Eu me considero uma vítima do Opus Dei. Embora nunca tenha feito parte, compactuado ou chegado minimamente perto dessa seita maldita.

Talvez eu seja um exemplo do quão reverberantes são os efeitos devastadores dessa desgraça disfarçada de glória divina.

E desde que assim me entendo, chamei a mim a missão de fazer o possível para impedir que outras pessoas sejam raptadas pelos carniceiros que tocam a tal “Obra”.

O problema é que há uma dificuldade traiçoeira em descobrir se a gente está ou não perto de um desses carniceiros.

(E se peixe morre pela boca, talvez eu seja a próxima pescada, já que o jornalismo está infestado dessas víboras. Dane-se. Mais forte que o boicote ao meu trabalho é o pavor que sinto cada vez que vejo esse veneno se espalhando pela Terra.)

Há pouco tempo decidi não me envolver mais em manifestos de repúdio à Opus Dei, mesmo que sejam tímidos. Não queria mais ler livros a respeito, tampouco escrever resenhas. Há pouco tempo esse post seria inimaginável. Estava me machucando muito e, numa atitude infantil, optei por fechar os olhos e deixar se danar quem for tolo o suficiente para cair, literalmente, no conto do vigário.

Mas não deu. A coisa está muito mais evidente e clama por uma atitude enfática de estagnação por parte da humanidade. Ainda não sei que atitude é essa. Mas se eu for responsável pela desistência pela obra por uma pessoa que seja, minha consciência vai descansar com a doce sensação de missão cumprida.