Fri 22 Jun 2007
Cíntia Baio entrou para meu caderninho de pessoas-do-bem-interessadas-em-jornalismo-online-que-pensam-web. Não cheguei a comentar, mas Filipe Pacheco, Mariana Esteves, Gabriela Leitão, Marcelo de Marchi, Priscila Basile - e outras pessoinhas amadas com quem estou sendo altamente mal-educada por não lembrar agora - também integram essa lista querida de estudantes de jornalismo em-vias de TCC que me procuraram nas últimas semanas em busca de um café, um e-mail ou um McLanche Feliz regado a muito papo sobre jornalismo colaborativo ^.^
Mas lembrem em especial da Cíntia, em função dela ter comentado algo na última quarta à noite que me deixou realmente admirada pelo refinamento do raciocínio que ela pareceu desenvolver naquele momento.
Questionávamos as razões que levariam um cidadão repórter a aderir a iniciativas “in” de jornalismo colaborativo bancadas por grandes veículos, como o VCnoG1, da Globo, o VC Repórter, do Terra, o FotoRepórter, do Estadão e outros.
Por que, diabos, o internauta primeiro conta suas histórias nesses “puxadinhos colaborativos” (no bom sentido) criados por grandes veículos do que contá-las no BrasilWiki ou no Overmundo, por exemplo, que são projetos ESSENCIALMENTE dedicados ao modelo horizontal de produção de conteúdo?
Simples! - pensou a Cíntia. Internauta age como assessoria de imprensa. Se tem uma pauta, primeiro tenta “plantar” nos fodões, para pegar carona na visibilidade que esse pessoal consolidou FORA da web. Se rolar, rolou.
Se NÃO rolar - e isso é uma realidade muito mais forte nesses “fodões” do que em ambientes mais livres, como iniciativas “puro-sangue” em web -, só então esses internautas vão bater à porta do BrasilWiki, do Overmundo ou quem sabe até do OhmyNews.
São especulações, óbvio. Nenhum estudo por trás disso. Mas fiquei impressionada com o diagnóstico da Cíntia e, sobretudo, pela enoooorme chance dele ser verdadeiro.
Na sequência, choramingamos: “Será que vai demorar para esse internauta se dar conta que jornalismo colaborativo é mais autêntico em veículos puro-sangue? Que eles terão mais autonomia e liberdade editorial ao publicar uma história no BrasilWiki do que no Eu-Repórter?”
(…)
A gente até tentou disfarçar, dizendo que a Fiona-falante do McLanche Feliz era para nossos sobrinhos, mas acho que não deu…