicou boa parte deles no caso do atentado ao metrô de Londres em 2005.

Tudo isso para se fortalecer como:

1. líder em conteúdo on demand e em todas as plataformas de conteúdo;
2. uma equipe editorial que sabe lidar com conteúdo gerado pelo usuário;
3. uma empresa que, apesar de tradicionalmente dedicar-se à mídia eletrônica, quer sim preservar a qualidade do texto, ainda que muitos de seus profissionais venham do rádio e da TV.

Para papear com o Américo: americo.martins@bbc.co.uk

Poisé… o cargo do cara é esse mesmo: futurologista do NYT.

Ele parece atender ao desafio apontando mobile devices , smartphone com projeção LCD de teclado e telão como o possível substituto do laptop!

Quanto ao aspecto 2.0 da rede, ele entende as audiências cada vez mais como comunidades superorganizadas em ambientes como MySpace, blogs e tals. Contou que 70% dos adolescentes norte-americanos estão presentes em algum desses espaços. E alerta: “It brings a new voice!”

Poisé… o cara vê a audiência como uma OPORTUNIDADE para os jornalistas melhorarem o seu nível de trabalho, numa constatação à lá Dan Gillmor.

Como aproveitar essa audiência disposta a interagir? Bom, ele não tem UMA resposta, mas crê que uma mediação editorial entre fontes - no estilo ZeroAssignment de crowdsourcing.

Mediação, bom… que começa em casa, quando os ambientes de trabalho das mais diferentes linguagens estão se integrando fisicamente, de acordo com uma tendência super factual que a Fabi Zanni registrou há pouco, quando esteve na Europa e viu newsrooms como The Guardian, 20 Minutos, BBC, Financial Times, Le Monde, El País and so on… que estão obrigando coleguinhas jurássicos e jornalistas de web darem as mãozinhas e trabalharem por um jornalismo total.

Ufa! Não via a hora de contar o que passei no Itaú Cultural desde ontem à noite! Vam’bora!

Ontem à noite, na sessão de abertura do Media On, estiveram presentes Michael Rogers, futurista do NYT, Américo Martins, Diretor Executivo para as Américas e Europa do serviço mundial da BBC e o Paulo Henrique Amorim, na pretensa condição de mediador. Sim, porque ele só soube mediar as perguntas dele com… as perguntas dele!

Mas além de monopolizar a discussão, Paulo Henrique conseguiu executar essa tarefa dando um atestado de preconceito e falta de conhecimento sobre cultura digital, mais especificamente, sobre colaboração e web 2.0.

Lá pelas tantas, Paulo Henrique pergunta para Rogers mais ou menos assim: “Com essa história de UGC - User Genereted Content -, como um jornal faz para ainda garantir sua qualidade?”

Por supuesto, para nosso coleguinha jurássico supracitado, conteúdo produzido pelo internauta - que não é jornalista profissional - é sinônimo de falta de qualidade, de credibilidade.

Sorte a tradução simultânea ser tão ruim a ponto de Rogers não ter entendido a pergunta e ter dado como resposta uma reflexão nada a ver… Salvou o Paulo Henrique de vexame ainda maior… e em escala internacional.

Que feio…

… que NÃO TEM conexão wi-fi nem pontos de rede no 1º Seminário Internacional de Jornalismo Online.

Daí o silêncio dessa blogueira que tem muito, MUITO veneno prá destilar…

Aqui. Assim que eu puder.

Ainda hoje eu comentei a tese do Alex Primo durante a banca de TCC da Priscila Basile, do Mackenzie, sobre jornalismo colaborativo. E disse que ela TEM QUE passar pelo Alex se quiser falar de interação.

A Priscila e qualquer pessoa que se lançar ao desafio delicioso de pesquisar, desbravar, entender ou bagunçar ainda mais os assuntos que emergem desse grande tema.

Parabéns, Alex! E obrigada, por agora podermos contar com mais esse livro no nosso escasso rol bibliográfico ^.^

Meu orientador tá chique!!

Ao contrário do que estou acompanhando nos telejornais dessa manhã - especialmente no Bom Dia Rio Grande e no Bom Dia Brasil -, o Aeroporto Internacional Salgado Filho OPERA COM ATRASOS DE CINCO HORAS, em função das chuvas de ontem, que desequilibraram toda a malha aqui no Sul.

Prova disso é o meu vôo, 1003, da BRA, de Porto para São Paulo, que deveria sair daqui às 8h35 e está previsto para as 13h.

Mais nervoso do que sofrer esses atrasos na pele é ter que assistir jornalista dizendo coisa errada na TV com cara de que está revelando A verdade…

(pá, pá)
Baixo astral
(pá, pá, rááá)
Vou prá Porto Alegre, tchau…

E eu APAGUEI o e-mail daquela menina que mobilizava os passageiros de um vôo BRA Porto Alegre-São Paulo que atrasou 6 horas, para processar a companhia por negligência e incompetência.

Eis que hoje sou avisada, nesse fim de tarde, que meu vôo que sairia para Porto Alegre amanhã, de Congonhas, às 17h40, foi remarcado para GUARULHOS, às 11h da manhã.

E aí? Que a gente faz com trabalho, compromissos, deslocamento, horário (sabe… essas coisas sem a mínima importância aos olhos da BRA)?

É como dizia a avó do Bolinha (aquele mesmo, da Luluzinha): economia é a base da porcaria!

UPDATED: Bem… digamos que, quando ouvi quem era o comandante daquele vôo, me arrependi tristemente pelo título desse post. Eu espero, eu espero o quanto for preciso para voar…

Deu hoje de manhã, no Fala Brasil:

“Record transmitirá os Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, para todo o Brasil, com exclusividade.”

(Queixo caído… ou não. Ainda ontem conversava com o Henrique Matos o baita salto de qualidade editorial que a programação da Record registrou nos últimos meses. Fora de brincadeira, troco fácil a Globo pela Record.)

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